Como consumidores e vendedores podem se resguardar contra a nova onda de fraudes – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

Como consumidores e vendedores podem se resguardar contra a nova onda de fraudes – Educação Financeira – As principais notícias do mercado financeiro.

by Rafael Martins
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Entre janeiro e março de 2025, o Brasil registrou 3,5 milhões de tentativas de fraudes, marcando um aumento de 22,9% em comparação ao ano anterior. A pressão que a demanda da Black Friday exerce na infraestrutura digital contribui para essa elevação. No ano de 2024, durante o evento, foram bloqueados 32,4 mil ataques, que resultaram em um prejuízo estimado de R$ 51,8 milhões. No sábado seguinte ao evento, já haviam sido identificadas outras 17,8 mil tentativas de fraudes, segundo dados da Serasa Experian e Clear Sale. De acordo com Eduardo Lopes, CEO da Redbelt, uma consultoria especializada em segurança cibernética, “a Black Friday não termina quando o consumidor finaliza a compra. Para o crime digital, é exatamente nesse momento que a operação começa.”

A dinâmica dos golpes

Ainda que a compra seja realizada em um site considerado confiável, utilizando um cartão protegido e com autenticação em dois fatores, tanto o consumidor quanto o vendedor permanecem vulneráveis mesmo após a Black Friday. Os criminosos se aproveitam de dados que podem ter sido vazados ou interceptados após a compra, como número do pedido, nome da transportadora e previsão de entrega, para enviar mensagens falsas que imitam comunicações oficiais. Essa tática combina a obtenção de informações com engenharia social, criando um cenário propício para fraudes.

As interações relacionadas ao rastreamento de pedidos, mensagens de atualização sobre a entrega, solicitações de confirmação de dados, devoluções, pedidos de reembolso e atendimentos automatizados são o ambiente ideal para o crescimento dos golpes. Muitas vezes, essas interações ocorrem em plataformas diferentes das originais, como SMS, WhatsApp e e-mail, tornando mais fácil para os golpistas disfarçar páginas falsas, clonar processos de atendimento e simular comunicados oficiais.

Embora os golpes sejam frequentemente relacionados ao consumidor final, os vendedores também são severamente impactados, especialmente pequenas e médias empresas que operam com margens de lucro reduzidas e equipes reduzidas. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam que, em 2025, o e-commerce brasileiro deve gerar uma movimentação de R$ 224,7 bilhões, com devoluções correspondendo a cerca de 10% das transações, o que aumenta o potencial de prejuízos causados por fraudes.

Os tipos de fraudes que ocorrem nesse período aproveitam as vulnerabilidades em processos de devoluções, reembolsos e fluxos automatizados, provocando prejuízos que podem impactar o caixa das empresas, distorcendo indicadores de logística e até mesmo resultando no bloqueio de contas de pagamento. Para muitos empreendedores, o risco se estende não apenas à venda, mas a tudo que acontece posteriormente, momento em que os golpistas encontram um ambiente mais propício para agir.

Segundo a INGENI, a divisão de inteligência da Redbelt, existem cinco categorias principais de fraudes que ocorrem no “pós-Black Friday”:

  • Phishing e engenharia social: Golpistas se disfarçam como empresas confiáveis para induzir os usuários a clicarem em links falsos, fornecerem dados sensíveis ou instalarem malware. As iscas são transmitidas por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens, sempre com um tom de urgência.
  • Estorno abusivo: O fraudador utiliza seu próprio cartão para realizar uma compra, recebe o produto e, posteriormente, alega que a compra não foi autorizada ou que o item não chegou, forçando o estorno automático.
  • Fraude de devolução com dados legítimos: O fraudador realiza a compra utilizando seus dados reais, recebe o item e afirma não ter recebido. Muitas vezes, ele aciona simultaneamente o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC), a transportadora e a operadora de cartão de crédito para criar confusão e pressionar o reembolso.
  • Devolução com caixa vazia: O criminoso retira o produto de sua embalagem original, substitui por um objeto de peso semelhante para simular o conteúdo e devolve a caixa alegando defeito, o que obriga o varejo a arcar com um prejuízo duplo: logística e item perdido.
  • Aluguel disfarçado: O fraudador adquire uma peça de roupa ou um item de uso esporádico, utiliza-o de acordo com sua finalidade e, dentro do prazo legal, devolve-o alegando insatisfação. O varejo trata essa devolução como legítima e reembolsa o valor integralmente.

Como consumidores podem se proteger dos golpes

Mensagens fraudulentas sobre entrega, endereços falsos e roubo de dados continuam a ser a base dos golpes, agora exacerbados pela utilização da inteligência artificial. Eduardo Lopes destaca que “a pressa para acompanhar o status do pedido é o gatilho perfeito para golpes de phishing.”

A desconfiança é sua melhor aliada:

  • Duvide de links inesperados que aparecem em mensagens.
  • Evite fornecer códigos ou dados bancários em resposta a solicitações inesperadas.
  • Digitar manualmente os endereços dos sites pode aumentar a segurança.
  • Mantenha sempre a autenticação em dois fatores ativada em suas contas.
  • Considere reduzir temporariamente o limite de transações instantâneas pelo PIX.
  • Fotografe os produtos antes de devolvê-los e mantenha cópias dos protocolos de devolução.

Como quem vende pode se proteger

Para varejistas e empresas do comércio eletrônico, o período pós-Black Friday apresenta riscos elevadíssimos, especialmente para pequenas e médias empresas, que estão mais expostas a fraudes relacionadas a devoluções e reembolsos. Segundo a Redbelt, um dos destaques de 2025 é o crescente profissionalismo dos ataques. “Estamos presenciando fraudes que são mais inteligentes e automatizadas. Atualmente, muitos golpes são executados por bots, utilizando técnicas de automação e aproveitando dados de vazamentos anteriores. Trata-se de um modelo industrial, rápido, lucrativo e difícil de rastrear”, afirma Lopes.

Os sinais de alerta mais comuns incluem:

  • Reclamações repentinas relacionadas a entregas.
  • Mensagens suspeitas sendo disseminadas entre clientes.
  • URLs semelhantes circulando nas redes sociais.
  • Aumento de acessos a páginas inexistentes do domínio oficial.

Para mitigar os riscos, vale implementar as seguintes medidas:

  • Reforçar os canais oficiais de comunicação.
  • Monitorar o surgimento de domínios falsos.
  • Criar fluxos de resposta rápida para situações críticas.
  • Inserir avisos claros e visíveis no processo pós-compra.
  • Realizar análises de risco e inspeções físicas em devoluções de maior valor.
  • Bloquear contas que apresenta índices anômalos de devolução.
  • Aplicar limitações na taxa de transferência em APIs de devolução e exigir autenticação multifatorial para pedidos de reembolso.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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