Queda Acumulada do TG Ativo Real
As cotas do fundo imobiliário TG Ativo Real (TGAR11) registraram uma queda superior a 40% desde o início do ano. Em meio a questionamentos sobre sua estratégia de investimentos, a gestora do fundo, TG Core Asset, emitiu um comunicado na quinta-feira (25) para responder às críticas sobre a administração da carteira e a governança do fundo.
Questionamentos da Imprensa e do Mercado
Nos últimos dias, diversas reportagens na mídia abordaram as preocupações de participantes do mercado em relação à precificação dos ativos e à maneira como os rendimentos estão sendo distribuídos pelo fundo.
No comunicado, a TG Core Asset destacou que as demonstrações financeiras do fundo obtiveram pareceres positivos dos auditores independentes, rebatendo a afirmação de que recursos oriundos da venda de ativos estavam sendo utilizados para efetuar pagamentos de dividendos aos cotistas.
Auditoria e Conformidade
“As demonstrações financeiras, tanto das Sociedades de Propósito Específico (SPEs) investidas quanto do TGAR11, são elaboradas por empresas especializadas, seguindo as normas contábeis brasileiras e a regulamentação pertinente, e são auditadas anualmente por auditoria independente”, informou a gestora.
A gestora ressaltou que, em todos os períodos auditados, as demonstrações financeiras do fundo receberam opiniões sem ressalvas dos auditores, confirmando que foram adequadamente elaboradas e que refletem a posição patrimonial e financeira em conformidade com as normas aplicáveis.
Segundo o comunicado, o trabalho de auditoria entre 2020 e 2024 foi conduzido pela Ernst & Young (EY), e a partir de 2025, a auditoria será realizada pela KPMG.
O Foco em Outras Regiões
Outro ponto de preocupação entre os investidores é a concentração do fundo em projetos localizados em regiões consideradas não tradicionais para o setor imobiliário, como São Paulo e Rio de Janeiro. A TG Core Asset, no entanto, acredita que essa estratégia é um dos diferenciais do fundo.
“Essa escolha é intencional e reflete nossa avaliação sobre o potencial econômico. As regiões de atuação apresentam fundamentos sólidos, crescimento do agronegócio, aumento populacional acima da média nacional, ascensão da renda e demanda habitacional que ainda não foi atendida por produtos formais e bem estruturados”, declarou a gestora.
“Ao direcionar investimentos para essas praças, o fundo se beneficia de oportunidades de desenvolvimento com menor concorrência e margens mais atrativas do que as observadas em mercados saturados. Temos uma forte convicção sobre o potencial dessas regiões”, complementou.
Gestão da Carteira de FIIs e CRIs
Um aspecto adicional que gerou questionamentos foi a estratégia híbrida do TGAR11, que mescla investimentos em desenvolvimento imobiliário e ativos financeiros, incluindo Certificados de Recebíveis (CRIs) e cotas de outros FIIs.
Apesar da redução dos rendimentos em comparação aos anos anteriores, o fundo continuou a distribuir dividendos, levando alguns investidores a suspeitar que a venda de cotas de FIIs e CRIs estaria sendo utilizada para manter os pagamentos aos cotistas, o que foi negado pela gestora.
“É importante esclarecer que os recursos provenientes da devolução de capital não podem ser utilizados para distribuir rendimentos, estando sujeitos a restrições regulatórias. A distribuição de rendimentos acontece com base nos resultados efetivamente disponíveis em caixa e nas regras aplicáveis aos FIIs, não sendo permitida a distribuição do principal investido nos ativos alienados”, destacou.
A gestora também mencionou que “o cenário macroeconômico impõe desafios significativos ao setor de desenvolvimento imobiliário, especialmente devido ao custo de capital, à maior seletividade na concessão de crédito imobiliário e a seus potenciais impactos sobre o ritmo de vendas e a conversão de recebíveis em caixa”.
Entretanto, enfatizou que o fundo possui baixa alavancagem relativa, patrimônio líquido superior a R$ 2 bilhões e um alto percentual de obras concluídas, além de uma estratégia concreta de redução de passivos e fortalecimento da geração de caixa.
Desempenho do IFIX
O mercado de FIIs teve uma melhora em suas operações na quinta-feira (25). O IFIX, que é o índice referência do setor na B3, encerrou o dia em 3.795,40 pontos, com um aumento de 0,38%, após três sessões de quedas consecutivas.
No entanto, desde o início de junho, o indicador apresenta uma queda de 2,12%, enquanto que, no acumulado do ano de 2026, ainda demonstra um crescimento de 0,53%.
Destaques do Último Pregão (25)
O fundo Urca Prime Renda (URPR11) foi o que mais se valorizou, apresentando um aumento de 4%. O TG Ativo Real (TGAR11) acompanhou com um crescimento de 3,42%, enquanto o BRPR Corporate Offices (BROF11) registrou uma alta de 2,19%.
| Ticker | Variação | Último |
|---|---|---|
| URPR11 | +4,00% | 23,40 |
| TGAR11 | +3,42% | 54,50 |
| BROF11 | +2,19% | 61,50 |
| KFOF11 | +1,81% | 79,79 |
| GTWR11 | +1,65% | 80,81 |
Em contrapartida, o fundo Vinci Logística (VILG11) liderou as perdas, com uma diminuição de 2,09%. O AF Invest Recebíveis Imobiliários (CACR11) caiu 1,55%, enquanto que o Átrio REIT Recebíveis Imobiliários (ARRI11) teve uma queda de 1,06%.
| Ticker | Variação | Último |
|---|---|---|
| VILG11 | -2,09% | 90,80 |
| CACR11 | -1,55% | 24,80 |
| ARRI11 | -1,06% | 4,68 |
| VRTA11 | -0,82% | 70,22 |
| MCRE11 | -0,68% | 8,70 |
Fonte: www.moneytimes.com.br