Ibovespa e o Cenário Atual
O Ibovespa não conseguiu manter o impulso do recorde histórico alcançado no dia anterior e encerrou a quinta-feira com uma leve queda de 0,12%, situando-se em 158,3 mil pontos. Este resultado foi uma reação modesta, quase um suspiro, após atingir o pico.
Impacto do Cenário Doméstico
Com as bolsas de valores americanas fechadas em razão do feriado de Ação de Graças, a atenção do mercado brasileiro voltou-se inteiramente para o cenário interno. O destaque foi o desempenho do Caged, que apresentou um resultado mais fraco do que o esperado. O Brasil gerou 85.147 vagas formais em outubro, o que representa o pior resultado registrado para o mês desde o início da coleta de dados, em 2020. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, aproveitou a oportunidade para afirmar, durante uma coletiva de imprensa, que os números indicam que a taxa Selic “já passou da hora” de ser reduzida.
Análise de Especialistas
No programa Mercado da quinta-feira, o economista Alex Agostini já havia alertado sobre a situação do mercado de trabalho, especialmente ao se considerar propostas de mudanças como a redução da jornada de trabalho. Segundo ele, “o Brasil não tem ganho real de produtividade, convive com apagões de mão de obra e expande programas sociais sem garantir capacitação profissional”. Essa afirmativa sugere que responsabilizar apenas o Banco Central não resolve as questões estruturais do mercado, e os dados de emprego refletem essa problemática mês após mês.
A Reação do Banco Central
Entretanto, aqueles que esperavam que os números do Caged sensibilizassem o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estavam equivocados. Em um evento realizado na tarde de ontem em São Paulo, o governador do BC foi claro e direto: “Não tem nenhum dado específico que tenha mudado a nossa direção”. Ele ainda afirmou que o país caminha, “mas não tão rápido quanto eu gostaria” e enfatizou que crescimento sem desenvolvimento não é suficiente. Assim, a Selic, atualmente em 15% ao ano, permanece estável. A política monetária, segundo Galípolo, “está no caminho certo”, e o Copom não tem a intenção de reagir rapidamente às pressões do governo.
Expectativas para o Mercado
Com isso, o mercado inicia a sexta-feira tentando discernir quem terá mais influência: na política, o governo Lula ou o Congresso, que se encontra em um embate; na economia, o desaquecimento do emprego, a pressão do ministro ou a resistência do Banco Central, que até o momento mantém sua posição.
Fonte: veja.abril.com.br


