Proposta do Brasil à China sobre Cotas de Carne Bovina
O Brasil planeja solicitar à China a flexibilização das cotas para importação de carne bovina, que estão isentas de tarifas adicionais, conforme as medidas de salvaguarda anunciadas pelo governo chinês no dia 31 de agosto. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, mencionou que as cotas foram estabelecidas uniformemente com base na participação de mercado nos últimos três anos. “Vamos discutir com a China se, caso um país não consiga cumprir sua cota, o Brasil possa assumir essa quantidade. Por exemplo, os Estados Unidos não exportaram carne para a China em 2025”, explicou.
Discussões Bilaterais ao Longo de 2026
Essas alternativas serão objeto de negociações bilaterais com a China ao longo do ano de 2026, conforme informado pelo ministro. “Se o nosso preço é competitivo e a carne é de qualidade, isso também contribui para conter a inflação de alimentos no país. O que faremos é dialogar intensamente, negociar e estabelecer parcerias, pois não será algo resolvido rapidamente. Estou confiante de que isso não afetará os produtores brasileiros de forma negativa”, acrescentou Fávaro.
Anúncio de Medidas pelas Autoridades Chinesas
O governo da China anunciou a implementação de cotas específicas por país para a importação de carne bovina, além da adoção de uma tarifa adicional de 55% sobre volumes que superarem a quantidade estabelecida. Essa decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país e as novas medidas entraram em vigor em 1º de setembro, com a implementação prevista até 31 de dezembro de 2028. Essas regras irão impactar os principais exportadores do setor.
Cotas de Exportação para o Brasil
De acordo com o novo regulamento, o Brasil, que é o principal fornecedor de carne bovina para o mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais em 2026. Este limite aumentará gradativamente, chegando a 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,154 milhão de toneladas em 2028. Comparando com o ano atual, até novembro, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, resultando em um total de US$ 8,028 bilhões.
Cotas Para Outros Exportadores
Outros importantes países exportadores de carne bovina também enfrentarão limitações nas suas vendas para a China, com as cotas estabelecidas com base na participação de cada nação nas exportações chinesas. O Brasil, com uma cota de 45% da carne bovina importada pela China, é seguido pela Argentina, que terá uma cota de 511 mil toneladas no próximo ano. O Uruguai contará com uma cota de 324 mil toneladas, enquanto a Nova Zelândia terá 206 mil toneladas, a Austrália 205 mil toneladas e os Estados Unidos 164 mil toneladas.
Perspectivas de Negociações Futuras
O ministro Fávaro acredita que a cota de 1,106 milhão de toneladas isentas de tarifas adicionais é um passo positivo, pois possibilitará avançar nas negociações com a China ao longo de 2026. Segundo ele, é possível que se chegue ao segundo semestre com tarifas reduzidas, enquanto se poderá discutir com as autoridades chinesas a possível ampliação da cota do Brasil, caso outros países não cumpram suas quantidades.
Fávaro observou ainda que o governo não ficou surpreso com a decisão chinesa, pois o assunto vinha sendo tratado ao longo do último ano. “Não há nada que tenha sido tratado de forma abrupta. A relação entre Brasil e China é baseada em confiança mútua e amizade. As autoridades chinesas anunciaram que iriam elaborar um processo de salvaguarda para proteger os produtores locais”, afirmou o ministro. “Compreendemos a estratégia e trabalhamos para garantir a continuidade do comércio”, complementou.
Impacto da Medida no Mercado
Na análise do ministro, não há um “impacto relevante” no mercado atualmente em decorrência das novas medidas. “O Brasil manteve uma cota de cerca de 44%, que é um pouco inferior ao desempenho de 2025, que foi afetado pela política tarifária dos Estados Unidos, mas ainda está dentro da média histórica”, ponderou.
De acordo com Fávaro, o Brasil está apto a lidar com flutuações nas relações comerciais, tendo aberto 29 novos mercados para a carne bovina nos últimos anos, incluindo México, Vietnã e Malásia. “Se superarmos a cota de 1,106 milhão de toneladas, remanejaríamos esses volumes para outros mercados. Estamos esperançosos quanto à abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira em março do próximo ano”, afirmou.
Relação do Brasil com a Organização Mundial do Comércio
O ministro Fávaro também negou a possibilidade de que o Brasil acionasse a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas de salvaguarda adotadas pela China. “O Brasil não irá se opor às medidas chinesas. Nossa relação com a China é excelente, e não somos pegos de surpresa. Tudo foi discutido de acordo com o diálogo e a estratégia de cada nação”, garantiu.
A China é o principal destino da carne bovina exportada pelo Brasil, correspondendo a 50% de todas as vendas realizadas neste ano. Até novembro, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, o que totalizou US$ 8,028 bilhões.
Fonte: www.moneytimes.com.br