Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de Donald Trump
Em um desvio da sequência de colunas que analisam os impactos da Reforma Tributária no agronegócio em 2026, um evento significativo ocorreu: a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, divulgada na sexta-feira (20), que declarou inconstitucional o chamado “tarifaço” de Donald Trump.
O julgamento da Suprema Corte
A Suprema Corte dos Estados Unidos, em uma votação que resultou em 6 votos a favor e 3 contra, considerou inconstitucional a política de imposição unilateral de tarifas globais que foi adotada por Donald Trump a partir de meados do ano anterior. A Corte argumentou que o então presidente não possuía a autoridade para estabelecer ou ajustar tarifas de maneira ampla e discricionária, utilizando poderes de emergência, sem a aprovação do Congresso norte-americano.
De acordo com informações amplamente divulgadas na mídia, Trump justificava a imposição de tarifas “recíprocas” com base em supostos poderes emergenciais do Poder Executivo. Essa política afetou praticamente todos os países com os quais os Estados Unidos mantinham relações comerciais, frequentemente utilizando critérios que levantavam questionamentos e apresentavam um forte viés político.
A Suprema Corte, por sua vez, reafirmou que a Constituição dos Estados Unidos confere exclusivamente ao Congresso o poder de instituir tributos, o que se estende também às tarifas de importação. Dessa forma, sem a aprovação legislativa regular, qualquer imposição tarifária ampla e permanente por parte do Executivo é considerada uma violação da separação de poderes. O presidente da Corte teria afirmado que “os autores da Constituição não conferiram qualquer parte do poder tributário ao Poder Executivo”, resultando na essentially revogação do “tarifaço” unilateral.
Impactos para o agronegócio brasileiro
A decisão da Suprema Corte abre possibilidades significativas, pois pode levar à eliminação das tarifas adicionais que variavam de 10% a 40%, as quais estavam sendo aplicadas a diversos produtos do agronegócio brasileiro exportados para os Estados Unidos desde meados do ano passado, tendo em vista os trâmites processuais existentes.
Isso permitirá que produtos importantes na pauta de exportação do Brasil recuperem competitividade nas negociações da safra 2026/27, incluindo aqueles que ainda estão em trânsito. Itens como café solúvel, uva, mel e pescados podem se beneficiar em relação a concorrentes locais e países que estavam sujeitos a tarifas menores.
Além disso, produtos como carne bovina e algumas categorias de café que já haviam passado por negociações tarifárias no final do ano anterior também têm a chance de aumentar parte do valor agregado e se tornarem mais relevantes no mercado norte-americano. Essa mudança pode representar um alívio para o setor.
Desafios e oportunidades no agronegócio
Atualmente, o setor agropecuário enfrenta uma série de desafios, incluindo restrições no crédito, casos de inadimplência entre grandes players, aumento de custos fiscais — tema que foi abordado em colunas anteriores —, além de riscos operacionais e climáticos, sem contar a volatilidade nas principais commodities agrícola.
Nesse cenário, qualquer melhora nas condições do mercado externo, especialmente em relação a um parceiro comercial estratégico como os Estados Unidos, pode ser crucial. Essa melhora pode resultar na recuperação de volume de negócios, na recomposição de margens e na oferta de maior previsibilidade para produtores e exportadores.
Se a política tarifária foi a principal “arma” utilizada por Trump para forçar renegociações comerciais, ela agora se torna uma recordação distante, reiterando a importância da separação de poderes. Essa afirmação se evidencia ao observar que, ao menos nos Estados Unidos, a estrutura institucional ainda é funcional e possui a capacidade de impor limites a governantes que estão no poder temporariamente.
Perspectivas futuras
A perspectiva de que, ao menos nos Estados Unidos, a tripartição dos poderes concebida pelos pensadores iluministas permaneça intacta e, além disso, consiga impor limites ao governante em exercício, é um sinal positivo. Esses limites, somados à necessidade de ajuste de preços, à melhoria das margens e à maior previsibilidade nas práticas comerciais dentro da cadeia global de fornecimento de insumos e produtos, levam à antecipação de um cenário mais benéfico, principalmente a partir dos novos contratos para a safra 26/27.
Assim, a expectativa é de que haja um alívio significativo para aqueles envolvidos na produção, financiamento e iniciativas de empreendimento rural. Em colunas futuras, o foco retornará às discussões sobre como as tarifas locais — que poderiam ser apelidadas de “taxaços”, em referência ao seu criador — poderão continuar a gerar ruídos no cotidiano dos que produzem, trabalham e geram renda e empregos no setor agrícola.
Fonte: www.moneytimes.com.br


