Votação na Câmara pede liberação de arquivos sobre Jeffrey Epstein
Aprovação do projeto de lei
Na terça-feira, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votou quase de forma unânime para exigir que o Departamento de Justiça libere todos os arquivos relacionados ao notório agressor sexual Jeffrey Epstein. Essa ação ocorre dois dias após o ex-presidente Donald Trump ter revogado de forma súbita sua oposição ao projeto bipartidário.
O projeto, apresentado pelos representantes Thomas Massie (R-Ky.) e Ro Khanna (D-Calif.), foi aprovado com um placar de 427 a 1. Agora, o texto segue para o Senado, onde o líder da minoria, Chuck Schumer (D-N.Y.), solicitou que a proposta seja aprovada "o mais rápido possível" e sem emendas.
Expectativa de votação no Senado
O líder da maioria no Senado, John Thune (R-S.D.), informou aos repórteres após a votação na Câmara que espera que o projeto avance "relativamente rápido". Ele destacou que Trump sinalizou estar preparado para sancionar a proposta se ela passar no Senado.
O representante Clay Higgins (R-La.), o único membro da Câmara a votar contra a legislação, fez uma publicação na rede social X logo após a votação, afirmando que sempre foi um "não" principiado ao projeto. Ele expressou preocupação de que, se promulgado na forma atual, a ampla divulgação de arquivos de investigação criminal poderia trazer danos a pessoas inocentes.
Mudanças na posição de Trump
O movimento para a liberação dos arquivos de Epstein enfrentou oposição de vários legisladores republicanos, seguindo a orientação de Trump, que, durante seu governo, havia advertido que apoiar essa iniciativa seria considerado um "ato hostil". Contudo, em uma mudança significativa no domingo à noite, Trump incentivou os republicanos da Câmara a votarem a favor do projeto.
Embora Trump tenha alterado sua posição, ele continuou a criticar a atenção constante dos meios de comunicação e do Congresso sobre Epstein. Em uma coletiva de imprensa na tarde de terça-feira, quando questionado pela repórter Mary Bruce, da ABC News, sobre os arquivos de Epstein, ele reagiu de maneira agressiva, desqualificando-a repetidamente e pedindo que a licença de transmissão da ABC fosse revogada.
Trump reiterou que a questão Epstein é uma "farsa dos democratas" com o intuito de evitar que ele fale sobre as realizações de sua administração.
Funcionamento do processo legislativo
Uma petição de desligamento que forçaria uma votação sobre o projeto foi atrasada por semanas, já que o presidente da Câmara, Mike Johnson (R-La.), manteve os representantes fora de sessão durante o fechamento do governo. A ausência prolongada também levou ao atraso na posse da representante democrata Adelita Grijalva, do Arizona, a última assinatura necessária para avançar a petição.
O fechamento do governo terminou na quarta-feira anterior, e Grijalva, após ser empossada, assinou a petição de desligamento. No entanto, com a pressão aumentando, Johnson anunciou que traria o projeto sobre os arquivos de Epstein para votação antes do esperado.
Reações de sobreviventes
"Hoje, estamos em um momento que decidirá se nosso governo ainda pertence ao povo americano ou àqueles que dele se aproveitam", afirmou uma sobrevivente dos abusos de Epstein em uma coletiva de imprensa com outros, em frente ao Capitólio dos Estados Unidos, na manhã de terça-feira.
As sobreviventes estavam acompanhadas de Massie, Khanna e da representante republicana Marjorie Taylor Greene, da Geórgia, que tem sido uma leal apoiadora de Trump, mas recentemente se tornou uma de suas críticas. Greene mencionou que Trump a chamou de traidora por estar ao lado das mulheres e se recusar a retirar seu nome da petição de desligamento.
"Hoje, vocês vão ver, provavelmente, uma votação unânime na Câmara para liberar os arquivos de Epstein. Mas a verdadeira luta ocorrerá depois disso", disse ela.
Críticas ao discurso de Johnson
Mais tarde na manhã de terça-feira, Johnson anunciou que votaria a favor do projeto, o qual ele reconheceu poderia receber apoio unânime. Entretanto, ele acusou os democratas de "forçar uma votação política de espetáculo sobre os arquivos de Epstein" e expôs suas preocupações em relação à petição de desligamento.
Uma de suas críticas consistia no temor de que as vítimas de Epstein não fossem adequadamente protegidas. Massie, questionado sobre a posição de Johnson, classificou-a como uma "distração".
"O legado dos sobreviventes sempre foi a favor desta legislação", afirmou Massie, ressaltando que o projeto orienta o Departamento de Justiça a ocultar nomes e informações identificáveis das vítimas.
Posições divergentes de Trump
Trump, que foi amigo de Epstein, mas teve um rompimento com ele anos atrás, afirmou em sua campanha que apoiaria a liberação dos arquivos do governo referentes às investigações sobre o rico e bem relacionado financeirista. Epstein faleceu na prisão em 2019 enquanto enfrentava acusações federais de tráfico sexual.
Entretanto, o Departamento de Justiça, em um memorando datado de 6 de julho, alegou ter feito uma "revisão exaustiva" sobre assuntos relacionados a Epstein e concluiu que "não haveria mais divulgações apropriadas ou justificadas".
Essa determinação, juntamente com a insistência repetida de Trump de que o foco em Epstein representa uma "farsa" democrata, gerou indignação em diversos setores políticos, incluindo entre alguns dos apoiadores de Trump.
Na semana passada, o Comitê de Supervisão da Câmara liberou milhares de documentos da propriedade de Epstein, incluindo e-mails que parecem mostrar Epstein discutindo Trump.
Atualizações em andamento
Esta é uma notícia em desenvolvimento. Mantenha-se atualizado para novas informações.
Fonte: www.cnbc.com