Meta e a Aquisição da Manus
Na segunda-feira, o planejador estatal da China solicitou que a Meta cancelasse sua aquisição de US$ 2 bilhões da Manus, uma startup de inteligência artificial sediada em Singapura com raízes chinesas.
Proibição e Justificativa
A decisão de proibir o investimento estrangeiro na Manus foi fundamentada em leis e regulamentos, conforme declarado em um breve comunicado da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. A comissão ainda informou que solicitou às partes envolvidas que retirassem a transação de aquisição.
A CNBC entrou em contato com a Meta para obter comentários sobre a situação. No pré-mercado, as ações da empresa apresentaram queda de 0,2%.
Fiscalização Internacional e Efeitos no Mercado
O acordo já havia atraído a atenção de autoridades tanto na China quanto nos Estados Unidos, uma vez que legisladores americanos proibiram investidores dos EUA de financiar empresas chinesas de inteligência artificial diretamente. Ao mesmo tempo, Pequim intensificou esforços para desencorajar fundadores de inteligência artificial do país a transferirem seus negócios para o exterior.
Preocupações Entre Empreendedores e Investidores
A intervenção do governo chinês na transação gerou preocupações entre fundadores de tecnologia e investidores de capital de risco no país, que esperavam aproveitar o chamado modelo de "Singapore-washing". Esse modelo permite que as empresas se relocam de sua base na China para a cidade-estado, evitando o escrutínio de Pequim e Washington.
Fundamentos e Resultados da Manus
A Manus foi fundada na China antes de se mudar para Singapura. A empresa desenvolve agentes de inteligência artificial de uso geral e lançou seu primeiro agente de IA geral em março do ano passado. Este agente é capaz de realizar tarefas complexas, como pesquisa de mercado, programação e análise de dados. O lançamento levou a startup a ser elogiada como a próxima DeepSeek.
A Manus divulgou que atingiu a marca de US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR) em dezembro, apenas oito meses após o lançamento de seu produto, o que, segundo a empresa, a fez se tornar a startup mais rápida do mundo a alcançar esse marco a partir de uma receita de US$ 0.
A companhia conseguiu levantar US$ 75 milhões em uma rodada de investimento liderada pela firma de capital de risco Benchmark, dos Estados Unidos, em abril do ano passado.
Anúncio e Expectativas da Meta
Quando a Meta anunciou o acordo no final do ano passado, a gigante da tecnologia afirmou que buscaria acelerar a inovação em IA para empresas e integrar automação avançada em seus produtos de consumo e empresariais, incluindo seu assistente Meta AI.
Entretanto, em janeiro, o Ministério do Comércio da China declarou que realizaria uma avaliação e investigação sobre como a aquisição se alinhava às leis e regulamentos relacionados a controles de exportação, importação de tecnologia e investidores no exterior.
Um porta-voz da Meta informou à CNBC em março que sua aquisição "estava em total conformidade com a legislação aplicável" e que a equipe esperava "uma resolução adequada para a investigação".
A jornalista Anniek Bao e Dylan Butts, da CNBC, contribuíram para esta matéria.
Fonte: www.cnbc.com