Projeção da Taxa Selic
O BTG Pactual decidiu manter a sua estimativa para a taxa Selic terminal em 13% ao ano, mesmo após uma deterioração do cenário inflacionário e um ambiente global que se tornou mais desafiador devido ao impacto dos preços do petróleo.
Em um relatório macroeconômico divulgado na sexta-feira (8), a instituição reconhece que os riscos associados às taxas de juros “tenderam a aumentar”; no entanto, acredita que o Banco Central deve adotar um ciclo de cortes gradual, com reduções de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Os economistas do banco afirmam que a comunicação recente do Banco Central “não indicou uma pausa iminente”, embora a atuação da autoridade monetária tenha se tornado “menos clara” diante do aumento das pressões inflacionárias.
O relatório observa que, caso o Banco Central decida perseguir a meta de inflação de 3% de forma mais rigorosa, a taxa Selic poderá terminar o ciclo acima da estimativa atualmente projetada.
Apesar disso, o BTG considera que ainda há espaço para uma tolerância temporária em relação à inflação, mantendo a previsão de juros em 13% ao final do ciclo. Os economistas destacam que “as projeções perderam seu poder informacional sobre a extensão do ciclo”.
Inflação Mais Alta no Horizonte
Um dos principais pontos de revisão no relatório se refere à inflação. O banco elevou a sua projeção para o IPCA de 2026, passando de 4,7% para 4,9%. A estimativa para 2027 também foi ajustada, subindo de 4,1% para 4,2%.
Conforme apontado pelo BTG, essa alteração reflete uma combinação de fatores, como a disseminação de núcleos de inflação em aceleração, a resiliência dos serviços subjacentes e a pressão maior sobre bens industriais desde dezembro do ano anterior.
Adicionalmente, o banco chama a atenção para a defasagem ainda elevada nos preços dos combustíveis, que é estimada em cerca de 45% para gasolina e diesel antes da consideração de eventuais subsídios, o que resulta em um balanço de riscos considerado “assimétrico para cima”.
No contexto externo, o relatório destaca que o conflito no Oriente Médio se mantém como um dos principais fatores que geram pressão inflacionária em nível global. Mesmo após um cessar-fogo entre Irã e EUA, o fluxo no Estreito de Ormuz continua comprometido, mantendo os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril.
Consequentemente, diversos bancos centrais ao redor do mundo têm adotado um discurso mais firme. O BTG aponta que o Federal Reserve já perdeu espaço para novos cortes de juros, enquanto o Banco Central Europeu se aproxima de uma situação que pode resultar em mais aumentos de juros em junho deste ano.
Dólar em R$ 4,90
Considerando o Brasil, o choque do petróleo apresenta um efeito ambíguo. Apesar de pressionar a inflação doméstica, ele pode melhorar as contas externas do país.
O banco revisou sua projeção para o dólar ao final de 2026, ajustando-a de R$ 5,20 para R$ 4,90, apoiado pelo aumento das exportações de petróleo, pela melhoria nos termos de troca e pelo diferencial elevado de juros.
Além disso, o BTG também elevou sua projeção de superávit comercial para US$ 90 bilhões em 2026, ressaltando que o Brasil se destaca como um dos emergentes mais favorecidos pelo atual choque energético global.
Fonte: www.moneytimes.com.br