Ações da Embraer em Alta no Ibovespa
As ações da Embraer (EMBJ3) lideram o desempenho positivo do Índice Bovespa (Ibovespa) em um dia marcado por um elevado apetite ao risco no mercado doméstico, acompanhando uma recuperação das perdas recentes.
Desempenho das Ações
Por volta das 15h40 (horário de Brasília), as ações da Embraer apresentavam uma alta de 4,38%, cotadas a R$ 80,32. No pico do pregão, os papéis chegaram a subir 6,56%, alcançando R$ 82,00.
Em março, as ações da EMBJ3 sofreram uma queda de 16,80%, posicionando-se como a quinta ação com pior desempenho entre aquelas negociadas na carteira teórica do Ibovespa. Essa desvalorização foi impulsionada por preocupações quanto aos impactos potenciais do conflito no Oriente Médio sobre a empresa e o setor aéreo em geral. No acumulado do ano, os papéis ainda apresentam um saldo negativo, com recuo de 9%.
Análise do BTG Pactual
Com a recente queda das ações, o BTG Pactual indicou que as ações da Embraer estão sendo comercializadas a um desconto de 40% em relação aos seus concorrentes. Segundo os analistas do banco, as ações caíram de maneira acentuada devido à escalada do conflito envolvendo o Irã, além da volatilidade observada nos preços do petróleo. Eles acreditam que a reação inicial do mercado foi exagerada, conforme citado em um relatório da instituição.
A desvalorização dos papéis fez com que a proporção de risco-retorno se tornasse “assimétrica demais para ser ignorada”, de acordo com o BTG. Além disso, a equipe de analistas do banco almeja que as preocupações dos investidores relacionadas a pedidos marginais foram atenuadas, especialmente após a encomenda de jatos E2 pela Finnair.
Adicionalmente, o BTG Pactual destaca que, com a atual carteira de pedidos, que somam US$ 32 bilhões no quarto trimestre do ano passado (4T25), o risco à receita no prazo imediato é limitado ou praticamente inexistente.
As ações da Embraer foram recentemente incluídas na carteira recomendada do BTG Pactual 10SIM para o mês de abril.
Contexto do Conflito no Oriente Médio
Na quarta-feira, dia 1º, os papéis da fabricante de aeronaves foram beneficiados por uma melhora no clima entre os investidores, impulsionada pela expectativa de um possível fim do conflito no Oriente Médio.
Pela manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Irã havia pedido um cessar-fogo em uma postagem em sua rede social, Truth Social. Trump comentou que os Estados Unidos considerariam essa solicitação quando o Estreito de Ormuz estivesse “aberto, livre e desimpedido”, mas que, até esse momento, o país continuaria a pressionar o Irã fortemente.
No entanto, logo após os comentários de Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã respondeu que a declaração sobre o cessar-fogo era “falsa e sem fundamento”, conforme informado pela TV estatal iraniana Al Jazeera.
Ao final da tarde, Trump reiterou que os Estados Unidos “sairão do Irã muito rapidamente” e deixaram em aberto a possibilidade de “ataques pontuais” se necessário, em uma entrevista por telefone à Reuters. Desde o início da guerra, analistas veem impactos possíveis na empresa em razão do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã. As principais preocupações dos investidores giram em torno de potenciais atrasos ou cancelamentos no backlog (carteira de pedidos) da fabricante brasileira, uma vez que a alta dos preços do petróleo poderia gerar uma crise no setor aeroespacial.
Backlog da Embraer
Atualmente, a Embraer possui um backlog total de US$ 31,6 bilhões, dos quais US$ 14,5 bilhões correspondem à aviação comercial, englobando pedidos de 459 aeronaves. Dentro desse total, existem pedidos referentes a 7 jatos provenientes de companhias aéreas do Oriente Médio, como Salam Air e Royal Jordanian. Outros 50 jatos estão relacionados a novas companhias, como a Avelo, e suas operações podem ser afetadas por um possível aumento nos preços do petróleo.
Os 57 jatos mencionados somam cerca de US$ 4,8 bilhões em backlog, o que representa aproximadamente US$ 3 bilhões em receitas potenciais, considerando um desconto de cerca de 40%. Desde o início da guerra no Irã, os preços do petróleo tipo Brent, que serve como referência no mercado global, já acumulam uma valorização superior a 40%, com o barril cotado a US$ 100.
Fonte: www.moneytimes.com.br