Braskem estabelece 5 de julho como limite para evitar recuperação judicial

Reestruturação da Dívida da Braskem

A disputa em torno da reestruturação da dívida de R$ 51,8 bilhões da Braskem entrou em uma fase crítica. A companhia, que é controlada pela Petrobras e pelo fundo IG4, estabeleceu o dia 5 de julho como prazo limite para medir a adesão dos credores ao plano de recuperação extrajudicial (RE). Este mecanismo é considerado internamente como a alternativa preferencial para evitar a recuperação judicial (RJ).

Adesão dos Credores

De acordo com fontes envolvidas nas negociações, a empresa busca obter o apoio inicial de ao menos 33% dos créditos por classe. Esse percentual é o mínimo exigido pela legislação para que o pedido de homologação da recuperação extrajudicial possa ser protocolado. Com isso, a companhia ganharia um período de proteção, permitindo-lhe avançar nas negociações com os demais credores.

Potenciais Consequências

Nos bastidores, a mensagem direcionada aos detentores da dívida é clara: caso o quórum mínimo não seja alcançado até a primeira semana de julho, a Braskem poderá optar pelo plano B e entrar com um pedido de recuperação judicial. Essa ameaça é vista como uma importante ferramenta de negociação. Embora a recuperação judicial represente um cenário mais complicado para a empresa e seus acionistas, ela também preocupa os grandes bancos credores, que poderiam enfrentar um processo judicial mais longo e repleto de disputas sobre garantias e prioridades de pagamento.

Blindagem Jurídica

Para fortalecer essa estratégia, a Braskem contratou o escritório Munhoz Advogados, que é especializado em reestruturações empresariais de grande porte. Este escritório tem atuado na modelagem da recuperação extrajudicial e, segundo interlocutores, estaria preparado para conduzir uma eventual recuperação judicial, caso as negociações não tenham sucesso.

A contratação do escritório foi interpretada no mercado como um indicativo de que a companhia deseja mostrar aos credores que a ameaça de recuperação judicial não é apenas um instrumento retórico, mas uma alternativa que está sendo considerada seriamente pela administração.

Resistência dos Bancos

O principal foco de resistência permanece concentrado entre os grandes bancos nacionais, incluindo Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES. Essas instituições defendem que a solução deve envolver um aporte de capital novo por parte dos controladores, especialmente da Petrobras. Elas também demonstraram pouca disposição para aceitar apenas uma extensão dos vencimentos da dívida. Uma parte dessas instituições financeiras também adquiriu ações da Braskem como garantia em operações vinculadas à antiga Novonor, o que adiciona complexidade às negociações.

Foco nos Investidores Estrangeiros

Para conseguir o quórum necessário, a Braskem concentra seus esforços em detentores de bônus internacionais e investidores especializados em crédito estressado. Nas últimas semanas, fundos globais de "distressed assets", como o Elliott Management e o Strategic Value Partners (SVP), aumentaram sua exposição aos títulos da petroquímica, que foram adquiridos com desconto no mercado secundário. Fontes próximas às negociações informam que esse grupo tende a enxergar maior valor econômico na proposta de recuperação extrajudicial do que os bancos tradicionais, tornando-se uma peça-chave na estratégia da companhia.

Cálculo da Braskem

O cálculo da Braskem é direto: buscar o apoio necessário entre os investidores internacionais para destravar a recuperação extrajudicial e, ao mesmo tempo, aumentar a pressão sobre os credores que demonstram resistência.

Com o prazo se aproximando rapidamente, até 5 de julho, a reestruturação da petroquímica está se aproximando de um momento decisivo. O resultado das próximas semanas será fundamental para determinar se a companhia conseguirá seguir pelo caminho da recuperação extrajudicial ou se será forçada a um cenário de recuperação judicial, que continua a ser o resultado mais preocupante para todos os envolvidos.

Fonte: veja.abril.com.br

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