Testemunho de Mark Zuckerberg no Tribunal
O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, rebateu, durante uma sessão no tribunal no dia 18 de outubro, a alegação de que teria mentido ao Congresso sobre o design das plataformas de redes sociais. Este questionamento surge em um contexto de um julgamento que examina o impacto do uso excessivo das redes sociais na saúde mental dos jovens.
Declarações ao Congresso
Zuckerberg foi questionado sobre suas declarações feitas em 2024, durante uma audiência no Congresso, onde afirmou que a empresa não havia estabelecido metas para maximizar o tempo que os usuários passavam em seus aplicativos. O advogado Mark Lanier, que representa uma mulher que alega que a Meta prejudicou sua saúde mental quando criança, apresentou aos jurados e-mails datados de 2014 e 2015. Nestes, Zuckerberg detalhava planos para aumentar o tempo de permanência no aplicativo em uma margem de dois dígitos percentuais. O executivo, por sua vez, afirmou que, embora a Meta já tivesse metas relacionadas ao tempo que os usuários gastavam no aplicativo, a empresa reformulou sua abordagem.
Resposta de Zuckerberg
“Se você está tentando dizer que meu depoimento não foi preciso, discordo veementemente”, enfatizou Zuckerberg, defendendo a validade de suas declarações.
Primeira Testemunha do Fundador do Facebook
Esta foi a primeira vez que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, testemunhou em tribunal sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens usuários. Apesar de já ter comparecido ao Congresso sobre o tema, o contexto do julgamento com júri em Los Angeles, na Califórnia, apresenta implicações jurídicas mais significativas. A Meta pode ser condenada a pagar indenizações caso perca o processo. Um veredito desfavorável poderia, também, enfraquecer a defesa de grandes empresas de tecnologia diante de acusações semelhantes.
Reação Global às Redes Sociais
O processo em questão está inserido em uma tendência global que questiona as plataformas de redes sociais em relação aos efeitos que elas provocam na saúde mental de crianças e adolescentes. Em um exemplo das medidas que estão sendo tomadas, a Austrália implementou a proibição do acesso a redes sociais para usuários com menos de 16 anos, enquanto a Espanha considera restrições semelhantes. Nos Estados Unidos, a Flórida promulgou uma lei que proíbe as empresas de permitir acesso a usuários abaixo de 14 anos, embora associações do setor contestem judicialmente essa legislação.
A Ação Judicial
O caso envolve uma mulher da Califórnia que começou a usar o Instagram, da Meta, e o YouTube, do Google, enquanto ainda era criança. Ela alega que as empresas estavam cientes dos riscos à saúde mental associados às redes sociais e, mesmo assim, buscavam lucrar com a formação de um vício entre os jovens em seus serviços. Segundo seu depoimento, os aplicativos intensificaram seus episódios de depressão e pensamentos suicidas, e ela busca responsabilizar as empresas por esses danos.
Negação das Alegações e Precauções
Tanto a Meta quanto o Google negam as alegações apresentadas, ressaltando seus esforços para implementar recursos que proporcionem mais proteção aos usuários. A Meta frequentemente menciona um estudo da Academia Nacional de Ciências dos EUA que conclui que não há evidências que demonstrem um impacto negativo das redes sociais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes.
Repercussões do Caso
Este caso é um teste para reivindicações semelhantes que podem surgir em um grupo maior de ações judiciais contra a Meta, Google, Snap e TikTok. Famílias, distritos escolares e estados estadunidenses já movem milhares de processos judiciais contra essas empresas, acusando-as de contribuir para uma crise de saúde mental entre os jovens.
Revelações de Documentos Internos
Relatos de investigações no decorrer dos anos revelaram documentos internos da Meta, onde a empresa reconhecia o potencial dano que suas plataformas poderiam causar. Pesquisadores da Meta descobriram que adolescentes que afirmaram que o Instagram os fazia sentir-se insatisfeitos com a imagem corporal consumiam significativamente mais conteúdo que abordava transtornos alimentares do que aqueles que não relataram uma experiência semelhante.
Testemunho de Adam Mosseri
Na semana anterior ao depoimento de Zuckerberg, Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou que não tinha conhecimento de um estudo recente da Meta que não encontrava conexão entre a supervisão parental e a atenção dos adolescentes em relação ao uso das redes sociais. De acordo com os documentos apresentados durante o julgamento, jovens com dificuldades em suas circunstâncias pessoais relataram usar o Instagram mais frequentemente, muitas vezes sem intenção.
Defesa da Meta
O advogado da Meta argumentou diante dos jurados que os registros de saúde da mulher demonstram que suas dificuldades resultam de uma infância marcada por traumas, sugerindo que as redes sociais poderiam ter servido como uma válvula de escape criativa para ela.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


