Posição do Brasil no Cenário Global
“O Brasil se destaca como um dos países melhor posicionados da amostra e é o único entre os grandes emergentes que apresenta saldo líquido positivo”, informa o relatório. No ano de 2025, o superávit de petróleo e derivados atingiu US$ 32 bilhões, enquanto o déficit em fertilizantes totalizou US$ 15 bilhões. Esses números resultaram em um saldo líquido positivo de US$ 16,4 bilhões, o que representa 0,72% do PIB.
Em termos absolutos, este representa o maior saldo entre os países da América Latina analisados na amostra. Quando observamos economias com Produto Interno Bruto superior a US$ 500 bilhões, como México, China, Índia e Coreia do Sul, o Brasil é o único que apresenta um resultado positivo neste contexto. Essa situação coloca o País em uma posição estruturalmente mais protegida no início de um choque econômico.
Vantagens do Brasil em Relação ao Mercado
O relatório aponta que “economias com saldo líquido positivo em energia e fertilizantes mostraram um desempenho relativo melhor em suas moedas”. Não é por acaso que o real teve uma valorização de aproximadamente 2,5% desde o início do conflito, posicionando-se entre as moedas de melhor performance durante esse período. Além disso, a elevada correlação de 0,94 entre saldo comercial e câmbio reforça a ideia de que o canal externo tem sido um fator determinante nessa dinâmica.
Ao ampliar a análise para o período médio entre 2022 e 2025, o padrão se mantém. Brasil e Colômbia se destacam como exceções positivas, enquanto as demais economias emergentes permanecem enfrentando resultados negativos. Para o Brasil, é importante notar a presença de um componente estrutural relevante, que é o aumento da produção e exportação de petróleo, juntamente com a normalização do choque de fertilizantes após 2022.
Desafios do Brasil: Fertilizantes
Apesar das conquistas, o relatório emite uma ressalva significativa para os investidores: o Brasil não lidera em todos os critérios avaliados. A Colômbia, por exemplo, destaca-se em termos relativos, apresentando um saldo de 1,55% do PIB em comparação com 0,72% do Brasil. Isso se deve, em grande parte, à menor dependência da Colômbia em relação às importações de fertilizantes.
“Cerca de três quartos da diferença no saldo líquido entre os dois países são atribuídos à conta de fertilizantes, e não à de petróleo”, explica a instituição BTG Pactual.
Portanto, o insumo fertilizante continua sendo o calcanhar de Aquiles da economia brasileira.
Ainda assim, a avaliação feita é conservadora para o Brasil. O próprio banco ressalta que a análise não inclui eventuais ganhos adicionais oriundos de outras commodities que o País exporta, como produtos agrícolas, nem considera possíveis impactos mais limitados do choque atual sobre os fertilizantes. Isso sugere que a posição externa do Brasil pode ser ainda mais favorável do que a capturada no ranking principal.
Liquidez e Segurança do Tesouro
Mesmo com um déficit em transações correntes próximo a 3% do PIB, o Brasil possui reservas internacionais elevadas, na ordem de aproximadamente US$ 358 bilhões, o que corresponde a cerca de 15,7% do PIB. Ademais, a exposição cambial da dívida pública é baixa, em torno de 3,8%. Isso é complementado por um colchão de liquidez significativo do Tesouro, que equivale a cerca de sete meses de vencimentos.
“O País entra nesta fase com um colchão de liquidez relevante e um choque comercial direto que […] tende a reduzir, e não a aumentar, a vulnerabilidade externa”, afirma a instituição financeira.
Enquanto muitas economias emergentes enfrentam a deterioração de suas condições externas, o Brasil tem conseguido amortecer e até inverter parte desse impacto, demonstrando resiliência em um cenário desafiador.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br