Cinco pontos a observar na Ásia enquanto Trump se prepara para se reunir com Xi, da China, esta semana

U.S. e China reforçam laços antes de cúpula presidencial

PEQUIM — Os Estados Unidos e a China estão reforçando suas relações na região do Leste Asiático antes de uma cúpula presidencial muito aguardada em Pequim, programada para ocorrer no final desta semana.

Negociadores comerciais de ambos os países devem se reunir em Seul, na Coreia do Sul, antes do encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, com o líder chinês Xi Jinping, agendado para quinta e sexta-feira. A agenda intensa reflete a dinâmica regional em jogo nas relações entre EUA e China, com a cúpula sendo observada de perto por líderes em todo o mundo.

A seguir, a agenda completa:

Terça-feira: Bessent no Japão

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, chegou ao Japão na segunda-feira, onde se encontrará com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, conforme relatado pela emissora pública NHK.

O Japão é um dos países mais afetados pela guerra no Irã, já que a nação asiática depende do Oriente Médio para cerca de 75% de suas importações de petróleo.

A visita de Bessent ocorre em um momento em que as relações entre Pequim e Tóquio estão tensas, após comentários de Takaichi em novembro que indicaram que Tóquio apoiaria Taiwan se fosse ameaçado pelo exército chinês, provocando uma resposta enérgica de Pequim. A primeira-ministra não amenizou sua declaração, apesar dos apelos de Pequim.

Durante sua visita aos EUA em março, Trump e Takaichi “se comprometeram com a paz e estabilidade ao longo do Estreito de Taiwan”, segundo a Casa Branca.

O Japão estará especialmente atento à redação oficial sobre Taiwan após a reunião entre Trump e Xi, com o presidente dos EUA afirmando na segunda-feira que a venda de armas para Taipei estava na agenda da cúpula.

Quarta-feira: Negociações comerciais EUA-China na Coreia do Sul

O vice-primeiro-ministro He Lifeng liderará uma delegação à Coreia do Sul de terça a quarta-feira para negociações comerciais com os EUA, segundo informou o Ministério do Comércio da China. O comunicado não mencionou outras reuniões, mas fez referência à cúpula Trump-Xi em Busan, na Coreia do Sul, ocorrida em outubro do ano passado.

Embora não esteja claro se Bessent levou em conta as diferenças de fuso horário dos EUA, seu anúncio somente destacou que na quarta-feira ele fará uma “parada em Seul para uma discussão com o vice-primeiro-ministro He Lifeng da China”.

Isso é um indicativo do planejamento meticuloso — e, consequentemente, das entregas — para a cúpula desta semana em Pequim. A China não confirmou oficialmente a reunião até a segunda-feira.

“Em nossa visão, a cúpula será mais sobre evitar uma escalada desnecessária de tensões e gerenciar riscos do que construir mecanismos estruturais e forjar amizades profundas”, afirmou Ting Lu, economista-chefe da China da Nomura, em uma nota na segunda-feira.

“O item mais urgente na agenda é a crise do Irã-Hormuz”, acrescentou.

Quinta-feira: Trump na China

Trump deve chegar a Pequim na noite de quarta-feira, segundo a Casa Branca.

No dia seguinte, ele participará de uma cerimônia de boas-vindas e terá uma reunião bilateral com Xi, antes de ambos visitarem o histórico Templo do Céu — um marco do século XV no centro de Pequim. A noite deverá terminar com um banquete de estado.

A Casa Branca convidou mais de uma dúzia de executivos norte-americanos para acompanhá-lo em sua viagem à China. Entre os líderes estão Elon Musk, CEO da Tesla, Tim Cook, CEO da Apple, e Kelly Ortberg, CEO da Boeing. No entanto, Jensen Huang, CEO da Nvidia, não está na lista.

As importações da China de aeronaves da Boeing, de soja e carne bovina dos EUA provavelmente aumentarão como resultado da cúpula Trump-Xi, mas é pouco provável que recuperem os altos níveis vistos em períodos anteriores, de acordo com a Unidade de Inteligência do Economist.

Os analistas da EIU afirmaram que a quantidade de compras da China será limitada pelas concessões dos EUA em exportações de tecnologia, que, por sua vez, estão restritas pelas dinâmicas em Washington.

Sexta-feira: Trump deixa Pequim

O presidente dos EUA está agendado para ter um chá e um almoço de trabalho com Xi antes de deixar a China.

Conforme discutido durante a cúpula do ano passado em Busan, Xi deve visitar os EUA ainda este ano, e a conclusão da reunião desta semana em Pequim será observada de perto em busca de sinais quanto a uma data exata para a viagem.

O líder chinês visitou os EUA para a conferência do Fórum da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico em 2023, mas não fez uma visita oficial desde 2015, durante a administração de Obama. Trump também visitou a China em 2017 durante seu primeiro mandato, enquanto seu sucessor Joe Biden não viajou para o país asiático.

Xi poderia visitar os EUA em dezembro para a reunião do G20 na Flórida. Trump tem plano de participar de um encontro do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico em Shenzhen em novembro, onde os dois líderes poderiam se encontrar novamente.

Próxima semana: Uma possível visita de Putin

Complementando o engajamento político de alto nível, crescem as expectativas de que o líder da Rússia, Vladimir Putin, possa visitar Pequim já na próxima segunda-feira, 18 de maio.

A visita de Trump e a esperada visita de Putin completarão uma dezena de líderes que passaram por Pequim nos primeiros cinco meses de 2026, à medida que a influência da China cresce.

Antes de Trump, Xi recebeu o presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Irã também viajou a Pequim pela primeira vez desde o início da guerra no Irã.

É certo que o Irã será discutido durante a cúpula entre Trump e Xi, afirmou Cui Shoujun, professor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade Renmin da China.

A China é um dos poucos países que mantém relações com o Irã e com nações do Golfo, e Cui destacou que Pequim gostaria de ajudar a resolver as tensões. Quanto à maior questão das relações EUA-China, Cui enfatizou que a reunião dos dois presidentes nesta semana é apenas o início de mais discussões.

Fonte: www.cnbc.com

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