Aprovação das Tarifas no México
A Câmara dos Deputados do México aprovou, na quarta-feira (10), tarifas que podem chegar a até 50% para o ano seguinte sobre importações provenientes da China e de outros países asiáticos. Essa medida tem como principal objetivo estimular a produção nacional e corrigir desequilíbrios comerciais existentes.
Com 281 votos favoráveis, 24 contrários e 149 abstenções, o projeto de lei foi aprovado na Câmara, mas ainda depende da validação do Senado, mesmo diante da oposição expressa da China e de diversos grupos empresariais no país.
Detalhes da Proposta
A proposta estabelece a aplicação ou o aumento de tarifas, em sua maioria limitadas a 35%, ao longo do ano de 2026 sobre produtos como automóveis, autopeças, têxteis, vestuário, plásticos e aço. Esses produtos são originários da China e de outros países asiáticos que não mantêm acordos comerciais com o México, incluindo Índia, Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia.
O Ministério da Economia do México apresentou essa proposta em setembro, encontrando dificuldades para conseguir apoio amplo, apesar da predominância do partido Morena no Congresso.
Segundo o governo da presidente Claudia Sheinbaum, a iniciativa tem o objetivo de fortalecer a produção local e corrigir os desequilíbrios comerciais com a China. Vale ressaltar que o projeto de lei já aprovado apresenta maior flexibilidade em relação à versão original, a qual ficou paralisada devido à forte resistência da China.
Motivos por Trás da Medida
Analistas do setor e representantes do mercado privado sustentam que a medida também busca apaziguar a relação entre o México e os Estados Unidos, à medida que se aproxima a próxima revisão do acordo de livre comércio entre os países, conhecido como USMCA, que envolve também o Canadá. Além disso, estima-se que essa nova legislação pode gerar uma receita adicional de aproximadamente US$ 3,76 bilhões em 2026, num momento em que o México procura reduzir seu déficit fiscal.
A deputada Claudia Selene Avila, que representa o partido Morena, manifestou durante a sessão da Câmara dos Deputados que as reformas tarifárias não terão efeitos significativos sobre a inflação no país.
Possíveis Consequências no Setor Automotivo e Comercial
O setor automotivo mexicano, reconhecido como um dos mais significativos no mundo, expressou preocupações sobre o impacto dessas tarifas, alertando que a medida pode limitar o acesso a componentes importados essenciais, como telas para painéis digitais que são cruciais para a produção de veículos modernos.
Na semana anterior à aprovação, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, posicionou-se contra a ideia de que o Canadá e o México sirvam como meras plataformas de exportação para produtos originários de países como China, Vietnã, Indonésia e outros grandes países fabricantes.
Além disso, a proposta de tarifas também afetaria a Índia, um dos parceiros comerciais que mais cresce na relação com o México. A implementação dessas novas tarifas poderá, portanto, trazer consequências consideráveis para a dinâmica comercial entre essas nações.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

