Rebaixamento do Banco do Brasil
O Citi, um dos bancos que anteriormente mantinha a recomendação de compra para o Banco do Brasil (BBAS3), reavaliou sua posição e rebaixou a ação para um patamar neutro. Além disso, o preço-alvo foi reduzido de R$ 29 para R$ 23, implicando um potencial de alta de apenas 2,8%.
Resultados do terceiro trimestre
Os analistas do Citi destacam que os resultados referentes ao terceiro trimestre enviaram um sinal negativo ao mercado, indicando que a recuperação operacional do banco levará mais tempo do que o previamente esperado.
“Além de revisarmos a projeção para 2025 — que agora indica maiores despesas com provisões e um lucro líquido previsto cerca de R$ 3 bilhões abaixo do anteriormente considerado — também observamos dados preocupantes sobre a qualidade dos ativos”, afirmaram os especialistas do banco.
A estatal do Banco do Brasil fez uma nova revisão em suas projeções de lucro, que passaram de uma estimativa anterior de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões para uma nova faixa de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões, surpreendendo os analistas do setor.
“Acreditamos que a segunda revisão negativa nas projeções para 2025 denota uma baixa visibilidade para os próximos trimestres. O impacto das renegociações exigirá mais tempo do que se previa para oferecer uma contribuição positiva aos resultados, que sempre foi um ponto central de nossa análise”, foi o comentário do Citi.
Expectativas sobre o governo e o agronegócio
Na visão dos analistas do Citi, os efeitos positivos das renegociações de empréstimos rurais levarão mais tempo do que o esperado para se refletirem na rentabilidade do banco, prevendo que isso deverá ocorrer apenas em 2026.
Em setembro, o governo publicou a Medida Provisória 1.314, que possibilita a renegociação de dívidas rurais sob condições especiais, totalizando R$ 12 bilhões para apoiar até 100 mil produtores, com ênfase em pequenos e médios agricultores.
Geovanne Tobias, CFO do Banco do Brasil, esclareceu que muitos clientes do agronegócio optaram por aguardar, resultando em um aumento da inadimplência no terceiro trimestre, mesmo após a implementação da medida provisória voltada para o setor.
Deterioração da carteira de crédito
Além da inadimplência observada nas carteiras de agronegócio e pequenas e médias empresas, o Citi alerta para a deterioração significativa na carteira de pessoa física, o que agora também gera preocupações.
“Tão preocupante quanto o pior desempenho dos empréstimos rurais é a contaminação na carteira de pessoas físicas, o que, em nossa avaliação, representa outro sinal alarmante”, afirmaram os analistas do banco.
Os índices de inadimplência nos pagamentos de 30 e 90 dias para pessoas físicas pioraram em 30 e 40 pontos-base respectivamente, em comparação com o trimestre anterior, refletindo uma deterioração de 240 pontos-base nos cartões de crédito.
O Citi observa que parte desse movimento deve-se à deterioração das condições financeiras dos produtores rurais, que também são clientes do banco.
Os especialistas ressaltam ainda que o índice de cobertura continua em queda, mesmo com o aumento das despesas com provisões, o que indica que novos créditos inadimplentes estão se acumulando rapidamente, obrigando o Banco do Brasil a aumentar as provisões, mesmo com as renovações de contratos em andamento.
Fonte: www.moneytimes.com.br

