O ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou, em um evento com líderes empresariais na França, que há espaço para a redução da taxa de juros no Brasil em um “futuro próximo”. A declaração ocorreu durante o LIDE Brasil França Fórum, que reuniu empresários e autoridades para discutir a cooperação bilateral, oportunidades de investimento e o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e França.
### Possibilidade de Corte de Juros
Campos Neto declarou: “A gente acredita que em algum momento vai abrir espaço. Algum momento no futuro recente, no futuro próximo, vai abrir espaço para uma queda de juros.”
Ele destacou que, embora exista a possibilidade de um corte na taxa de juros, é fundamental abordar a questão fiscal para que a Selic possa chegar a um dígito. “Para ter uma queda de juros que faça diferença em termos de produtividade e de planejamento de longo prazo, a gente precisaria ter um juro no Brasil de um dígito. E para ter os juros no Brasil de um dígito, a gente vai precisar trabalhar fortemente em um choque positivo na área fiscal”, enfatizou.
### Situação da Inflação
O ex-presidente do BC reforçou que a inflação brasileira “tem melhorado na margem” e elogiou as ações da atual gestão do Banco Central. Contudo, ele alertou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continua bem acima da meta oficial. Em outubro, o IPCA registrou uma taxa de 0,09%, alcançando o menor índice em 27 anos para o mês. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação subiu 4,68%, mantendo-se acima do intervalo da meta do Banco Central, que é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
### Perspectiva da Atividade Econômica
Sobre a atividade econômica do Brasil, Campos Neto mencionou que a expectativa é de uma desaceleração no terceiro trimestre. Ele observou que o desemprego está em um nível muito baixo, mas expressou preocupação de que essa condição possa resultar em pressões inflacionárias no país.
### Desafios Globais
#### Fraquezas Institucionais
Em relação à economia global, Campos Neto enumerou os desafios atuais, incluindo a fraqueza nas instituições dos países, a insegurança e o elevado nível de endividamento. Ele mencionou que existe uma “nova ordem global” que deve ser enfrentada. “Há uma grande polarização política, e a importância das redes sociais tem gerado uma erosão nas instituições em grande parte dos países. Isso eleva o custo do dinheiro, a insegurança, e, no final das contas, também eleva o prêmio de risco dos países”, afirmou.
#### Dissonância entre Políticas
Além disso, Campos Neto, que atualmente ocupa o cargo de vice-presidente global de políticas públicas do Nubank, apontou uma desarmonia entre a política monetária e fiscal em diversas regiões do mundo. “Temos, pela primeira vez, uma dissonância entre a política monetária e fiscal em vários países do mundo. Em muitas regiões, não conseguimos reverter os programas de incentivo implementados durante a pandemia, mas em algumas áreas observamos a queda das taxas de juros, mesmo com a política fiscal ainda expansiva”, explicou.
#### Aumento da Carga Tributária
Ele acrescentou que há um grande esquema de política de transferência que não foi descontinuado desde a pandemia. Com o aumento do endividamento global, a consequência é um significativo crescimento da carga tributária, que está concentrada no capital.
O discurso de Campos Neto no evento reflete as preocupações atuais e os desafios que as economias enfrentam tanto no contexto nacional quanto no internacional, fazendo um chamado à atenção para a necessidade de reformas e ajustes nas políticas fiscal e monetária.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


