Cabo Daciolo aposta em carisma e fé na nova campanha à presidência da República

Cabo Daciolo aposta em carisma e fé na nova campanha à presidência da República

by Ricardo Almeida
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Pré-candidato à Presidência da República

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, mais conhecido como Cabo Daciolo, é um ex-deputado federal e ex-bombeiro que se tornou uma figura intrigante da política brasileira. Ele começou sua trajetória política ao participar de uma greve no Rio de Janeiro, foi acolhido por setores da esquerda, passou pelo Congresso Nacional e se destacou na eleição presidencial de 2018 com uma campanha pautada em fé e uma linguagem religiosa.

Naquele pleito, Daciolo obteve 1,3 milhão de votos, alcançando o sexto lugar, o que o fez deixar de ser visto como uma figura marginal e adquirir um espaço na política brasileira. Sua mobilização político-religiosa se afastou do sistema político tradicional. Para as eleições de 2026, ele se lançou como pré-candidato ao Senado pelo Solidariedade, mas depois mudou-se para o Mobiliza, antigo PMN, em busca da presidência.

Da Greve à Câmara dos Deputados

A trajetória de Daciolo teve início em 2011, quando liderou um movimento de bombeiros no Rio de Janeiro em busca de melhorias nos salários e nas condições de trabalho. Sua ocupação de instalações militares, ato considerado ilegal para a categoria, resultou em sua prisão e expulsão da corporação em 2012.

Após ser absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência de uma anistia a bombeiros e policiais envolvidos em greves no período, Daciolo redefiniu seu caminho. A pauta trabalhista que defendeu adquiriu uma nova dimensão política, fazendo dele um símbolo de resistência ao Estado e dando origem a uma narrativa de perseguição institucional que permeou sua comunicação nos anos subsequentes.

Filiado ao PSOL, partido de esquerda, foi eleito deputado federal em 2014 com o apoio de movimentos de base, além do capital político conquistado nas ruas. Contudo, a permissão na legenda foi efêmera. Em 2015, ele se desentendeu com o PSOL devido a declarações e posicionamentos considerados incompatíveis com a linha partidária, notadamente sua defesa pública de policiais em casos de grande notoriedade.

A expulsão do partido representou uma mudança em sua ideologia, levando-o a migrar para o antigo PTdoB, onde adotou uma postura política de direita, embora tenha continuado a criticar políticos desse espectro.

Durante seu tempo no Congresso, Daciolo formulou propostas que provocaram reações no meio jurídico, como sua tentativa de inserir uma referência a Deus na Constituição. Especialistas em direito constitucional argumentaram que essa proposta confronta o princípio do Estado laico e suscita um debate acerca dos limites da atuação parlamentar.

Linguagem Bíblica e Comunicação Alternativa

No ano de 2018, já filiado ao Patriota, Daciolo centralizou sua campanha presidencial na religião, sendo lembrado pela expressão “Glória a Deus”, frequentemente proferida durante a sua campanha, sempre com seu característico sotaque carioca. Ele estruturou uma estratégia de comunicação com baixo custo, mas de elevado engajamento.

Apostou em transmissões ao vivo, usou uma linguagem espiritual e fez referências constantes a profecias, missões divinas e intervenções religiosas na política. Com gastos de apenas R$ 808,92 informados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele conseguiu superar figuras proeminentes da política, como Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB).

De acordo com especialistas em ciência política, esse modelo ampliou seu alcance em segmentos evangélicos e nas periferias urbanas, apresentando forte tração digital. No entanto, essa estratégia limitou sua penetração entre eleitores moderados e no centro político.

Durante o segundo turno da eleição, Daciolo não se posicionou a favor de Jair Bolsonaro, que foi eleito, nem de Fernando Haddad, mas expressou que sua “aliança era com Jesus”.

Atuação e Perspectivas Futuras

No ano de 2022, Daciolo se lançou novamente como pré-candidato à presidência, mas abandonou a disputa, alegando ter recebido uma “ordem de Deus”, e manifestou apoio a Ciro Gomes, então candidato pelo PDT.

Na referida eleição, Daciolo tentou conquistar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro, obtendo a quinta colocação com 285.037 votos, enquanto Romário (PL) foi reeleito com impressionantes 2,384 milhões de votos. Retornando a sua missão de se tornar presidente do Brasil, Daciolo tem mantido uma presença ativa nas redes sociais e em ambientes conservadores, atuando como influenciador.

Sua comunicação mantém-se ancorada em críticas ao sistema político, além de interpretações espiritualizadas da atual conjuntura, que incluem comentários sobre a administração do presidente Lula e sobre o ex-presidente Bolsonaro, que atualmente se encontra sob prisão domiciliar.

Recentemente, nas pesquisas divulgadas que incluem seu nome, Daciolo aparece entre os últimos nas preferências dos entrevistados. Isso indica que o ex-cabo, que ganhou notoriedade ao desafiar os militares, enfrentará um árduo caminho para almejar a presidência a partir de janeiro de 2027.

* Sob supervisão de Gustavo Porto

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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