Casas Bahia (BHIA3) abandona ‘modo de sobrevivência’ e projeta geração de caixa e lucro em 2023, revela CFO.

Casas Bahia Avança em Reestruturação

A Casas Bahia (BHIA3) concluiu em 2025 mais um ano do seu processo de reestruturação, deixando para trás o que foi considerado o “modo de sobrevivência”, conforme declarou o diretor financeiro (CFO), Elcio Ito, em uma entrevista ao Money Times.

O executivo ressaltou a trajetória da empresa, que vem aperfeiçoando sua estrutura nos últimos anos, e afirmou que os impactos diretos nas operações devem começar a se tornar mais evidentes ao longo de 2026, trazendo resultados positivos na última linha do balanço da companhia.

“Em termos operacionais, evoluímos na transformação de nossa estrutura de capital. Acredito que esse foi o grande evento do trimestre. Transcendemos uma fase anterior e agora nos concentramos em questões relacionadas ao caixa, à rentabilidade e ao lucro líquido. […] O caixa e o lucro vão se concretizar”, declarou Ito.

No contexto atual, a expectativa de queda da taxa Selic é um fator que pode beneficiar os planos da empresa. “Desde agosto de 2023, quando lançamos o plano de reestruturação, enfrentamos apenas ventos contrários no cenário macroeconômico. Mesmo assim, observamos evolução nos resultados operacionais ao longo dos trimestres e uma transformação do balanço”, afirmou Ito. “Cumprimos uma jornada importante de nove trimestres em meio a dificuldades. Portanto, qualquer evento favorável irá nos beneficiar significativamente.”

Controle das Despesas Financeiras

Para alcançar os objetivos de geração de caixa e lucro, o CFO da Casas Bahia mencionou três alavancas principais: redução das despesas financeiras, alavancagem comercial voltada para o crescimento e incremento da rentabilidade.

A melhoria nas despesas financeiras é um dos pontos centrais na busca pelo lucro líquido, segundo Ito. “Em diversas linhas de crédito, já observamos uma redução significativa de custos. Baixamos a taxa de 150% para 125% do CDI, além de transformar uma linha de crédito de curto prazo em uma de longo prazo.”

Conforme o executivo, após as ações implementadas no ano anterior, os efeitos deverão começar a ser refletidos nas demonstrações financeiras a partir deste primeiro trimestre. Contudo, essa melhoria não será repentina, mas sim gradual ao longo do ano.

O ponto de partida já está estabelecido, caracterizado por um balanço com menor alavancagem. “É uma questão de risco-retorno. Quanto maior o risco, maior será o custo. Quanto menor o risco, menor será o spread de crédito. Portanto, essa situação está se desenrolando de forma contínua”, ponderou Ito.

Para auxiliar nesse processo, a venda de ativos da financeira FIC já foi realizada, resultando em um aporte de R$ 265 milhões que deve ser disponibilizado nos próximos meses, contribuindo para a redução da dívida da companhia.

Busca por Rentabilidade

A companhia também visa aumentar seus resultados monetários nominais, consolidando-se cada vez mais como o maior player 1P (com estoque próprio) do Brasil. “Registramos um crescimento robusto nas vendas online no último trimestre, o que também favorece a escala e a alavancagem comercial da companhia para continuar sua trajetória de crescimento”, comentou Ito.

O terceiro pilar fundamental mencionado pelo executivo é o impulsionamento da rentabilidade. “Nossos recursos provêm principalmente do crediário e de serviços. A nossa estratégia é rentabilizar todo o ecossistema, o que abrange também o crediário, que é central para a companhia. O crediário facilita o aumento das vendas.”

De acordo com Ito, a penetração do crediário online, que anteriormente ficava entre 1% e 3%, atualmente alcança 9%, enquanto nas lojas físicas essa taxa supera os 26%. O objetivo da companhia é incrementar a penetração nos dois canais.

“Há uma demanda considerável por crédito ao consumidor, mas, considerando o ambiente macroeconômico, optamos por uma abordagem mais cautelosa na concessão de crédito”, observou o executivo.

Com a redução da Selic, a Casas Bahia lida com cerca de R$ 170 milhões a menos em despesas com juros, conforme afirmou o CFO. Contudo, Ito reconhece que a influência de juros mais baixos na companhia é ainda mais abrangente que esse número.

“A diminuição dos juros afeta a demanda, assim como a parte superior do resultado financeiro. Isso repercute na quantidade de crediário concedido e na inadimplência associada. Portanto, a Selic impacta diretamente toda a minha demonstração de resultados, seja de forma positiva ou negativa, dependendo do caminho que os juros tomarem”, completou Ito.

Recentemente, após um extenso período em que a taxa básica de juros (Selic) permaneceu em 15% ao ano, houve uma redução de 0,25 ponto percentual. Além disso, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou a possibilidade de continuidade na redução das taxas de juros, um benefício que deve ser gradualmente aproveitado pela empresa.

A Casas Bahia, no entanto, enfatiza que não está totalmente dependente da queda dos juros para alcançar seus objetivos. “Não estamos aguardando ou contando com esse movimento do Banco Central para chegarmos a um campo de lucro ou fluxo de caixa positivo. Isso é muito mais influenciado pela nossa execução interna”, declarou Ito.

Foco na Loja Física e Crescimento no E-commerce

Um dos principais aspectos da reorganização da Casas Bahia foi a concentração em categorias onde a empresa já possui força, como bens duráveis e eletrodomésticos. Nesse contexto, a loja física continua sendo considerada uma fortaleza essencial para o negócio.

Entretanto, o foco no formato físico não diminui a presença da varejista no e-commerce. Recentemente, a companhia anunciou uma parceria com a Amazon para a venda de seus produtos. Em outubro de 2025, a empresa já havia estabelecido uma parceria similar com o Mercado Livre (MELI34).

Conforme relatou o executivo, a presença da varejista no Mercado Livre aumentou o tráfego para o site oficial da Casas Bahia, resultante da comparação de preços entre as duas plataformas. Ito destacou que esses canais de venda oferecem um maior controle sobre preços e condições de pagamento, ampliando as opções para os consumidores.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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