China fortalece sua influência ao ampliar empréstimos a países desenvolvidos; EUA continuam a ser o principal destino do capital chinês.

China fortalece sua influência ao ampliar empréstimos a países desenvolvidos; EUA continuam a ser o principal destino do capital chinês.

by Ricardo Almeida
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A Nova Direção dos Empréstimos Chineses

Contexto do Estudo

Os Estados Unidos se destacam como o principal destinatário das atividades de empréstimo da China em todo o mundo. Um estudo que analisou as operações de crédito da China revelou que o país está cada vez mais direcionando seus empréstimos a nações de renda mais alta, ao invés de continuar priorizando países em desenvolvimento.

Resultados do Relatório

Um relatório divulgado na terça-feira (18) pelo AidData, laboratório de pesquisa vinculado à Universidade Americana William & Mary, apresenta dados sobre os empréstimos e doações da China, que totalizaram US$ 2,2 trilhões distribuídos em 200 países, abrangendo diversas regiões do mundo entre os anos de 2000 e 2023.

Mudanças no Foco dos Empréstimos

Tradicionalmente, a China era vista como uma credora principal de países em desenvolvimento, especialmente por meio de sua Iniciativa Cinturão e Rota da Seda. Contudo, a pesquisa indica um movimento crescente em direção ao financiamento de economias mais avançadas, com foco em infraestrutura estratégica e cadeias de suprimento de alta tecnologia, particularmente nas áreas de semicondutores, inteligência artificial e energia limpa.

O estudo do AidData aponta que a magnitude da carteira de empréstimos da China é de duas a quatro vezes maior do que as estimativas anteriores haviam sugerido, confirmando a posição da China como o maior credor oficial do mundo atualmente.

Distribuição dos Empréstimos

Mais de 75% das operações de empréstimos externos chineses agora estão direcionadas a projetos e atividades em países de renda média-alta e alta. Segundo Brad Parks, diretor executivo do AidData, “grande parte dos empréstimos a países ricos é focada em infraestrutura crítica, minerais essenciais e na aquisição de ativos de alta tecnologia, como empresas de semicondutores”.

Os Estados Unidos estão no centro dessas operações, recebendo um volume substancial de crédito do setor oficial chinês, que ultrapassa US$ 200 bilhões, abrangendo quase 2.500 projetos e atividades diversas.

Atuação Chinesa nos Estados Unidos

Entidades estatais da China estão ativas em uma ampla gama de setores nos Estados Unidos, financeiramente viabilizando a construção de projetos de gás natural liquefeito (GNL) no Texas e na Louisiana, além de centros de dados no norte da Virgínia. Também estão envolvidos na construção de terminais no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, e no Aeroporto Internacional de Los Angeles, além do gasoduto Matterhorn Express Natural Gas e do oleoduto Dakota Access, conforme dados do AidData.

Além do financiamento de infraestrutura, Pequim também foi responsável pela aquisição de empresas de alta tecnologia. Credores estatais chineses forneceram linhas de crédito a várias companhias da Fortune 500, incluindo gigantes como Amazon, AT&T, Verizon, Tesla, General Motors, Ford, Boeing e Disney.

Mudança na Alocação de Recursos

A proporção de empréstimos destinados a países de baixa renda e renda média-baixa despencou para 12% em 2023, em comparação com 88% em 2000. Paralelamente, a participação dos empréstimos para países de renda média e alta cresceu para 76% em 2023, em contraste com 24% em 2000. O Reino Unido, por exemplo, recebeu um total de US$ 60 bilhões, enquanto a União Europeia recebeu US$ 161 bilhões ao longo desse período.

Implicações

As mudanças na estratégia de empréstimos da China ressaltam uma tendência de desvio do financiamento tradicionalmente associado a países em desenvolvimento, sinalizando um novo foco em economias avançadas e infraestrutura crítica, que poderá ter consequências significativas para a dinâmica econômica global e para os países que historicamente dependiam do apoio financeiro da China.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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