A Temporada do Quarto Trimestre de 2025 e Perspectivas para o Primeiro Trimestre de 2026
A temporada do quarto trimestre de 2025 já se encerrou, e a nova temporada do primeiro trimestre de 2026 começa a se delinear. No contexto do varejo, o BTG Pactual observa um ambiente de consumo que ainda é caracterizado por gastos seletivos e uma alavancagem operacional limitada, ainda que tenha surgido uma leve melhora nesse cenário.
Análise do Desempenho do Varejo
A equipe de analistas do BTG, sob a liderança de Luiz Guanais, relembra que o segundo semestre de 2025 foi um período de transição. Esse período foi marcado por uma desaceleração mais pronunciada em determinados segmentos, como o vestuário, uma perspectiva menos promissora para o varejo alimentar e um desempenho mais robusto no setor farmacêutico.
“Entretanto, as taxas de juros que permanecem elevadas têm impactado negativamente a renda disponível das famílias, que, somadas a um alto nível de endividamento, continuam sendo as principais restrições ao poder de compra”, afirmam os analistas. Eles ressaltam que esse cenário é intensificado pela inflação acumulada nos últimos anos, que elevou os preços de forma estrutural e, consequentemente, diminuiu a acessibilidade real da população.
Expectativas para o Primeiro Trimestre de 2026
Para o primeiro trimestre de 2026, o BTG Pactual aponta que o varejo farmacêutico pode apresentar um desempenho mais positivo, trazendo boas perspectivas para empresas como Smart Fit (SMFT3), Track & Field (TFCO4) e Petz (AUAU3). Por outro lado, as expectativas são menos favoráveis para o varejo alimentar e o setor de e-commerce.
O Que Esperar do Varejo no Primeiro Trimestre de 2026
Na análise do BTG, o varejo alimentar se destaca como o segmento mais fraco, evidenciado pelo modesto crescimento de aproximadamente 0,5% nas vendas de mesmas lojas (na sigla em inglês, SSS) do Assaí (ASAI3). Ademais, as margens permanecem praticamente estáveis, refletindo a continua pressão sobre o consumo real.
O Grupo Mateus (GMAT3), por sua vez, reportou um crescimento acentuado de cerca de 18% em uma base anual, mas os analistas alertam que esses números são amplamente resultantes de aquisições, com a rentabilidade ainda relativamente baixa, apresentando uma margem Ebtida em torno de 4,5%.
“Em contrapartida, o varejo farmacêutico se destaca como um dos principais positivos, com a RD Saúde (RADL3) registrando um crescimento de cerca de 19% na receita, acompanhado por uma expansão de margem, impulsionado pela demanda por GLP-1. A Panvel (PNVL3) também apresenta um desempenho robusto em SSS, com uma alta de 12,5% e ganhos de margem, ressaltando a qualidade superior dos resultados do setor”, explicam os analistas do BTG.
No setor discricionário, o segmento de vestuário dá indícios iniciais de recuperação, embora a execução ainda mostre uma certa irregularidade. As análises indicam que a Lojas Renner (LREN3) apresenta uma melhora gradual, com um crescimento em torno de 5% na receita, ganhos modestos em SSS (+4%) e uma leve expansão de margens, evidenciando uma maior disciplina operacional.
Por sua vez, a Riachuelo (RIAA3) se destaca de forma positiva no ritmo de vendas, com SSS apresentando uma alta de 8,5%. A receita líquida de vestuário da C&A (CEAB3) deve registrar um crescimento de cerca de 4% ao ano, complementada por um SSS de vestuário crescendo 3% anualmente.
Cenário do E-commerce
No quesito e-commerce, as histórias de crescimento mostram uma divergência significativa no setor. O Mercado Livre (MELI34) se apresenta como um líder claro em termos de crescimento, com um volume interno bruto de mercadorias que cresceu 33% ao ano, e um crescimento de 31% no Brasil, em real. No entanto, essa situação vem acompanhada de uma diluição relevante das margens devido à necessidade de manter reinvestimentos contínuos.
Enquanto isso, Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) apresentam tendências variadas, equilibrando uma demanda online fraca com uma resiliência em suas lojas físicas. O BTG observa que vencedores estruturais como Smart Fit (SMFT3), Track & Field (TFCO4) e Vivara (VIVA3) continuam apresentando crescimento significativo a taxas de dois dígitos, mesmo enfrentando uma pressão temporária sobre suas margens.
Posicionamento no Varejo
Os analistas do BTG Pactual indicam uma preferência por empresas de alta qualidade que demonstram um crescimento consistente, aliadas a vetores claros de expansão e um forte histórico de execução. Entre essas empresas destacam-se os varejistas farmacêuticos, Smart Fit e marcas de vestuário de alto padrão como Track & Field e C&A.
O BTG mantém uma abordagem cautelosa em relação a empresas que são cíclicas e alavancadas, na medida em que a visibilidade nestas continua sendo limitada, o que pode gerar incertezas no desempenho futuro dessas organizações.
Fonte: www.moneytimes.com.br