Tragédia em Crans-Montana: Incêndio durante Festa de Réveillon
Descrição do Incidente
Nas primeiras horas da manhã de quinta-feira, em Crans-Montana, uma elegante estação de esqui na Suíça, ocorreu um incêndio devastador em um bar durante uma festa de Réveillon, resultando na morte de dezenas de pessoas e cerca de 100 feridos, a maioria com gravidade. O fogo teve início às 1h30 (hora local), no bar denominado "Le Constellation", e, de acordo com relatos de moradores locais, o estabelecimento era bastante frequentado por adolescentes. A causa do incêndio, que inicialmente foi reportado como uma explosão, ainda não está clara, mas as autoridades indicaram que aparenta ser um acidente, em vez de um ataque.
Informações das Autoridades
A polícia suíça informou que "dezenas" de pessoas são dadas como presumidamente mortas, com cerca de 100 feridos. O Ministério das Relações Exteriores da Itália afirmou que informações da polícia suíça indicavam aproximadamente 40 óbitos, porém, as autoridades suíças não se pronunciaram com um número específico.
Testemunhos de Sobreviventes
Samuel Rapp, um jovem local de 21 anos, que presenciou as consequências do incêndio, descreveu a cena aterrorizante: "Havia pessoas gritando, e então pessoas caídas no chão, provavelmente mortas. Eles estavam com jaquetas sobre os rostos—isso é o que eu vi, nada mais."
Imagens de vídeo mostraram longas filas de ambulâncias e helicópteros pousando para transportar vítimas a hospitais e unidades de queimados especializadas em outras cidades suíças.
Duas jovens francesas, que afirmaram estar no bar, contaram à emissora BFM TV que observaram o início do fogo na seção do porão do clube, quando uma garrafa com "velas de aniversário" foi levantada muito perto do teto de madeira. "O fogo se espalhou pelo teto super rápido", comentou uma das mulheres, identificadas como Emma e Albane. Elas conseguiram escapar subindo uma escada estreita para o andar de baixo.
Relatos Contraditórios
BFM TV exibiu um vídeo que mostrava uma garçonete carregando uma garrafa de champanhe com uma “vela de fonte” acesa, corroborando o relato, mas o vídeo não mostrou o momento em que o incêndio começou.
Um vídeo verificado pela Reuters mostrou as chamas se espalhando pelo edifício, enquanto pessoas do lado de fora do clube corriam e gritavam. O embaixador da Itália na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, disse à Sky TG24 que as autoridades locais o informaram que as chamas foram iniciadas por alguém soltando um foguete dentro do bar, que incendiou o teto. Ele estava em Crans-Montana, onde muitos italianos se reuniram em busca de informações sobre parentes ou amigos desaparecidos.
Ele não confirmou a presença de vítimas italianas, embora testemunhas tenham afirmado que muitos dos presentes no bar pareciam ser de outros países.
Tratamento das Vítimas
Testemunhas relataram que os feridos foram tratados em centros de triagem improvisados, estabelecidos em um bar nas proximidades e em uma agência do banco UBS. Muitos sofreram com a transição do calor do bar para o ar congelante da noite. "E então, eram apenas ambulâncias indo e voltando o quanto podiam", descreveu Dominic Dubois, que presenciou as cenas caóticas enquanto os corpos eram retirados.
Um garçom de um restaurante próximo, que optou por não se identificar, relatou que os primeiros socorristas pediram aos funcionários toalhas de mesa para cobrir os corpos, a fim de evitar que fossem vistos por curiosos.
Situação Posterior ao Incêndio
Na manhã de quinta-feira, horas após o incêndio, imagens da rua mostraram a área isolada, com tendas forenses montadas atrás de telas brancas em frente ao bar, um dos muitos em Crans-Montana, que é um centro de esqui conhecido por suas boutiques, hotéis luxuosos e restaurantes.
Karine Spreng, uma residente local, expressou sua preocupação: "Conheço alguém que pode ter estado entre as vítimas e não consigo contatá-la. Estou muito preocupada. Vou tentar entrar em contato com outras pessoas que conhecem essa mulher para ver se ela ainda está viva."
Resposta das Autoridades
O cenário durante o dia, com pequenos grupos de pessoas, algumas em lágrimas ou levando flores, contrastava de forma marcante com a confusão e pânico vividos pelos primeiros socorristas que chegaram ao local quando o alarme foi disparado. "Os primeiros respondentes—os bombeiros e policiais—chegaram a uma cena de caos, a uma cena dramática", afirmou Stephane Ganzer, chefe de segurança do cantão de Valais.
Ele mencionou que algumas das vítimas eram de outros países, e que centenas de profissionais estavam trabalhando na ocorrência, além de uma linha de apoio ter sido aberta para familiares das vítimas. As autoridades indicaram que a tarefa de identificar os corpos, que estavam gravemente queimados, levaria um tempo considerável.
Frederic Gisler, chefe da polícia do cantão, comentou: "Não posso esconder que todos nós estamos abalados pelo que aconteceu durante a noite em Crans. Nossa contagem é de cerca de 100 feridos, a maioria gravemente, e infelizmente dezenas de pessoas são presumidas mortas." Ele acrescentou que os pacientes foram levados para hospitais em Sion, Lausanne, Genebra e Zurique.
Investigação e Indagações
A procuradora local Beatrice Pilloud anunciou que uma investigação completa foi aberta em relação ao incidente no bar, que, segundo registros de empresas suíças, pertencia a um casal francês. "No momento, consideramos isso um incêndio e não estamos considerando a possibilidade de um ataque", afirmou durante uma entrevista coletiva.
Guy Parmelin, presidente da Confederação Suíça, expressou sua surpresa com a gravidade da tragédia, ocorrendo menos de um ano após um incêndio em uma casa noturna na Macedônia do Norte que resultou na morte de 59 pessoas. Ele declarou nas redes sociais: "O que deveria ter sido um momento de alegria se transformou, no primeiro dia do ano em Crans-Montana, em luto que toca todo o país e muito além."
Os ministros das Relações Exteriores da Itália e da Alemanha, assim como de outros países, incluindo os Estados Unidos, expressaram suas condolências, mas não houve confirmação imediata da nacionalidade de quaisquer vítimas.
A procuradora Pilloud também mencionou que as autoridades estavam se esforçando para entregar os corpos das vítimas às suas famílias. "Muitos recursos foram alocados para a identificação das vítimas. Estes recursos destinam-se a permitir que possamos entregar os corpos às famílias o mais rápido possível", afirmou.
Anteriormente, os policiais informaram que muitas pessoas estavam sendo tratadas por queimaduras e que a área havia sido completamente isolada, com uma zona de exclusão aérea imposta sobre Crans-Montana, que deverá sediar o Campeonato Mundial de Esqui Alpino do ano seguinte. As autoridades destacaram o envio de 10 helicópteros e 40 ambulâncias ao local.
Fonte: www.cnbc.com


