Perspectivas para a Taxa Selic
A taxa Selic deve continuar a diminuir, embora em um ritmo menos acelerado do que o anteriormente previsto antes do início do conflito no Oriente Médio. Essa análise é do economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano. De acordo com ele, o Banco Central (BC) tem a expectativa de reduzir os juros em incrementos de 0,25 ponto percentual nas decisões futuras, com a previsão de encerrar o ano em 12,75%.
Postura Conservadora do Banco Central
Serrano enfatiza que o BC já apresentava uma abordagem conservadora no início do ciclo de flexibilização monetária e deve continuar a adotar essa postura. Ele menciona comentários do diretor de Política Monetária, Paulo Picchetti, que abordou o balanço de riscos. Na interpretação de Serrano, esse balanço pode se tornar mais assimétrico, refletindo uma maior chance de inflação subindo e com um desvio potencialmente mais contundente.
Cautela nas Decisões Futuras
"Nesse contexto, o BC tende a ser mais cauteloso e a realizar cortes mais gradualmente", afirma o economista. O ritmo das reduções, no entanto, estará condicionado ao cenário internacional. Se as condições externas se mostrarem mais favoráveis, o processo de redução de juros pode prosseguir com maior rapidez. Por outro lado, se o quadro permanecer tenso — em especial em relação ao comportamento dos preços do petróleo —, a tendência é de que o BC suspenda o ciclo antes do esperado.
Apesar disso, Serrano ressalta que há margem para cortes nos juros, visto que os níveis atuais ainda são bastante restritivos.
Nível Elevado dos Juros
"Os juros estão muito altos, na casa dos 14,75%. Trata-se de um patamar elevado", observa. Ele defende que o BC adotou a decisão correta ao esperar por evidências mais concretas antes de iniciar a redução, que começou a partir do nível de 15%, em março. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária está agendada para quarta-feira, 29.
Elementos para o Corte de Juros
O economista detalha que, no final do ano anterior, faltavam elementos que proporcionassem maior segurança para a decisão de corte, como sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica e melhorias consistentes em indicadores sensíveis, como a inflação nos serviços. O Banco Central ganhou confiança no início do ano e começou o processo de redução, mas precisou ser mais cauteloso devido ao agravamento das condições externas.
Projeções para o Cenário Econômico
O BC, de acordo com Serrano, tende a manter esse ritmo de redução de 0,25 ponto percentual durante o período eleitoral. Ele destaca a necessidade de observar se as pressões decorrentes do conflito atual vão impactar os preços dos serviços, apontando um risco maior de inflação no curto prazo. Já a médio prazo, o foco passa a ser o potencial desaceleramento da atividade econômica.
Diferença nos Preços dos Combustíveis
Serrano menciona ainda que o Brasil enfrenta um diferencial significativo nos preços dos combustíveis e alerta que, caso haja um reajuste para "equalizar" essa discrepância, o impacto pode refletir-se no índice geral de preços. A projeção do Bmg para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 está "perto de 5%", mas ele pondera que, se os combustíveis forem ajustados, "seremos impactados de forma negativa, ultrapassando os 5%".
Análise do Câmbio
Em relação ao câmbio, Serrano afirma que o dólar está próximo do seu valor justo, indicando que o atual contexto é relativamente favorável para a moeda brasileira, com a expectativa de que a cotação permaneça em torno de R$ 5 no curto prazo. No entanto, ele observa que, no segundo semestre do ano, o fluxo de dólares deverá diminuir "naturalmente", o que pode reduzir o suporte cambial.
Questões Fiscais e o Cenário Nacional
Abordando o cenário doméstico, o economista destaca a questão fiscal. Ele argumenta que o país se encaminha para uma dívida bruta próxima de 95% do Produto Interno Bruto (PIB) "em breve". A combinação do aumento da dívida com taxas de juros elevadas não é favorável, afetando a percepção de risco e a classificação de crédito.
Serrano acredita que "teremos que passar por um ajuste", afirmando que o Brasil "gasta de forma ineficaz" e criticando a falta de avanços estruturais, mencionando a Previdência como um problema. Ele defende a desindexação como uma agenda prioritária.
Considerações Finais sobre o Arcabouço Fiscal
Na avaliação de Serrano, o arcabouço fiscal não funcionou como uma âncora eficaz. Ele nota que as projeções de inflação estão desancoradas "há muito tempo", e o cenário após as eleições permanece incerto, com questões sobre as contas públicas e o papel das empresas estatais.
Serrano conclui enfatizando a necessidade de continuar os esforços para melhorias na economia nacional.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


