Superávit Comercial da China
O superávit comercial de bens da China ultrapassou US$ 1 trilhão este ano, um marco significativo que evidencia a proeminência do país, que abrange desde a produção de veículos elétricos de ponta até a confecção de camisetas a baixo custo.
Crescimento das Exportações e Queda das Importações
Nos primeiros 11 meses do ano, as exportações chinesas cresceram 5,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 3,4 trilhões. Em contraste, as importações do país apresentaram uma diminuição de 0,6%, chegando a US$ 2,3 trilhões. Esses números resultaram em um superávit comercial de US$ 1,08 trilhão, conforme relataram a Administração Geral de Aduanas da China na segunda-feira (8).
Reflexo de Décadas de Política Industrial
Este valor impressionante, que não tem precedentes na história econômica, reflete décadas de políticas industriais e movimentações humanas, que permitiram à China progredir de uma economia agrária modesta no final dos anos 1970 para a segunda maior economia do mundo. Nas décadas de 1980 e 1990, a China estabeleceu-se como fornecedora de produtos de baixo custo, como perucas, tênis e decorações natalinas, ganhando a denominação de "fábrica do mundo". Contudo, isso foi apenas o início de sua trajetória.
Avanços em Produtos de Maior Valor
Nos anos subsequentes, o país empreendeu uma expansão significativa, avançando em direção à produção de bens de maior valor, tornando-se uma peça fundamental nas cadeias de suprimento globais, que englobam setores como tecnologia, transporte, medicina e bens de consumo. Nos últimos tempos, suas empresas líderes emergiram como protagonistas nas áreas de painéis solares, veículos elétricos e semicondutores usados em produtos domésticos.
Peso Industrial e Relações Comerciais
A magnitude do papel industrial da China já é amplamente reconhecida por seus parceiros comerciais, tornando-se um ponto de tensão nas relações com outros países. No ano anterior, seu superávit comercial já havia atingido um recorde de US$ 993 bilhões. Contudo, a superação da marca de US$ 1 trilhão sublinha ainda mais a importância das exportações da China e provavelmente trará uma atenção redobrada para os desequilíbrios crescentes.
Impacto Global
"É tão significativo que fica claro que não são só os Estados Unidos ou a Europa, mas o mundo todo precisará arcar com essa discrepância", afirmou Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China. As exportações gerais da China continuaram a aumentar, mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, a maior economia do mundo.
Aumento de Tarifas e Redirecionamento de Exportações
Com a volta ao cargo em janeiro, o presidente Trump rapidamente aumentou as tarifas sobre as importações da China, em certos momentos chegando a mais de 100%. Embora as tarifas tenham sido reduzidas posteriormente, continuam em níveis elevados. Atualmente, as tarifas médias sobre as importações chinesas giram em torno de 37%, conforme dados do Urban-Brookings Tax Policy Center.
Ao invés de restringir as exportações, a China conseguiu redirecionar seus embarques para outros mercados. Neste ano, as exportações chinesas para a África, Sudeste Asiático e América Latina aumentaram 26%, 14% e 7,1%, respectivamente. Em contraste, as exportações para os Estados Unidos caíram 29% em novembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, embora Pequim tenha registrado um aumento global de 5,9% nas exportações.
Desempenho nas Exportações
O crescimento das exportações foi diretamente influenciado por um aumento de 15% nos embarques para a União Europeia, enquanto as exportações para o Sudeste Asiático avançaram 8,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Zichun Huang, economista da Capital Economics, notou em um comunicado que "o papel do redirecionamento do comércio para compensar o impacto negativo das tarifas dos EUA ainda parece estar aumentando".
Expectativas Futuras
Mesmo diante dos desafios geopolíticos e das tentativas dos Estados Unidos e de outras economias de se afastarem da China, poucos economistas acreditam que o impulso comercial chinês desacelerará significativamente nos próximos meses ou anos. Analistas do Morgan Stanley projetam que a participação da China nas exportações globais de bens pode alcançar 16,5% até o final da década, em comparação aos cerca de 15% atuais.
Liderança em Manufatura Avançada
Essas expectativas são apoiadas pela liderança da China em manufatura avançada, cuja capacidade de antecipar mudanças nas tendências de demanda global e mobilizar recursos para construir capacidade foi destacada como um fator relevante. Essa trajetória levantou preocupações em todo o mundo, especialmente na Europa, onde a competitividade em setores como automóveis, tecnologia e bens de luxo está sendo afetada pela ascensão rápida de concorrentes chineses.
Reações da Europa
Em uma cúpula recente com o líder chinês Xi Jinping, o presidente francês Emmanuel Macron alertou que a Europa poderá ser forçada a adotar medidas se a China não agir para conter suas vantagens. "Deixei claro que, se não houver resposta, nós europeus seremos compelidos, em um futuro próximo, a tomar ações decisivas", declarou Macron ao jornal francês Les Echos.
Desafios e Tensão Comercial
A França não é o único país que apresenta preocupações, conforme mencionado por Eskelund, que observou uma série de reclamações comerciais e ações contra a China, não apenas por parte dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais, mas também por países do Sudeste Asiático, América Latina e Oriente Médio. "Não tenho dúvida de que veremos um aumento nas iniciativas de defesa comercial ao redor do mundo", afirmou.
Desequilíbrio Comercial
Eskelund acrescentou que o desequilíbrio comercial da China com o mundo é ainda mais acentuado do que o superávit de US$ 1 trilhão sugere, considerando a fraqueza relativa do yuan chinês. Em termos de valor, a China representa cerca de 15% das exportações globais. Entretanto, em termos de volume, a estimativa indica que cada contêiner enviado da Europa para a China é superado por quatro contêineres indo na direção oposta, representando cerca de 37% do total das exportações em contêineres.
Crescimento de Preocupações
"O aumento da preocupação é palpável", alertou Eskelund, enfatizando que, em um futuro próximo, poderemos "chegar a um ponto de ruptura".
Fonte
Fonte: Dow Jones Newswires.
Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br