CEO discute precatórios, dividendos extraordinários, privatização e o impacto das eleições.

Sanepar e os Desafios Recentes

O último mês foi especialmente desafiador para a Sanepar (SAPR11), uma empresa de saneamento, com capital misto e controlada pelo governo do Paraná, cujas ações estão sendo negociadas em bolsa desde o ano de 2002.

Em março deste ano, os papéis da companhia enfrentaram uma queda significativa após uma proposta da agência reguladora estadual, a Agepar. A proposta visava destinar R$ 4 bilhões em precatório aos clientes, e não à empresa, como os investidores estavam esperando. Este recurso era muito aguardado, pois tinha o potencial de gerar um dividendo extraordinário elevado para os acionistas. A reação do mercado foi imediata, levando as ações a despencarem quase 7% após o anúncio dessa decisão.

Em 2026, as ações da Sanepar acumulam um ganho de 13,33%, índice que está abaixo do desempenho do Ibovespa, que avançou 19,72% no mesmo período.

Pronunciamento do CEO

Em uma entrevista ao Money Times, o CEO da Sanepar, Wilson Bley, ressaltou que a decisão sobre o precatório era crucial para permitir a distribuição de proventos extraordinários. Segundo ele, a empresa esperava que a antiga regra fosse aplicada – que destinava 75% dos recursos à redução de tarifas e ao consumidor, enquanto 25% era reservado para a própria companhia.

Com a negativa da Agepar, a Sanepar busca agora tentar validar a solução que estava em vigor no momento do registro contábil do precatório. “É dever do gestor que o mínimo que pode ser apropriado seja aquilo que colocamos em nossos registros contábeis quando valia a regra de 75%-25%”, afirmou o CEO.

A decisão sobre o precatório compromete os planos de um dividendo extraordinário, pois, segundo Bley, este era o único recurso disponível para tal fim. “Quem sabe, no futuro, a Sanepar possa ganhar outra ação ou até a venda de algum ativo que gere um resultado adicional para a empresa, e que possa ser distribuído,” considerou.

Raio-X da Sanepar

  • Valor de mercado: R$ 13,32 bilhões;
  • Valorização em 5 anos: 176,51%;
  • Valorização em 2026: 13,33%;
  • P/L médio em 5 anos: 5,36;
  • ROE médio em 5 anos: 14,94;
  • Dividend yield médio em 5 anos: 6,53%.

Fonte: RocketTrader e B3, até 08/04/2026

Dividendos

Inserida em um setor perene como o de saneamento, a Sanepar (SAPR11) sempre foi percebida pelos investidores como uma opção viável para geração de renda passiva, dividindo o espaço de destaque com a concorrente Copasa (CSMG3). Essa percepção persiste, apesar de uma certa “modéstia” nos pagamentos.

Nos últimos cinco anos, dados da RocketTrader indicam que o dividend yield médio da companhia foi de 6,53%, levemente superior ao das outras empresas pagadoras de dividendos na bolsa. A empresa também tem o hábito de concentrar seus pagamentos em uma única vez por ano, geralmente em junho, o que pode não atender a expectativa de muitos investidores.

Segundo o CEO, a companhia espera trabalhar com a distribuição de 30% do lucro líquido em dividendos. “É um número que consideramos razoável”, declarou.

O objetivo é manter essa taxa de payout até pelo menos 2029, embora o CEO reconheça que essa política pode ser revista. “É claro que essa política não é imutável. É possível que no futuro o payout possa ser maior, chegando a 50%. Contudo, não há planos concretos nesse sentido atualmente”, acrescentou.

Bley destacou ainda que as decisões sobre remuneração dependem também do controlador, mas assegurou que os dividendos ordinários não devem sofrer alterações abruptas, uma vez que a companhia se preparou e possui geração de caixa e condições financeiras para manter o equilíbrio entre investimentos e proventos.

Investimentos

A perspectiva de investimento da Sanepar inclui um total de R$ 13 bilhões que a empresa deverá aplicar até 2030, com o objetivo de alcançar as metas de universalização dos serviços de saneamento e esgoto até 2029. Além disso, a companhia prevê um nível de endividamento em torno de 0,6 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

O CEO informou que, até o momento, a Sanepar já investiu R$ 9,5 bilhões. Segundo ele, as parcerias público-privadas têm contribuído significativamente para que a empresa forneça serviços para cidades que ainda não possuem esgotamento sanitário, evidenciando a eficiência da companhia mesmo com o controle estatal.

Bley acredita que a meta de R$ 13 bilhões é acessível e fácil de ser atingida. “Nós temos agilidade. No último ano, conseguimos alocar R$ 2,7 bilhões em novas obras, uma quantidade que é de duas a três vezes superior à média”, observou.

Ele argumenta que o aumento nos investimentos beneficia diretamente os acionistas, pois gera lucros, receitas e dividendos para a empresa. “À medida que acompanho o desenvolvimento do Estado, contribuo com a economia e, consequentemente, gero mais receitas”, afirmou.

Privatização

O CEO também descartou qualquer intenção de que a Sanepar seja totalmente privatizada, em contraste com empresas como a Copasa, que estão seguindo essa tendência. Para Bley, a eficiência da empresa e a qualidade dos serviços prestados tornam a privatização desnecessária.

“Temos eficiência e estamos cumprindo as metas do marco legal de universalização de esgoto de maneira acelerada. O que deveria estar pronto até 2033, vamos concluir até 2029 ou no máximo 2030”, garantiu.

Ele recorda que, ao assumir a função de CEO, questionou o governador sobre a possibilidade de privatização da companhia, pois isso seria um desafio que ele não gostaria de enfrentar.

Segundo Bley, a narrativa em favor da privatização é uma pressão do mercado financeiro, que vê nesse processo uma maneira de liberar valor e aumentar a distribuição de dividendos. “Muitas operadoras do mercado me dizem que o nosso valor é de R$ 13 bilhões, mas em caso de privatização, poderia variar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões”, revelou.

E o Peso das Eleições?

Bley também enfatizou que, como uma das empresas mais eficientes no setor de saneamento no Brasil, a Sanepar se encontra protegida em caso de mudança política no Estado – ou até mesmo na hipóteses de se transformar em uma corporation, com a venda da participação do governo na companhia.

Entretanto, a análise da Empiricus sugere que esse cenário pode não ser tão claro. “O aumento da discussão sobre a redução da participação do governo na companhia ganha força com a potencial vitória de um candidato de centro/direita, que é o que se desenha no Paraná”, afirmaram Rodolfo Amstalden, Ruy Hungria e Isabelle Oliveira.

Conforme as pesquisas mais atuais, Sérgio Moro (União) desponta como o favorito em todos os cenários, o que elevaria as chances de uma gestão mais alinhada aos interesses dos acionistas, seja por meio de uma abordagem voltada à eficiência, seja pelo início de discussões de privatização, de acordo com um relatório publicado em abril.

Quanto às concessões, Bley reforçou que a companhia está buscando expandir suas operações para além do Paraná, oferecendo sua expertise em outros lugares – incluindo países como Paraguai, Honduras e Argentina – o que poderia gerar novas fontes de receita.

“A Sanepar tem 63 anos de história, o que nos trouxe vasta experiência e conhecimento que não deve ser desperdiçado. Comparada a muitas empresas de saneamento no Brasil, sem falsa modéstia, considero a Sanepar a melhor,” finalizou.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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