Brasil suspende importação de cacau da Costa do Marfim devido a risco fitossanitário

Suspensão da Importação de Cacau

O Ministério da Agricultura anunciou a suspensão imediata e temporária da importação de amêndoas de cacau provenientes da Costa do Marfim. Essa decisão é motivada por preocupações relacionadas ao risco fitossanitário, conforme publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira.

Justificativa da Medida

A medida se baseia no potencial risco fitossanitário, resultante do alto fluxo de grãos de países vizinhos para o território marfinense. Essa situação possibilita a possível mistura de amêndoas nas cargas destinadas ao Brasil. A Costa do Marfim é reconhecida como o maior produtor de cacau do mundo.

Dados sobre Importação

Conforme informações do Ministério da Agricultura, o Brasil importou um total de 112,85 mil toneladas de cacau e seus derivados em 2025, sendo que 41,6 mil toneladas desse total vieram da Costa do Marfim. O ministério determinou que a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, juntamente com a Secretaria de Defesa Agropecuária, adotem medidas para investigar a possível "triangulação" das amêndoas provenientes da Costa do Marfim, considerando as possíveis implicações fitossanitárias.

Reação da Indústria

A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc), que inclui empresas como Cargill, Barry Callebaut e Ofi, expressou sua preocupação em relação à decisão de suspender as importações de cacau marfinense. A associação afirmou confiar no governo da Costa do Marfim, que é um parceiro estratégico do Brasil no comércio internacional de cacau, e pede esclarecimentos e garantias sobre a rastreabilidade e os controles necessários para prevenir a triangulação de amêndoas de países não autorizados.

Moagem de Cacau no Brasil

No ano de 2025, a moagem de cacau no Brasil totalizou 195.882 toneladas, o que marca uma diminuição de 14,6% em comparação com 2024. Essa retração é atribuída ao aumento nos custos da matéria-prima, segundo a Aipc.

Continuação da Suspensão

O ministério decidiu ainda manter a suspensão da importação até que haja uma manifestação formal da Costa do Marfim sobre a situação. Essa manifestação deve incluir garantias de que os envios originários do país africano não apresentam risco de conter amêndoas de cacau produzidas em países vizinhos, cujo status fitossanitário é desconhecido e cuja exportação para o Brasil é considerada não autorizada.

Análise de Risco Fitossanitário

De acordo com uma nota emitida pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a decisão de suspensão foi resultado de uma análise de risco fitossanitário revisada recentemente por uma missão técnica brasileira no país africano. Essa missão ocorreu entre os dias 1 e 14 de fevereiro, e o relatório a respeito deve ser divulgado até o final desta semana.

Acompanhamento do Tema

O tema tem sido monitorado tanto pela Faeb quanto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participaram de uma reunião técnica com o Ministério da Agricultura em novembro. Durante essa reunião, foram levantadas preocupações relativas à sanidade vegetal e solicitada a revisão da Análise de Risco de Pragas (ARP).

Declarações de Autoridades

O presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, explicou que a decisão resulta de um processo técnico conduzido pelas autoridades sanitárias brasileiras. Ele enfatizou que o envio da missão e a publicação da medida demonstram o funcionamento adequado dos protocolos de defesa agropecuária, que se fundamentam em critérios técnicos e científicos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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