Investigação da China sobre a Nvidia
A China dará continuidade a uma investigação mais aprofundada sobre a empresa Nvidia, após uma análise preliminar que indicou que a fabricante americana de chips infringiu a legislação antimonopólio do país. O comunicado foi emitido pelo regulador de mercado chinês nesta segunda-feira (15).
Acusações e aquisições
A Nvidia é acusada de ter violado os termos da aprovação condicional do regulador em relação à sua aquisição da Mellanox Technologies, uma empresa israelense de chips, cuja compra foi aprovada pela China em 2020.
Negociações comerciais em andamento
A decisão de avançar com a investigação, que começou em dezembro do ano passado, ocorre em meio às negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, que estão em sua quarta rodada no momento em Madri.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera as negociações pelos EUA, declarou no domingo que as discussões estão progredindo de forma positiva. Entretanto, o governo de Donald Trump intensificou a pressão antes das tratativas.
Ações recentes dos EUA
No dia 12 de agosto, o Departamento de Comércio dos EUA incluiu duas fabricantes chinesas de chips na Lista de Entidades, o que impede a GMC Semiconductor Technology Co. e a Jicun Semiconductor Technology de adquirirem tecnologia de semicondutores dos Estados Unidos.
Embora as negociações comerciais estejam em andamento, tanto a China quanto os Estados Unidos têm se envolvido em reações recíprocas às medidas adotadas por cada parte, buscando obter vantagem em um cenário de tensão.
Por exemplo, os Estados Unidos restringiram em grande parte a exportação de equipamentos essenciais para a tecnologia de inteligência artificial (IA) à China, enquanto a resposta da China envolve atrasar as promessas de fornecimento de minerais de terras raras, utilizados em uma ampla gama de equipamentos eletrônicos e de defesa.
Ação da China contra a Nvidia
A mais recente movimentação da China contra a Nvidia representa uma ação bastante assertiva e pode ser interpretada como um sinal para os Estados Unidos de que as promessas do governo Trump, relacionadas à liberalização da comercialização dos chips da Nvidia na China, podem não ser tão bem recebidas quanto a Casa Branca esperava.
Tanto a China quanto os Estados Unidos reconhecem a importância da IA e dos chips que a suportam para a segurança nacional. Embora a tecnologia chinesa se encontre atualmente em um patamar inferior em relação à americana, está em processo de recuperação.
Acordo entre Trump e fabricantes de chips
Recentemente, Trump anunciou que chegou a um acordo com a Nvidia e a AMD, outra fabricante de chips, para que as empresas paguem ao governo americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China. Este acordo concede licenças para a exportação de versões mais potentes, mas ainda simplificadas, de suas tecnologias.
Esse arranjo pode ajudar o governo Trump a sustentar a liderança americana em IA, ao mesmo tempo que é crucial nas discussões comerciais com a China. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, que assinou o acordo com Trump no Salão Oval no mês passado, se tornou uma presença frequente na Casa Branca, buscando promover interesses mútuos. Huang está programado para se reunir com Trump durante sua visita ao Reino Unido nesta semana.
Consequências da investigação
Não está definido se a China aplicará punições à Nvidia. O regulador de mercado chinês confirmou que realizará uma investigação mais abrangente sobre a empresa. A decisão de prosseguir com as investigações foi tomada após a análise inicial, que se iniciou em dezembro.
A Nvidia foi considerada culpada de descumprir os termos de aprovação condicional relacionados à aquisição da empresa israelense Mellanox Technologies, conforme divulgado pela Administração Estatal de Regulamentação de Mercado da China, que não forneceu mais detalhes sobre a questão. Vale lembrar que a China já havia aprovado a aquisição em 2020.
Após o anúncio sobre a investigação, as ações da Nvidia registraram uma queda de 1,4% no pré-mercado.
Restrição às exportações de chips
Em abril deste ano, a Casa Branca bloqueou a exportação de determinados chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e os chips MI308 da AMD. Entretanto, um acordo sem precedentes com o governo Trump permite que as empresas adquiram licenças de exportação para retomar a venda desses chips na China, conforme informado por uma autoridade americana à CNN.
A Nvidia lançou o chip H20 no passado como uma estratégia para manter o acesso ao mercado chinês, que representou 13% das vendas da empresa em 2024, diante das restrições de exportação às quais a empresa está sujeita devido às políticas do governo Biden.
Apesar da abertura para a China em relação aos chips H20, não está claro se o país aceitará esses componentes, já que surgiram preocupações de segurança emanadas de uma conta de mídia social ligada à mídia estatal chinesa, logo após o anúncio da Casa Branca sobre a permissão para a venda.
Ainda assim, presume-se que a China esteja obtendo acesso a esses chips através do mercado negro.
Acredita-se que os chips H20 tenham contribuído para o desenvolvimento do DeepSeek, um modelo avançado de IA da China que causou alvoroço no Vale do Silício ao ser lançado no início deste ano, suscitando preocupações de que a China esteja mais avançada em IA do que se supunha anteriormente.
*Contribuição de Olesya Dmitracova, Simone McCarthy, Clare Duffy, Phil Mattingly e Lisa Eadicicco