À primeira vista, a tarefa de calcular a rentabilidade de ações pode parecer bastante complexa para o investidor iniciante. Entretanto, para saber como multiplicar seu dinheiro, é fundamental entender quais papéis proporcionarão o melhor retorno, além de comparar diferentes investimentos e outros aspectos relevantes. Portanto, o ideal é se informar mais sobre o universo das aplicações. Para ajudar aqueles que estão começando nessa jornada, reunimos dicas e recomendações valiosas. No final, além de calcular a rentabilidade das ações, você perceberá que esse tema não é tão complicado quanto parece.
O que é a rentabilidade de ações?
A rentabilidade de uma aplicação é um percentual que retorna ao investidor sobre a quantia que ele investiu, como acontece na compra de ações. Esse conceito é crucial, uma vez que permite avaliar se um investimento está tendo um desempenho satisfatório em comparação a outros. Por exemplo, é possível comparar a rentabilidade de ações com a daquela que se obteria ao deixar o dinheiro parado na poupança ou investir em um Certificado de Depósito Bancário (CDB).
“Em termos simples, para calcular a rentabilidade, devo comparar quanto tinha antes de realizar o investimento na compra das ações e quanto tenho em um dado momento”, explica Marcelo Lema, professor de Finanças da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
O especialista ainda esclarece que, no contexto das ações, existem dois tipos principais de ganhos: a valorização e o pagamento de dividendos. “Se você comprou R$ 100 em ações há um mês e hoje pode vendê-las por R$ 150, você obteve um ganho de R$ 50 sobre o investimento inicial. Portanto, a rentabilidade seria de 50%”, detalha Lema.
No que diz respeito aos dividendos, estes representam uma parte dos lucros que uma empresa distribui entre seus acionistas. “No Brasil, os investidores geralmente se preocupam mais com a valorização das ações e frequentemente esquecem de considerar os dividendos, que ainda não são tão comuns na nossa cultura”, analisa o professor.
Para ilustrar, considere o exemplo anterior. Se você comprou R$ 100 em ações e a empresa paga R$ 20 em dividendos, isso significa que você ganhou 20% sobre o valor investido devido aos dividendos.
Qual a diferença entre rentabilidade e lucratividade?
Os conceitos de rentabilidade e lucratividade são similares, porém o primeiro é considerado mais relevante e mais fácil de compreender, pois serve como referência para avaliar o rendimento de diferentes tipos de investimento. “A rentabilidade representa tudo o que o investidor ganha em relação ao investimento que fez”, resume Lema. “No nosso exemplo, se uma ação foi adquirida por R$ 100, valorizou ao ser vendida por R$ 150 e também pagou R$ 20 em dividendos, o investidor terá ganho R$ 70 no total, o que corresponde a uma rentabilidade bruta de 70%.”
O conceito de lucratividade é semelhante, mas foca nos valores monetários. O professor explica que, no exemplo mencionado, o retorno bruto foi de R$ 70, mas é importante considerar que ao comprar ações, existem algumas taxas que precisam ser pagas, como taxas de corretagem ou emolumentos, além de eventuais impostos.
“É necessário descontar do retorno total essas taxas e tributos para verificar a lucratividade”, esclarece Lema. “Supondo que, após os descontos, sobram R$ 60 dos R$ 70 de retorno total, essa é a lucratividade.” Enquanto a rentabilidade é expressa em percentual, a lucratividade é frequentemente apresentada em valores monetários, apesar da proximidade entre os conceitos.
Por que aprender a calcular a rentabilidade de uma ação?
A motivação de quem deseja investir é geralmente multiplicar o dinheiro. Portanto, conhecer a melhor forma de atingir esse objetivo passa pela importância de saber calcular a rentabilidade de uma ação. “Quando você está ciente de quanto uma ação está gerando de rentabilidade, consegue administrar melhor seu investimento”, resume Lema. Assim, ao comparar sua ação com outros investimentos e perceber que ela está com boa rentabilidade, o investidor se sente satisfeito e mantém aquele investimento. Caso contrário, ele pode decidir sair do investimento e migrar para outra opção com maior potencial.
