BTG reduz recomendação e preço-alvo da ação após desaceleração do crescimento; saiba mais.

BTG reduz recomendação e preço-alvo da ação após desaceleração do crescimento; saiba mais.

by Ricardo Almeida
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BTG Pactual atua sobre recomendações para Boa Safra (SOJA3)

O BTG Pactual revisou sua recomendação para as ações da Boa Safra (SOJA3), alterando-a de "compra" para "neutra". A nova previsão de preço-alvo para os papéis da companhia foi estabelecida em R$ 12, representando um potencial de valorização de 29%.

Contexto após resultados decepcionantes

Após a divulgação de resultados insatisfatórios no terceiro trimestre de 2025 (3T25), o banco, que anteriormente tinha a recomendação de compra e um preço-alvo de R$ 21, passou a revisar suas estimativas. Os analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Bruno Henriques destacam que, até pouco tempo atrás, havia uma expectativa positiva em relação ao crescimento da empresa, com projeções de que ela alcançaria a marca de 360 mil big bags nos próximos anos.

Ciclo de investimentos e mudança de foco

Desde a realização do IPO em 2021 e do follow-on em 2024, a Boa Safra passou por um intenso ciclo de investimentos. Nesse período, a capacidade de beneficiamento de sementes de soja foi ampliada de 100 mil big bags por ano para 280 mil em 2025. Contudo, os analistas afirmam que há uma mudança na estratégia da companhia. As ambições de crescimento estão sendo recalibradas, e a administração agora prioriza a rentabilidade em detrimento da expansão de volume.

Desafios da expansão rápida

O BTG ressalta que expansões rápidas costumam trazer ineficiências operacionais, e a Boa Safra não foi exceção a essa regra. Entre os anos de 2018 e 2020, a relação entre big bags vendidos e a capacidade instalada permaneceu em níveis entre 90% e 94%. No entanto, essa proporção caiu para cerca de 80% entre 2021 e 2024, refletindo a primeira fase da expansão de capacidade da empresa. Em 2024, a taxa de utilização desceu para 67%. Os analistas esperam uma recuperação em 2025, com a utilização provavelmente voltando ao patamar de 80% que foi observada em anos anteriores.

Correção no mercado de sementes

O mercado de sementes enfrenta um processo de correção. Após um ciclo de alta nas commodities agrícolas, muitos participantes do setor ampliaram suas capacidades de processamento de maneira agressiva. Naquele período, os preços da soja estavam em níveis 50% superiores aos atuais, o que resultou em uma rentabilidade generalizada. Novos concorrentes entraram no mercado, enquanto empresas já existentes dobraram seus investimentos, levando a margens que pareciam estruturalmente altas.

Com a normalização das condições de mercado, surgiu um excesso estrutural de oferta, e os preços das sementes começaram a cair após anos de inflação. Estimativas indicam que o Brasil terminou a safra com cerca de 30% do volume de sementes não vendido. Esse descompasso causou prejuízos consecutivos para diversos produtores de sementes, que agora enfrentam dificuldades financeiras e já sinalizam a necessidade de reduzir volumes.

Estratégia de desaceleração

Para o BTG, a decisão da Boa Safra de desacelerar sua expansão está alinhada com as tendências mais amplas do setor. Essa escolha é vista como uma abordagem racional, pois a companhia protege suas margens em um ambiente onde a capacidade incremental dificilmente geraria retornos atraentes. Contudo, líderes de mercado tendem a adotar estratégias anticíclicas em circunstâncias semelhantes, utilizando balanços mais robustos e operações mais eficientes para aumentar sua participação de mercado enquanto concorrentes enfrentam dificuldades.

A Boa Safra tomou a decisão de pausar suas operações e se reorganizar. Analistas acreditam que a companhia continuará ganhando participação de mercado — estimada em mais de 10% até o final de 2025, em comparação com 7,7% no ano anterior. Porém, esse crescimento pode não ser relevante após esse período. Dependendo da eficiência e velocidade da melhora operacional, a empresa poderá identificar oportunidades para reativar seu crescimento por meio de iniciativas orgânicas e potenciais aquisições.

Impacto nos indicadores financeiros

As mudanças no ambiente comercial, junto aos preços em queda, impactaram significativamente a rentabilidade da empresa. O EBITDA por big bag vendido caiu de um recorde de R$ 1.944 em 2023 para uma estimativa de R$ 1.100 em 2025. Ao mesmo tempo, a margem EBITDA reduziu-se de 15,3% para 9,7%. Esse declínio é, em grande parte, atribuído ao aumento das despesas operacionais, sendo que as despesas com SG&A por big bag vendido subiram de R$ 334 em 2023 para R$ 488 em 2024, com uma estimativa de R$ 694 para 2025.

As despesas de SG&A, ao se considerarem como percentual da receita, aumentaram de 2,6% para 4,3% e, posteriormente, para 6,1%, respectivamente. A administração mostra determinação em buscar margens de EBITDA “na faixa média de dois dígitos” como condição para justificar maiores investimentos em crescimento. Os analistas concordam com essa abordagem. No entanto, em um mercado de sementes com condições menos favoráveis, surgem questionamentos sobre a capacidade da Boa Safra de manter margens significativamente mais elevadas no futuro próximo ou se a empresa precisará intensificar seus esforços comerciais para sustentar suas vendas.

Os analistas prevêem que a margem EBITDA subirá de 9,7% em 2025 (com um valor de R$ 1.100 por big bag) para 11,6% em 2026 (correspondendo a R$ 1.302 por big bag).

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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