CEO da Maersk alerta que guerra no Irã terá impacto crescente nos próximos meses.

CEO da Maersk alerta que guerra no Irã terá impacto crescente nos próximos meses.

by Patrícia Moreira
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Impact da Guerra EUA-Irã no Comércio Global

Na quinta-feira, 24 de setembro de 2025, o CEO da Maersk, Vincent Clerc, informou à CNBC que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã gerou um "novo alerta" em relação ao comércio global, alertando que o impacto pode se agravar nos meses seguintes.

Pressões de Custo e Aumento nos Preços do Petróleo

Clerc, durante entrevista ao programa "Squawk Box Europe" após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre da Maersk, destacou que a empresa enfrenta pressões de custo intensas que precisarão ser repassadas aos clientes. Ele enfatizou que a indústria é altamente dependente de energia, o que gerou uma nova série de circunstâncias que a empresa precisa enfrentar. Segundo Clerc, isso terá um impacto significativo nos resultados do segundo e do terceiro trimestres.

Com o aumento da tensão no Oriente Médio, os custos do petróleo dispararam, e a incerteza contínua sobre o fechamento do Estreito de Ormuz mantém os preços elevados. Este aumento nos preços do petróleo também gerou preocupações sobre um possível aumento da inflação em diversas economias.

Na quinta-feira, os futuros do petróleo Brent, referência global, apresentaram queda de 2,2%, com preços em torno de US$ 93,01 por barril, impulsionados pela esperança de que Washington e Teerã estejam próximos de um acordo de paz.

Custos Adicionais e Demandas no Consumidor

Clerc informou que o "choque energético" resultará em custos adicionais de aproximadamente US$ 500 milhões por mês enquanto os preços do petróleo se mantiverem próximos de US$ 100 por barril. Ele comentou que, embora existam limites para a redução de custos pela empresa, é imprescindível repassar essas despesas para os clientes, uma vez que o aumento de custos é significativo e a empresa não consegue absorver todo esse ônus.

O CEO levantou a questão de quanto tempo a indústria de transporte marítimo e o consumo poderão se manter resilientes diante deste cenário. Ele expressou preocupações sobre o impacto no nível do consumidor e se o aumento dos custos levará à redução da demanda, questionando como isso poderia reverberar ao longo da cadeia de suprimentos.

Resultados Financeiros da Maersk

A empresa dinamarquesa, considerada um termômetro para o comércio global, reportou ganhos ajustados antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de US$ 1,75 bilhão para os primeiros três meses do ano. Este valor representa uma queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas alinhou-se com uma estimativa de consenso compilada pela LSEG.

A receita caiu 2,6% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 13 bilhões, superando as expectativas, que eram de US$ 12,5 bilhões. Essa desaceleração foi atribuída às pressões na divisão Oceano da Maersk, devido à diminuição das taxas de frete e ao aumento dos custos decorrentes de volumes mais altos.

Alterações nas Rotas de Transporte

Cerca de uma semana após o início da guerra, a Maersk suspendeu duas rotas de transporte importantes que conectam o Oriente Médio à Ásia e à Europa, afirmando que a decisão foi tomada para proteger sua equipe e seus navios.

Apesar das tensões, a empresa manteve sua previsão para o ano inteiro inalterada, esperando um crescimento do EBITDA ajustado na faixa de 4,5% a 7% para 2026. A Maersk indicou que essa projeção considera a supercapacidade na indústria devido à entrega de novos navios, além de diferentes cenários para a reabertura do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz ainda neste ano.

Considerações Finais sobre o Mercado

A Maersk reiterou a influência da guerra no Irã sobre suas operações e sobre a economia global, enfatizando a necessidade de fortalecer as cadeias de suprimentos. A empresa declarou que a geopolítica é a força dominante que molda as perspectivas macroeconômicas e também o ambiente de comércio e logística, acrescentando que a guerra trouxe uma "camada adicional de incerteza."

Desde que o conflito teve início em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz, que é um ponto crucial para o transporte comercial, efetivamente no momento está fechado. A empresa comentou que "atualmente, ceses frágeis estão em vigor tanto no Irã quanto no Líbano, as negociações progridem lentamente e o tráfego no Estreito de Ormuz permanece quase paralisado." Essa situação já começou a impactar o sentimento dos consumidores, resultando em uma deterioração da confiança do consumidor.

Por fim, a Maersk afirmou que, caso os preços do petróleo permaneçam na faixa de US$ 90 a US$ 100 por barril até 2026 e se o conflito for resolvido em breve, a demanda global por contêineres ainda deverá crescer entre 2% e 4%. No entanto, a empresa também destacou que o equilíbrio de riscos "está inclinado para o lado negativo, e resultados mais adversos não podem ser descartados."

A Maersk concluiu que "descontinuidades energéticas e de transporte no Estreito de Ormuz estão rapidamente remodelando as cadeias de suprimento globais", ressaltando que após as recentes tarifas sobre importações dos EUA, o conflito representa mais um alerta para a necessidade de implementar ferramentas novas que tornem as cadeias de suprimento mais resilientes e desenvolver novas estratégias para mitigar futuras interrupções.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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