O conflito envolvendo o Irã deve continuar sendo um ponto focal para os investidores ao longo da semana de negociações mais curta em Wall Street. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que as discussões com Teerã estão progredindo, apesar da escalada dos combates no Oriente Médio. Os preços do petróleo se mantêm elevados, bem acima dos níveis anteriores ao conflito, gerando preocupações sobre possíveis consequências econômicas. Contudo, a situação no Oriente Médio é apenas uma das várias questões que influenciam o mercado à medida que o primeiro trimestre se encerra nesta terça-feira.
1. O conflito com o Irã entra em seu segundo mês
A violência na região do Oriente Médio continuou na segunda-feira, com relatos de que o Irã lançou mísseis em direção a Israel e a diversos países do Golfo Pérsico.
O conflito já dura dois meses e se intensificou com o envolvimento das forças Houthi, apoiadas pelo Irã, no Iêmen. As Forças de Defesa de Israel afirmaram ter interceptado ataques de drones originados do Iêmen, aumentando os temores de perturbações no fornecimento de petróleo, já que o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado.
Simultaneamente, o Wall Street Journal informou que o presidente Trump está avaliando uma operação militar complexa e potencialmente arriscada que tem como objetivo remover cerca de 1.000 libras de urânio do Irã.
Além disso, unidades da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos EUA teriam chegado ao Oriente Médio, o que é considerado uma medida para proporcionar opções militares adicionais ao presidente Trump enquanto ele pondera sobre a próxima fase do conflito. Segundo o Washington Post, o Pentágono está se preparando para a possibilidade de várias semanas de operações terrestres no Irã.
Teerã emitiu um alerta, afirmando que destruiria qualquer tropa americana que tentasse uma invasão terrestre em seu território.
Recentemente, pelo menos 12 militares americanos foram feridos durante os ataques iranianos a uma base aérea na Arábia Saudita. Enquanto isso, os rebeldes houthis, que têm alinhamento com o Irã, no Iêmen, passaram a participar diretamente do conflito, lançando ataques contra Israel e aumentando os temores de interrupções em importantes rotas globais de energia.
Se os houthis decidirem atacar o Estreito de Bab al-Mandab, analistas da Vital Knowledge afirmaram que a crise marítima, já iniciada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, poderá ser “dramaticamente amplificada”. O Estreito de Bab al-Mandab é um ponto crítico marítimo, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico.
2. Trump destaca progresso nas negociações com o Irã
O presidente Trump mencionou que as negociações com o Irã podem ter avançado, sugerindo a possibilidade de um acordo próximo.
Em declarações à imprensa durante o voo no Air Force One, Trump afirmou que as negociações estavam “extremamente bem” e que um pacto com o Irã era viável. Ele também mencionou uma “mudança de regime” em Teerã, após recentes ataques dos EUA que resultaram na morte de diversos altos funcionários iranianos no mês anterior.
“Acredito que chegaremos a um acordo com eles, mas é possível que não”, comentou o presidente. Em resposta a um repórter, Trump acrescentou: “Vejo um acordo com o Irã, talvez em breve”, embora não tenha especificado um cronograma claro.
Por outro lado, o Irã rejeitou em grande parte os relatos de que tenham ocorrido conversas diretas com Washington desde o início do conflito, insistindo que as hostilidades devem cessar antes que as negociações possam ser iniciadas.
Como tem sido comum durante o conflito, as declarações de Trump também incluíram ressalvas. Ao mesmo tempo em que o Wall Street Journal reportava sobre uma potencial operação de extração de urânio, o presidente informou ao Financial Times que poderia tentar controlar o petróleo iraniano e tomar a Ilha de Kharg, um importante centro de exportação do Irã.
“Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, afirmou Trump ao Financial Times.
3. O petróleo Brent permanece acima de US$ 100 por barril
Diante da severa interrupção nas exportações de petróleo do Oriente Médio, os preços do petróleo Brent aumentaram substancialmente — de aproximadamente US$ 70 por barril antes do início do conflito, no final de fevereiro, para mais de US$ 107 por barril na segunda-feira.
