Impact da Guerra EUA-Irã no Comércio Global
Na quinta-feira, 24 de setembro de 2025, o CEO da Maersk, Vincent Clerc, informou à CNBC que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã gerou um "novo alerta" em relação ao comércio global, alertando que o impacto pode se agravar nos meses seguintes.
Pressões de Custo e Aumento nos Preços do Petróleo
Clerc, durante entrevista ao programa "Squawk Box Europe" após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre da Maersk, destacou que a empresa enfrenta pressões de custo intensas que precisarão ser repassadas aos clientes. Ele enfatizou que a indústria é altamente dependente de energia, o que gerou uma nova série de circunstâncias que a empresa precisa enfrentar. Segundo Clerc, isso terá um impacto significativo nos resultados do segundo e do terceiro trimestres.
Com o aumento da tensão no Oriente Médio, os custos do petróleo dispararam, e a incerteza contínua sobre o fechamento do Estreito de Ormuz mantém os preços elevados. Este aumento nos preços do petróleo também gerou preocupações sobre um possível aumento da inflação em diversas economias.
Na quinta-feira, os futuros do petróleo Brent, referência global, apresentaram queda de 2,2%, com preços em torno de US$ 93,01 por barril, impulsionados pela esperança de que Washington e Teerã estejam próximos de um acordo de paz.
Custos Adicionais e Demandas no Consumidor
Clerc informou que o "choque energético" resultará em custos adicionais de aproximadamente US$ 500 milhões por mês enquanto os preços do petróleo se mantiverem próximos de US$ 100 por barril. Ele comentou que, embora existam limites para a redução de custos pela empresa, é imprescindível repassar essas despesas para os clientes, uma vez que o aumento de custos é significativo e a empresa não consegue absorver todo esse ônus.
O CEO levantou a questão de quanto tempo a indústria de transporte marítimo e o consumo poderão se manter resilientes diante deste cenário. Ele expressou preocupações sobre o impacto no nível do consumidor e se o aumento dos custos levará à redução da demanda, questionando como isso poderia reverberar ao longo da cadeia de suprimentos.
Resultados Financeiros da Maersk
A empresa dinamarquesa, considerada um termômetro para o comércio global, reportou ganhos ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de US$ 1,75 bilhão para os primeiros três meses do ano. Este valor representa uma queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas alinhou-se com uma estimativa de consenso compilada pela LSEG.
A receita caiu 2,6% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 13 bilhões, superando as expectativas, que eram de US$ 12,5 bilhões. Essa desaceleração foi atribuída às pressões na divisão Oceano da Maersk, devido à diminuição das taxas de frete e ao aumento dos custos decorrentes de volumes mais altos.
Alterações nas Rotas de Transporte
Cerca de uma semana após o início da guerra, a Maersk suspendeu duas rotas de transporte importantes que conectam o Oriente Médio à Ásia e à Europa, afirmando que a decisão foi tomada para proteger sua equipe e seus navios.
Apesar das tensões, a empresa manteve sua previsão para o ano inteiro inalterada, esperando um crescimento do EBITDA ajustado na faixa de 4,5% a 7% para 2026. A Maersk indicou que essa projeção considera a supercapacidade na indústria devido à entrega de novos navios, além de diferentes cenários para a reabertura do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz ainda neste ano.
Considerações Finais sobre o Mercado
A Maersk reiterou a influência da guerra no Irã sobre suas operações e sobre a economia global, enfatizando a necessidade de fortalecer as cadeias de suprimentos. A empresa declarou que a geopolítica é a força dominante que molda as perspectivas macroeconômicas e também o ambiente de comércio e logística, acrescentando que a guerra trouxe uma "camada adicional de incerteza."
Desde que o conflito teve início em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz, que é um ponto crucial para o transporte comercial, efetivamente no momento está fechado. A empresa comentou que "atualmente, ceses frágeis estão em vigor tanto no Irã quanto no Líbano, as negociações progridem lentamente e o tráfego no Estreito de Ormuz permanece quase paralisado." Essa situação já começou a impactar o sentimento dos consumidores, resultando em uma deterioração da confiança do consumidor.
Por fim, a Maersk afirmou que, caso os preços do petróleo permaneçam na faixa de US$ 90 a US$ 100 por barril até 2026 e se o conflito for resolvido em breve, a demanda global por contêineres ainda deverá crescer entre 2% e 4%. No entanto, a empresa também destacou que o equilíbrio de riscos "está inclinado para o lado negativo, e resultados mais adversos não podem ser descartados."
A Maersk concluiu que "descontinuidades energéticas e de transporte no Estreito de Ormuz estão rapidamente remodelando as cadeias de suprimento globais", ressaltando que após as recentes tarifas sobre importações dos EUA, o conflito representa mais um alerta para a necessidade de implementar ferramentas novas que tornem as cadeias de suprimento mais resilientes e desenvolver novas estratégias para mitigar futuras interrupções.
Fonte: www.cnbc.com


