Expectativas para o Câmbio e a Inflação em 2026
Câmbio e Inflação de Alimentos
O câmbio, que no ano passado contribuiu para moderar os preços da inflação de alimentos e bens industriais, não deverá ter o mesmo efeito benéfico em 2026, conforme análises de economistas consultados pelo Money Times.
Impacto da Importação
A produção de determinados itens, que depende da importação de insumos provenientes da China e dos Estados Unidos, pode se beneficiar de um câmbio mais baixo, ajudando a moderar os preços dos bens industriais. O grupo de bens industriais deve permanecer abaixo do limite de 4% no acumulado dos últimos 12 meses, mesmo diante da pressão nos preços gerada pela volatilidade do petróleo. Contudo, há a expectativa de um avanço em torno de 1 ponto percentual na comparação anual, após um aumento de 2,36% em 2025.
Cenário do IPCA
Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o panorama é diferente: os economistas preveem que o índice ultrapassará o teto da meta inflacionária, ficando acima de 4,5%.
Influência da China nos Bens Industriais
O economista Matheus Pizzani, do PicPay, sugere que fatores como a redução da exportação de deflação pela China – evidenciada pelo avanço do índice de preços ao produtor (PPI) em abril (2,8%) e em março (0,5%) após 41 semanas de quedas – devem impactar negativamente os bens industriais.
Desvalorização do Dólar
Neste ano, o dólar apresenta uma desvalorização acumulada de 8,17% em relação ao real, estabelecendo-se na faixa dos R$ 5. Entretanto, Pizzani aponta que a flutuação cambial oferece pouca margem para que o IPCA de 2026 sofra influências positivas, em decorrência da alta dos preços do petróleo. Ele observa que uma depreciação substancial do real seria necessária, com o dólar valendo R$ 3, para possibilitar um alívio na inflação. Além disso, o custo de produção já está comprometido por elevados preços de logística e insumos.
Projeções de Alta do IPCA
O cenário base projetado pelo PicPay indica uma alta de 4,7% para o IPCA, com a possibilidade desta previsão ser revisada para cima.
Valorização do Câmbio
Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, antecipa que a valorização do câmbio não se refletirá significativamente nos preços e destaca que, por exemplo, os insumos plásticos apresentaram um aumento de 33% nas últimas medições do Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas. Segundo as estimativas de Angelo, o câmbio poderia proporcionar uma contribuição modesta de cerca de 0,10 a 0,12 ponto percentual no IPCA, ressaltando que "não deve haver uma grande interferência".
Riscos em Bens Industriais
Existem riscos altistas para os bens industriais, relacionados à guerra entre Estados Unidos e Irã. Um estudo conduzido pela Warren aponta que 40% do impacto total desse conflito deverá atingir os bens industriais. A previsão para a inflação de bens industriais, conforme a análise da Warren, é de 3,5% para o ano, superando o centro da meta inflacionária do Banco Central. Para o IPCA, espera-se um incremento de 4,9%.
Projeções da 4intelligence
Fábio Romão, economista sênior da 4intelligence, diz que o câmbio deve atuar mais como um mitigador do que como um impeditivo à aceleração do grupo de bens industriais. Ele projeta uma alta de 3,3% para os bens industriais e de 5,2% para o IPCA em 2026.
Considerações Finais sobre o Cenário Econômico
Mesmo considerando um câmbio médio de R$ 5,20 para o presente ano, Romão acredita que o cenário atual está repleto de desafios e incertezas, que dificultam a expectativa de um auxílio significativo por parte do câmbio neste momento.
Fonte: www.moneytimes.com.br


