Caminhoneiros em greve se preparam para encontro com o governo

Assembleia em Santos Decide Manutenção do Estado de Greve

Horas após a assembleia realizada em Santos, São Paulo, onde se decidiu não iniciar uma paralisação nacional imediata, entidades que representam os caminhoneiros reiteraram seu apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026 e confirmaram a continuidade do estado de greve enquanto as negociações com o governo federal prosseguem. A decisão, que aconteceu na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), adiou uma nova avaliação sobre a possibilidade de uma paralisação para a próxima semana.

Expectativas em Relação ao Governo

José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), ressaltou que o estado de greve continua ativo. Ele afirmou que a maioria dos participantes da assembleia mostrou interesse em realizar uma paralisação, mas decidiu aguardar mais sete dias para verificar as respostas do governo. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, declarou.

Nota da CNTTL sobre a Paralisação

Em um comunicado divulgado à noite, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) comunicou que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa”. Essa decisão foi atribuída à recente publicação da MP nº 1.343/2026. Paulo João Estausia, conhecido como Paulinho do Transporte e presidente da entidade, afirmou que os caminhoneiros demonstraram “maturidade, responsabilidade e coerência” ao optar por não parar neste momento. A confederação também informou que seguirá negociando com o governo outras demandas da categoria, que poderão ser apresentadas através de emendas à medida provisória.

Declaração da Abrava e Condições de Suspensão

A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também lançou uma nota afirmando que a greve geral está suspensa até que ocorra uma nova reunião com o governo na próxima semana. A entidade condicionou essa suspensão ao progresso nas negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes, vinculado às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março, que abordavam temas relacionados ao diesel, frete e à fiscalização do piso mínimo.

Importância das Regras da Medida Provisória

Durante a assembleia, Luciano Santos de Carvalho, presidente do Sindicam, enfatizou a relevância das regras estabelecidas na medida provisória. Ele afirmou: “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se o diesel aumentar, agora com as regras dessa MP, o frete também subirá”.

Detalhes da Medida Provisória nº 1.343/2026

Publicada em uma edição extra do Diário Oficial da União, a Medida Provisória nº 1.343/2026 determina a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte utilizando o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Essa medida visa ampliar a capacidade de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), permitindo que sejam realizados cruzamentos entre os valores pagos e o piso mínimo do frete rodoviário.

O texto da medida estabelece multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que não seguirem a tabela, além de sanções mais severas em caso de reincidência, como a suspensão ou cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) por até dois anos. Adicionalmente, o governo também divulgou o Decreto nº 12.883/2026, o qual delineia diretrizes para o preço de referência do diesel.

Situação em Santa Catarina

No estado de Santa Catarina, onde caminhoneiros vinculados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) haviam anunciado a intenção de realizar uma paralisação, a mobilização do movimento foi desfeita após uma decisão judicial. A Justiça Federal proibiu bloqueios em rodovias estratégicas e acessos portuários, estipulando multas para casos de descumprimento.

Impactos da Suspensão da Paralisação

Do ponto de vista mercadológico, a suspensão temporária da paralisação ameniza riscos imediatos de rupturas logísticas no Brasil, o que poderia afetar negativamente cadeias de abastecimento, inflação e ativos sensíveis ao transporte rodoviário, abrangendo empresas dos setores de varejo e agronegócio. Por outro lado, a manutenção do estado de greve suscita um considerável nível de incerteza, especialmente em relação às expectativas de curto prazo sobre combustíveis e custos de frete. Isso pode ter um impacto indireto sobre o câmbio e a curva de juros.

Fonte: br.-.com

Related posts

Como investir diante do novo cenário de taxas de juros?

Ata do Copom e prévia da inflação podem alterar previsões para a Selic; conheça os indicadores desta semana

Período de Declaração Começa Amanhã (23); Confira Prazo e Datas de Restituição

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais