Destaque da CerradinhoBio no Setor Sucroenergético
No setor sucroenergético, a empresa CerradinhoBio se destaca pela diversificação de suas operações. A proposta da companhia é otimizar as sinergias entre a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e do milho, buscando potencializar seus resultados financeiros.
Histórico da Empresa
A CerradinhoBio foi fundada em 1974 como uma companhia agrícola. A partir de 2010, a empresa passou por um processo de reinvenção que mudou sua trajetória. No referido ano, a empresa decidiu desinvestir em São Paulo, redirecionando seus investimentos para Goiás e iniciando uma fase de expansão e modernização. Desde então, a companhia tem experimentado um crescimento anual de 16% a 17%.
O CEO Renato Pretti explica: “Nós temos na cana uma diversificação com um mix considerável de açúcar, além da representatividade do milho para o negócio como um todo. É algo ímpar no setor.” Entre 2010 e 2018, a CerradinhoBio atuava principalmente com etanol de cana-de-açúcar e energia. Uma mudança significativa ocorreu em 2015, quando a empresa começou a explorar a possibilidade de investir no etanol de milho, após viagens de executivos aos Estados Unidos.
Inauguração da Planta de Etanol de Milho
Em novembro de 2019, a CerradinhoBio estabeleceu sua primeira planta de etanol de milho, que representa uma virada importante para a companhia, sem deixar de lado a cana. Pretti ressalta: “Nos posicionamos de forma antecipada no mercado de etanol de milho, sendo uma das primeiras empresas dentro do setor energético. A planta começou a gerar caixa, e nós começamos a crescer nesse segmento, de modo que o etanol de milho se tornou o nosso principal negócio.”
A empresa opera unidades industriais em Chapadão do Céu (GO) e Maracaju (MS), mantendo sua sede administrativa em Catanduva (SP).
Unidades e Expansão da Produção
Na unidade de Chapadão do Céu, a CerradinhoBio possui uma fábrica de etanol de cana, uma fábrica de açúcar e uma unidade dedicada à produção de etanol de milho, operada pela sua subsidiária Neomille. Pretti destaca que o modelo de Chapadão do Céu não é uma usina flexível pura, uma vez que a planta de milho funciona durante todo o ano, recebendo apenas suprimentos para vapor e energia, sendo independente em sua operação.
Em Maracaju, há uma unidade de etanol de milho também da Neomille, além de um terminal de transbordo em Chapadão do Sul. Recentemente, a empresa anunciou um investimento de R$ 140 milhões para expandir a indústria de etanol de milho em Chapadão do Sul, o que permitirá aumentar a capacidade de moagem, de 860 mil para 1,2 milhão de toneladas por ano.
Resultados e Desempenho
Durante os seis primeiros meses da safra 2025/2026, a CerradinhoBio produziu 469 mil m³ de etanol. Atualmente, 80% dessa produção é derivada do milho, enquanto os 20% restantes são provenientes da cana-de-açúcar. Pretti comenta: “Estamos satisfeitos com os resultados dos primeiros meses de operação, mas reconhecemos que enfrentaremos desafios em relação aos preços de etanol e açúcar no próximo ano. No entanto, estamos bem preparados para lidar com momentos mais difíceis.”
A CerradinhoBio está registrada na CVM na Categoria A e considerou a possibilidade de realizar um IPO em agosto de 2021, sob a liderança do Itaú BBA. Contudo, em fevereiro de 2022, a companhia decidiu abandonar esse projeto devido à conjuntura de mercado. De acordo com o CEO: “Somos uma empresa de capital aberto sem ações emitidas e, naturalmente, temos a intenção de abrir capital um dia. Estamos indo bem sem o IPO, mas isso está sempre em nosso radar.”
Estrutura Corporativa
Pretti comenta que a CerradinhoBio é totalmente controlada pela família Sanches Fernandes, que também gerencia a Cerradinho Participações. A holding abrange outras empresas, como Cerradinho Terra, Cerradinho Log, W7 Energia e a Neomille, que foca na produção de etanol de milho e na fabricação de DDGs (Grãos Secos de Destilaria).
Relação entre Milho e Cana
O CEO enfatiza que não há uma competição entre os negócios de etanol, pois cada um possui sua estratégia de gestão de risco e vantagens. “A biomassa representa um desafio para a expansão do etanol de milho, que, ao contrário da cana, utiliza essa biomassa para ser autossuficiente na produção. No entanto, os custos da cana são maiores, o que pode mudar conforme a dinâmica de preços do milho,” explica.
O milho compreende entre 70% e 80% do custo do etanol. Neste cenário atual de preços, ele se torna muito mais competitivo em relação à cana. Por outro lado, a cana permite a produção significativa de açúcar, oferecendo maior previsibilidade financeira. Pretti ressalta que a companhia se beneficia ao acelerar investimentos em etanol de milho quando sua remuneração é mais favorável, além de aproveitar momentos com preços altos do açúcar na cana.
Como um dos principais players de etanol de milho, ocupando a terceira posição atrás apenas da Inpasa e FS Bioenergia, a CerradinhoBio se mostra competitiva em termos de custos e possui a capacidade de processar mais de 6 milhões de toneladas de cana, o que contribui para sua competitividade no setor.
Desempenho no Segundo Trimestre de 2026
No segundo trimestre da safra 2025/2026 (2T26), a CerradinhoBio reportou um lucro líquido de R$ 102,52 milhões, um aumento em relação aos R$ 72,31 milhões registrados no mesmo período do ciclo anterior. A moagem total da companhia, que considera tanto a cana-de-açúcar quanto equivalentes em milho, teve uma alta de 1,9%, totalizando 4,27 milhões de toneladas.
No entanto, a produção total de etanol apresentou uma queda de 23,2%, somando 243 milhões de litros em comparação ao segundo trimestre do ano-safra anterior. A produção de açúcar foi de 207 mil toneladas. De acordo com Pretti, neste ciclo, 90% do milho necessário para a produção de etanol já foi adquirido, e para o ciclo 26/27, 15% do total já foi assegurado.
A expectativa para o final da safra 2025/2026 é que a receita líquida aumente 20% em relação ao ciclo anterior, com uma previsão de crescimento de 5% na moagem e na produção de etanol comparado ao mesmo período.
Fonte: www.moneytimes.com.br

