BTG Pactual Mantém Recomendação Neutra para MBRF e Minerva Foods
O BTG Pactual manteve sua recomendação neutra para a MBRF (MBRF3) e a Minerva Foods (BEEF3) após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25). A análise aponta um cenário operacional ainda positivo, mas com indícios de deterioração na geração de caixa e perspectivas mais desafiadoras para 2026.
Desempenho da MBRF
Em relação à MBRF, o banco destacou que 2025 foi um ano considerado “notável” em termos operacionais, apresentando margens fortes tanto nas operações da BRF quanto na carne bovina na América do Sul, o que compensou um desempenho mais fraco observado nos Estados Unidos. No 4T25, o Ebitda registrou R$ 3,4 bilhões, alinhado às expectativas, embora tenha apresentado uma queda de 9% em comparação ao ano anterior. O lucro líquido, por outro lado, ficou em R$ 91 milhões, influenciado por custos financeiros elevados. O BTG Pactual estabelece um preço-alvo de R$ 26 para as ações da companhia.
Entretanto, a alavancagem persiste como um ponto de atenção. A empresa consumiu aproximadamente R$ 328 milhões de caixa no trimestre, mesmo após ajustes para efeitos não recorrentes. A dívida líquida ao final do ano alcançou R$ 50,4 bilhões, correspondente a 3,8 vezes o Ebitda.
Os analistas salientam que o elevado custo de juros e o nível de investimentos continuam a limitar a geração de fluxo de caixa livre, sustentando uma perspectiva mais cautelosa.
Contexto da BRF
A operação da BRF apresenta crescimento consistente nos volumes e uma recuperação na participação de mercado. Contudo, as margens começam a mostrar sinais de normalização, pressionadas pela queda dos preços e um aumento na oferta global de proteínas.
Na América do Sul, a Marfrig ainda demonstra desempenho sólido, mas o aumento no preço do gado no Brasil pode reduzir a rentabilidade ao longo de 2026.
Desempenho da Minerva Foods
Para a Minerva, o BTG Pactual destacou que 2025 também foi um ano recorde, com receita de R$ 55 bilhões e Ebitda de R$ 4,8 bilhões, impulsionados pela aquisição de ativos da Marfrig. Entretanto, o 4T25 não atendeu às expectativas do mercado, com um Ebitda de R$ 1,17 bilhão, cerca de 9% abaixo do projetado pelo BTG.
Os analistas estabelecem um preço-alvo de R$ 8,50 para as ações da Minerva Foods. A frustração em relação ao desempenho da empresa se deve, principalmente, às margens menores, resultantes de custos superiores ao esperado e despesas operacionais elevadas. Ademais, a companhia voltou a consumir caixa por meio do capital de giro, revertendo uma dinâmica positiva anteriormente observada.
O consumo de caixa foi de aproximadamente R$ 600 milhões, impactado pelo aumento nos estoques e pela redução dos adiantamentos de clientes.
Questões de Alavancagem
A alavancagem continua a ser monitorada de perto. A relação dívida líquida/Ebitda chegou a 2,8 vezes (ou 4,7 vezes considerando métricas ampliadas), com efeitos cambiais e pagamento de dividendos influenciando este resultado.
O BTG Pactual observa que o principal ponto de atenção para a Minerva é o nível de expectativas embutido nas ações da companhia. Após um período de valorização acentuada, o cenário agora contempla fatores menos favoráveis, como a valorização do real, o aumento no preço do gado no Brasil e uma possível mudança no ciclo pecuário, fatores que podem pressionar as revisões de lucro.
Conclusão da Avaliação do BTG
Diante de todos esses aspectos, o BTG Pactual reiterou sua recomendação neutra para ambas as companhias. Apesar dos bons fundamentos observados recentemente, o banco conclui que o equilíbrio entre risco e retorno não se apresenta particularmente atraente no momento.
Fonte: www.moneytimes.com.br