Falta de Comunicação sobre Heranças entre Pais e Filhos Adultos
Um novo estudo sugere que os americanos mais velhos têm aversão a discutir heranças com seus filhos adultos. Aproximadamente dois terços — 68% — dos pais com 55 anos ou mais que possuem pelo menos $500.000 em ativos investíveis não informaram a seus filhos o que irão herdar ou se receberão algo. Isso foi revelado no Estudo de Família e Finanças de 2025, realizado pela Fidelity Investments. Cerca de um terço, 35%, prefere não revelar o valor que seus filhos irão herdar.
A relutância em compartilhar planos patrimoniais é comum, conforme afirmam consultores financeiros. Os motivos variam, incluindo o receio de desmotivar os filhos ou provocar conflitos, além de um desconforto geral ao discutir questões financeiras, como explicou o planejador financeiro certificado Mitchell Kraus, fundador e principal da Capital Intelligence Associates, localizada em Santa Monica, Califórnia. “Entretanto, evitar a conversa geralmente gera problemas maiores mais tarde”, afirmou Kraus.
$124 trilhões devem ser herdados até 2048
O estudo da Fidelity abordou pais com 55 anos ou mais que possuem pelo menos $500.000 em ativos investíveis e cujos filhos têm idades entre 25 e 54 anos, além de uma amostra correspondente de adultos nessa faixa etária que possuem um pai vivo nessa mesma categoria. A grande maioria desses filhos adultos — 95% — afirma estar preparada para administrar a riqueza herdada, conforme constatou a Fidelity, mesmo com 25% dos pais discordando dessa afirmação.
Estima-se que entre 2024 e 2048, cerca de $124 trilhões serão transferidos por meio das gerações chamadas baby boomers — aqueles nascidos entre 1946 e 1964 — e de gerações mais velhas, segundo pesquisas da Cerulli Associates. Deste total, espera-se que $105 trilhões sejam destinados a herdeiros, enquanto o restante será direcionado a instituições de caridade. Mais da metade desse montante de $124 trilhões deverá vir de indivíduos que possuem pelo menos $5 milhões em ativos investíveis, conforme os dados da Cerulli.
Compartilhando Informações sem Revelar Números Exatos
Consultores financeiros geralmente recomendam que os pais discutam seus planos patrimoniais com seus filhos adultos, mesmo que apenas forneçam uma visão geral. “Nós geralmente sugerimos que eles pelo menos informem seus filhos sobre como os ativos serão divididos”, disse K.C. Smith, planejador financeiro certificado e associado de gerenciamento da Henssler Financial em Kennesaw, Geórgia, que este ano ocupou a 46ª posição na lista dos 100 melhores consultores financeiros da CNBC.
“Você pode compartilhar algumas informações básicas sobre a estrutura do seu plano patrimonial, mas pode manter os números exatos em sigilo se achar que isso seria problemático”, acrescentou Smith. Um plano patrimonial não se restringe apenas aos ricos; em termos simples, deve incluir não só um testamento que delineia para onde seus ativos devem ser direcionados, mas também quem terá poderes de procuração para decisões financeiras caso você não possa administrá-las por conta própria, além de um testamento vital, que especifica suas vontades em relação aos cuidados de saúde no final da vida.
Há uma situação específica em que pode ser mais adequado não discutir os planos com um filho adulto, conforme observou o planejador financeiro certificado David Kozlowski, presidente da Verus Financial Partners, em Richmond, Virginia, que ocupou a 8ª posição na lista da CNBC este ano. Essa situação ocorre “quando eles ainda estão permitindo que seu filho adulto dependa financeiramente deles”, disse Kozlowski. Se o objetivo é a independência financeira, “discutir a herança com filhos que os aposentados ainda estão sustentando levará a uma maior dependência dos pais, não a menos dependência, conforme nossa experiência”, completou.
Gerenciando Heranças Desiguais
Além disso, pode ser mais complicado querer compartilhar informações sobre a distribuição desigual dos seus bens — ou seja, um irmão recebendo mais ou menos do que o outro. No entanto, consultores financeiros geralmente recomendam que a conversa seja abordada para evitar conflitos após a sua partida. “Quando os pais explicam o raciocínio por trás de suas decisões, quase sempre os filhos adultos respondem melhor, mesmo que o plano não seja perfeitamente equitativo”, disse Kraus. “Isso fornece contexto e previne aquele momento clássico, no futuro, em que alguém pergunta: ‘Por que a mamãe fez isso?’ em um momento em que ninguém pode responder.”
Smith acrescentou que outra razão para evitar conversar sobre números exatos é que “só porque há X dólares hoje, não significa que será assim no momento da morte”. As circunstâncias vão mudar, e é impossível prever a magnitude dessa mudança. “Se algo acontecer que não projetamos, então o montante herdado pode ser substancialmente diferente”, explicou Smith.
Entretanto, se a herança provavelmente afetará a programação patrimonial ou de impostos do filho de forma inesperada, pode ser útil dar a eles uma ideia mais clara do que poderá vir. Também é aconselhável incluir outras informações importantes relacionadas ao planejamento patrimonial com seus filhos adultos, como quem devem contatar se algo acontecer com você, onde o testamento ou o documento de trust está armazenado — “coisas desse tipo, para que não fiquem perdidos no momento em que, evidentemente, estarão de luto e lidando com um processo de inventário, que pode ser complicado”, concluiu Smith.
Fonte: www.cnbc.com

