Brasil e EUA revelam inflação de abril amid incertezas causadas pela guerra

Dados de Inflação no Brasil e nos Estados Unidos

Uma nova rodada de dados de inflação tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos está programada para ser divulgada nesta terça-feira, 12 de setembro de 2023. As expectativas em relação a esses dados permanecem marcadas por incertezas decorrentes da guerra no Oriente Médio.

Expectativas para o IPCA

A mediana do mercado, obtida semanalmente pelo boletim Focus do Banco Central, indica que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) referente ao mês de abril deve apresentar uma alta de 0,69%. Embora isso represente uma desaceleração em relação ao resultado de 0,88% observado em março, os analistas econômicos ainda esperam que os preços continuem pressionados por conta do conflito, cujos impactos secundários começam a ser mais evidentes, indo além da questão dos combustíveis.

Um dos aspectos a serem destacados na inflação oficial de abril refere-se aos alimentos, conforme apontam os analistas consultados pela reportagem.

Christian Meduna, economista do Banco BV, afirma: “Ambos os componentes apresentam variações mais elevadas, embora menores do que no mês anterior, contribuindo assim de forma mais significativa para a diminuição da variação do índice. Os combustíveis refletem os preços globais, com algum nível de repasse no mercado interno.”

Meduna complementa que “os alimentos sofrem um repasse de custos de frete, e também há questões climáticas que influenciam alguns itens nesse período”.

O Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval apresenta uma visão levemente mais pessimista, com uma previsão de alta de 0,71% no IPCA de abril, refletindo a alta nos preços dos alimentos e combustíveis em virtude do conflito no Oriente Médio.

O relatório do banco aponta que “os principais destaques são a alta dos preços da gasolina, medicamentos e alimentos, incluindo itens in natura, leite, ovos, feijão e carne vermelha.”

Além disso, o Daycoval afirma que “os preços administrados devem refletir a alta sazonal dos medicamentos, bem como as pressões nos combustíveis, especificamente a gasolina, que são decorrentes do conflito no Oriente Médio.”

Serviços e Implicações da Inflação

Os analistas que contribuíram para a análise da CNN Money indicam que os serviços devem apresentar uma pequena variação em seus preços nesta leitura, devido à deflação dos preços das passagens aéreas, que dispararam em resposta ao conflito.

Apesar da moderada desaceleração na inflação, a taxa ainda deve se manter em níveis elevados, sustentada pelos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio. Leonardo Costa, economista do ASA, ressalta que “os efeitos continuam se propagando pela inflação ao consumidor”.

O relatório do Daycoval acrescenta que “apesar dos serviços estarem em um patamar inferior, os itens mais sensíveis à atividade econômica, especialmente aqueles que demandam mais mão de obra, devem permanecer sob pressão”.

Costa conclui que “os serviços subjacentes, que representam o núcleo da inflação de serviços, embora apresentem desaceleração, devem continuar em níveis elevados e representam um desafio para o Banco Central”.

Fatores Climáticos e Perspectivas Futuras

Em relação aos fatores climáticos que podem afetar negativamente o preço dos alimentos, André Valério, economista sênior do Inter, destaca que a inflação de alimentos deverá ser prejudicada pela ocorrência de El Niño no segundo semestre. Este fenômeno climático pode, a longo prazo, pressionar os preços.

Valério explica que “o El Niño também poderá impactar de forma negativa a inflação de habitação, encarecendo a energia elétrica. Com essas condições adversas de oferta, antecipamos um impacto na inflação de 2027, prevendo que o IPCA encerre o ano com uma alta acumulada de 3,8%, o que ficaria fora do centro da meta e acima do que se considerava antes dos conflitos.”

Outras expectativas de mercado também se deterioraram. Pelo nono período consecutivo, os operadores do mercado financeiro revisaram suas previsões para a inflação de 2026, que agora se estima em 4,91% na segunda-feira, 11 de setembro.

Expectativas para a Inflação nos Estados Unidos

Quanto à expectativa do CPI (Índice de Preços ao Consumidor) nos Estados Unidos, há uma previsão de leve aceleração no índice total. Essa projeção é influenciada pelos preços de energia e pelo núcleo do índice, que revelam uma inflação ainda resiliente, de acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Zogbi esclarece que “os preços dos combustíveis, que impactam os fretes e, por consequência, os preços de alimentos e outros produtos, devem continuar voláteis, sem expectativas de uma resolução para o conflito que mantém o estreito de Ormuz fechado.”

Para este mês, a projeção de consenso aponta para um aumento de 0,6% no índice total e de 0,3% no núcleo, que exclui alimentos e energia.

A analista ainda indica que “se os dados superarem essas projeções ou se houver uma consolidação nos impactos no setor de serviços, poderemos observar alterações nas expectativas em relação à taxa de juros nos Estados Unidos, com alguns investidores começando a considerar novos movimentos de aperto monetário por parte do Fed, além da possibilidade de afastamento das expectativas de cortes.”

Por fim, a análise e os dados apresentados refletem um panorama complexo da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com múltiplos fatores econômicos e geopolíticos influenciando as expectativas futuras.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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