A Viridis Mining & Minerals e o Projeto Colossus
A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals anunciou nesta terça-feira, dia 18, que o Projeto Colossus, situado em Minas Gerais e rico em reservas de terras raras, obteve uma carta de interesse para financiamento do Export Development Canada, uma agência de crédito à exportação do governo canadense.
Detalhes do Financiamento
De acordo com um fato relevante publicado pela empresa, o financiamento pode alcançar até US$ 100 milhões, valor que será utilizado para o desenvolvimento do projeto. O empreendimento passará agora por uma etapa de due diligence, que compreende análises técnicas, financeiras e de crédito, conduzidas pelo próprio governo canadense, antes da aprovação formal do financiamento.
A Viridis destacou que “o endosso de uma das mais respeitadas agências de crédito à exportação do mundo tem potencial para fortalecer o papel do projeto na diversificação e segurança das cadeias ocidentais de suprimento de terras raras.”
Financiamento e Parcerias Internacionais
O anúncio do financiamento acontece duas semanas após a consideração do projeto como elegível para financiamento da Bpifrance Assurance Export, que é a agência de crédito à exportação do governo francês. Essa agência atua como o braço financeiro do governo francês, destinado a apoiar empresas e projetos considerados estratégicos para o país, oferecendo garantias, empréstimos e seguros de crédito à exportação.
No contexto do Projeto Colossus, ele foi incluído no programa “Garantie de Prêt Stratégique” (Garantia de Empréstimo Estratégico, em português), que oferece garantias soberanas parciais sobre financiamentos bancários de iniciativas classificadas como de interesse nacional e geopolítico para a França e seus aliados.
Reservas e Suporte Financeiro
O Projeto Colossus abriga reservas de argilas iônicas que são ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio. O projeto já conta com apoio financeiro do BNDES, formalizado em julho de 2025, por meio de um plano conjunto de apoio a projetos relacionados a minerais estratégicos no Brasil. Esse pacote inclui financiamento e linhas de crédito voltadas para pesquisa, inovação e estruturação industrial.
Com esse apoio dos governos do Brasil, Canadá e França, a Viridis espera concluir a decisão final de investimento e dar início às atividades de desenvolvimento do projeto até o terceiro trimestre de 2026.
Cenário de Pesquisa e Processamento
Recentemente, a mineradora também anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas (MG), com a particularidade de não utilizar tecnologia, componentes ou equipamentos provenientes da China. Os recursos obtidos por meio dos financiamentos dos governos da França e do Canadá deverão ser empregados na fase de construção do projeto, além de cobrir etapas burocráticas ligadas à pesquisa e ao licenciamento ambiental.
O centro será localizado no parque industrial de Poços de Caldas, a aproximadamente 7 quilômetros das concessões minerais da Viridis, e servirá como base para a produção experimental de carbonato misto de terras raras. Esta atividade representa uma etapa intermediária na cadeia de extração desses minerais. A previsão para o início das operações é para o segundo trimestre de 2026.
A planta terá a capacidade de processar 100 quilos por hora de minério bruto e funcionará como uma unidade de demonstração, que visa validar parâmetros técnicos, otimizar operações e preparar o desenvolvimento comercial de terras raras. Outro objetivo do centro será gerar amostras de produtos destinadas à qualificação de parceiros de offtake, ou seja, empresas interessadas em firmar contratos para compra antecipada da produção futura.
Contexto Global em Terras Raras
Este anúncio ocorre em um momento em que a China tem ampliado seus controles de exportação sobre as terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos que são essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, veículos elétricos, chips e equipamentos de defesa. Pequim controla mais de 80% do processamento global desses minerais e, em 9 de outubro, aumentou as restrições, exigindo autorização para exportação de qualquer produto que contenha até mesmo traços de terras raras. Há três semanas, em um acordo com os Estados Unidos, os chineses reverteram essa decisão.
Essas medidas geraram alertas em vários países ocidentais e intensificaram a busca por fornecedores alternativos, como o Brasil. A decisão da Viridis de excluir completamente insumos e tecnologia da China foi qualificada como “estratégica”.
Segundo a mineradora, essa abordagem tem como principal objetivo evitar riscos de dependência e solidificar o Projeto Colossus, que está localizado no sul de Minas Gerais, como um fornecedor ocidental dentro da cadeia de minerais críticos.
A empresa afirma que essa postura proativa garante que a Viridis não fique exposta a possíveis atrasos, restrições ou riscos de dependência, oriundos dos novos controles de exportação. Assim, o Projeto Colossus se posiciona como um dos poucos empreendimentos de terras raras alinhados ao ocidente, capaz de avançar de forma independente da cadeia de suprimentos chinesa.
Atualmente, a prioridade principal da empresa é o licenciamento ambiental. O estudo e relatório de impacto ambiental foi apresentado em janeiro de 2025, e as expectativas são de que a licença prévia seja concedida em breve.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br