A Cerebras está superando as metas estabelecidas durante seu IPO, apesar da reação negativa do mercado em relação ao mais recente balanço financeiro. Essa afirmação foi feita por Andrew Feldman, CEO da empresa, em uma entrevista exclusiva à CNBC.
Feldman explicou que os investidores interpretaram de maneira errônea as indicações sobre as margens de lucro. Ele destacou que a companhia alcançou uma receita recorde de US$ 191 milhões no último trimestre, apresentando um desempenho superior ao esperado em relação às margens brutas, e elevou as projeções anuais tanto para a receita quanto para a margem de lucro.
“Nós formulamos um plano no início de 2026. Divulgamos esse plano no momento da abertura de capital, há alguns meses, e estamos superando as metas desse plano”, declarou Feldman.
O executivo ressaltou que a evolução dos resultados não seguirá um padrão linear. Ele afirmou que a demanda por computação voltada à inteligência artificial está tão intensa que a Cerebras optou por alugar de volta alguns equipamentos de um de seus maiores clientes para atender a outras empresas.
A decisão pode impactar as margens de lucro nos próximos trimestres, mas, conforme Feldman, faz parte de uma estratégia para manter todos os clientes satisfeitos em meio à crescente demanda por capacidade de processamento. “A demanda é tanta que decidimos alugar de volta alguns equipamentos de um dos nossos maiores clientes, porque queríamos manter nossos clientes satisfeitos e garantir a entrega de computação”, comentou.
Feldman também afirmou que a companhia aumentou a margem bruta de seu negócio principal em 10 pontos percentuais. Segundo ele, a pressão temporária nas margens não altera a perspectiva geral da empresa. “Todo mundo quer mais tokens”, afirmou. “Enfrentamos uma escolha: negar a demanda ou manter nossos clientes satisfeitos com nosso desempenho, mesmo aceitando uma margem um pouco menor nos próximos trimestres.”
OpenAI, AWS e novos clientes
O CEO da Cerebras comunicou que a empresa atende a dezenas de clientes com uma elevada demanda por computação em inteligência artificial. Ele mencionou que a OpenAI é, sem dúvida, o maior cliente da companhia.
Além disso, Feldman informou que a empresa firmou um contrato com a AWS e que deve iniciar a entrega de soluções de computação para a companhia. Ele também citou parcerias com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, G42, Sigma e AlphaSense.
“Temos dezenas de clientes que estão demandando quantidades enormes de computação. A OpenAI é, obviamente, a maior de todas”, afirmou.
Sobre a colaboração com a AWS, Feldman esclareceu que os contratos definitivos foram finalizados e que as empresas irão desenvolver uma solução que combina o hardware de ambas as companhias. O foco é não apenas entregar velocidade, mas também maximizar o rendimento possível de tokens.
“Assinamos um grande contrato com a AWS e estamos muito orgulhosos do nosso trabalho em conjunto”, declarou o CEO.
Ele acrescentou que os efeitos dessa parceria devem refletir nos resultados financeiros do próximo ano e que esses impactos ainda não estão considerados nas previsões atuais do mercado. “Não está na previsão de ninguém, pois essa parceria está sendo concretizada agora”, explicou.
Contratos bilionários
Feldman ressaltou que os contratos firmados com empresas como G42 e OpenAI são eventos raros, mesmo dentro do setor de inteligência artificial. De acordo com ele, a Cerebras possui um contrato avaliando em US$ 1 bilhão com a G42 e um acordo que ultrapassa os US$ 20 bilhões com a OpenAI.
“Esses contratos não são eventos comuns. Eles são raros, mesmo em nossa indústria”, destacou Feldman.
Segundo o CEO, a parceria com a AWS tem o potencial de ampliar o alcance da Cerebras entre empresas ao redor do mundo, uma vez que a nuvem da Amazon é amplamente utilizada pelo mercado corporativo. “Essa é uma forma incrível de levar nossa inferência extremamente rápida para empresas em todo o mundo”, comentou.
Feldman também abordou a estrutura de lock-up das ações após o IPO da companhia. Ele explicou que a Cerebras optou por liberar os papéis em etapas, em vez de permitir que todo o desbloqueio ocorresse no primeiro dia.
O propósito dessa abordagem, conforme afirmou, foi suavizar o impacto no mercado. “Escolhemos distribuir nosso lock-up oferecendo partes no primeiro dia, partes após a primeira chamada de resultados e partes após a segunda chamada de resultados”, concluiu. “O sucesso desse método, teremos que avaliar com o tempo.”
Fonte: timesbrasil.com.br