Dada a relevância desses suprimentos para a economia global, analistas começaram a expressar preocupações sobre ampliações de consequências em setores variados. Por exemplo, os preços dos alimentos podem sofrer elevações devido ao aumento no custo do diesel. A disponibilidade de fertilizantes também diminuiu, em parte porque o gás natural utilizado na produção geralmente provém do Oriente Médio, elevando os custos para os agricultores.
O hélio, componente essencial na produção de semicondutores, interligado ao crescimento da inteligência artificial, também se tornou mais escasso. O alumínio, amplamente empregado em setores como o automotivo e o aeroespacial, está enfrentando problemas semelhantes de escassez.
As inquietações sobre o impacto em cadeia do conflito no Irã contribuíram para previsões de aumento da inflação global, que poderiam levar os bancos centrais a elevar as taxas de juros. Os rendimentos dos títulos ao redor do mundo já se elevaram, pressionando os mercados acionários adicionalmente.
No entanto, os mercados não parecem estar “muito preocupados, por enquanto, com os riscos fiscais e de inflação”, de acordo com Thomas Mathews, chefe de mercados para a região da Ásia-Pacífico da Capital Economics.
Mathews, em uma nota, destacou que “os efeitos da guerra nos mercados podem continuar apresentando desafios sem uma solução simples”.
4. O primeiro trimestre do ano chega ao fim
Embora a campanha militar conjunta entre EUA e Israel no Irã tenha gerado uma grande fonte de incerteza, não foi o único desafio enfrentado pelos investidores durante o turbulento primeiro trimestre de 2026.
O período de janeiro a março, que termina nesta terça-feira, também registrou ameaças por parte de Trump para assumir o controle da Groenlândia, um território semiautônomo que pertence à Dinamarca, aliada dos EUA e membro da NATO. Além disso, no começo do ano, os mercados também estiveram atentos ao impacto de um ataque dramático dos EUA à Venezuela, que resultou na captura do líder de longa data do país, Nicolás Maduro, um dos principais produtores de petróleo da região.
As preocupações relacionadas à inteligência artificial também desempenharam um papel fundamental na formação do sentimento do mercado, impulsionadas em parte pelo rápido progresso de novas ferramentas de empresas como a Anthropic. As empresas de software como serviço foram particularmente afetadas, visto que o receio de que essas ferramentas poderiam reduzir a demanda por serviços como análise jurídica e processamento de dados se intensificou. Algumas companhias, incluindo a Block Inc., de Jack Dorsey, mencionaram a adoção da IA como um dos fatores que resultaram em demissões significativas.
Ao mesmo tempo, o potencial de disrupção que a IA representa para o setor de software gerou alertas sobre o aumento dos riscos de inadimplência em empréstimos diretos, destacando a fragilidade do mercado de crédito privado, que anteriormente era bastante robusto.
5. Dados sobre o emprego nos EUA em breve
Os investidores estarão atentos aos dados econômicos previstos para esta semana, em busca de indícios sobre como a guerra no Irã pode estar afetando a economia americana de maneira mais ampla.
Um novo índice de atividade industrial, referente a março e divulgado pelo Instituto de Gestão de Suprimentos (ISM), é esperado para quarta-feira. Analistas preveem que o índice poderá apresentar uma ligeira queda, mas ainda permanecendo em território de expansão.
Na sexta-feira, será divulgado o mais recente relatório de emprego dos EUA. Economistas estimam que a economia americana criou cerca de 56.000 novas vagas em março, recuperando-se da perda de 92.000 em fevereiro. A taxa de desemprego deve permanecer estável em 4,4%.
O relatório de empregos não agrícolas deve chamar atenção especial, uma vez que poderá influenciar as decisões dos membros do Federal Reserve sobre a política de taxas de juros nos meses vindouros.
“Em relação aos dados dos EUA desta semana, o foco estará no mercado de trabalho”, escreveram analistas do ING em uma nota de pesquisa. “A divulgação do NFP de sexta-feira […] deve levar os mercados a considerar um aperto monetário [do Fed] este ano em decorrência do choque energético. Qualquer fraqueza inesperada poderá afetar o valor do dólar.”

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Fonte: br.-.com