Por exemplo, imagine um investidor que comprou ações da empresa X, e agora essas ações estão apresentando uma rentabilidade negativa. Ele pode escolher esperar um pouco mais, na esperança de recuperar a perda. Alternativamente, pode optar por não confiar mais na recuperação rápida das ações, admitindo a perda e decidindo alocar seu capital em uma ação com melhores perspectivas de crescimento.
A analogia de um jóquei que, durante uma corrida, percebe que seu cavalo começa a perder velocidade e decide trocar para um cavalo mais veloz ilustra a importância de calcular a rentabilidade na hora de decidir em qual ação investir ou onde manter os investimentos.
Como calcular a rentabilidade dos investimentos em ações?
Calcular a rentabilidade das ações requer a utilização de alguns indicadores que podem ser úteis ao investidor. Segundo o professor Marcelo Lema, para iniciantes, é aconselhável conhecer três indicadores: rentabilidade sobre o ganho de capital, dividend yield e P/L (preço sobre lucro).
Rentabilidade sobre os ganhos
A rentabilidade sobre os ganhos é a melhor forma de avaliar se um investimento está gerando desempenho positivo em comparação a outras opções. Para calcular a rentabilidade de uma ação, é essencial considerar a variação de seu preço, ou seja, sua valorização ou desvalorização ao longo do tempo.
Se alguém comprou R$ 4.000 em ações há três anos e vendeu por R$ 5.000, a valorização ao longo do período foi de R$ 1.000, resultando em uma rentabilidade de 25%. Essa é a rentabilidade nominal, que não desconta a inflação. A rentabilidade real, por outro lado, considera a inflação acumulada no mesmo período.
Supondo que, ao longo de três anos, a inflação tenha sido de 8%, a rentabilidade nominal de 25% se tornaria uma rentabilidade real de 17% quando o valor da inflação for descontado.
Dividend yield
O dividend yield, ou rendimento de dividendos, é um indicador que fornece uma estimativa do retorno em dividendos de uma aplicação em ações. Como mencionado, os dividendos são parte do lucro que as empresas distribuem aos seus acionistas.
Esse indicador permite que o investidor compare o potencial de pagamento de dividendos em relação ao custo de aquisição das ações. No entanto, não é aconselhável avaliar uma ação somente com base no dividend yield, pois uma taxa elevada pode indicar uma queda nas ações ou uma distribuição pontual de dividendos que não será mantida.
P/L (Preço/Lucro)
O índice preço/lucro (P/L) relaciona o preço das ações de uma empresa com seu lucro por ação. Esse indicador é amplamente utilizado pelos investidores para determinar a avaliação relativa de uma ação. Para calcular o valor do P/L, deve-se dividir o preço atual da ação pelo lucro por ação.
A relação P/L auxilia na análise de se uma ação está supervalorizada ou subvalorizada. Assim como ocorre com outros indicadores, o P/L não deve ser analisado isoladamente, sendo recomendado utilizá-lo em conjunto com outros parâmetros.
Outros indicadores
Existem muitos outros indicadores que fornecem informações valiosas sobre uma empresa, seu desempenho passado, presente e expectativas futuras. Entre eles estão LPA (Lucro por Ação), P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial), ROE (Return on Equity) ou EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Muitos especialistas sugerem que um investidor iniciante deve seguir algumas recomendações ao invés de tentar dominar todo esse leque de indicadores. “É essencial não concentrar os investimentos em uma única ação de uma única empresa. Prefira diversificar sua carteira, incluindo ao menos cinco ou seis empresas de setores diferentes, o que pode melhorar a rentabilidade e mitigar riscos”, indica Marcelo Lema.
Para montar uma boa carteira, é necessário observar o mercado, pois investir é mais do que simplesmente alocar dinheiro. O investidor deve procurar entender quais empresas têm potencial de crescimento a partir de diferentes cenários futuros.
Pesquisas em fontes confiáveis podem fornecer informações adicionais. Se houver dúvidas, Lema recomenda buscar a ajuda de uma assessoria de investimentos, que poderá oferecer orientações para formar uma carteira de ações com boas perspectivas de lucro.
Além disso, conforme afirmam os especialistas, é importante ter um objetivo e pensar a longo prazo, como investir para a compra de uma casa em cinco anos ou garantir uma aposentadoria em vinte anos. Investir no mercado financeiro com uma visão de curto prazo não é aconselhável para iniciantes.
Existe segredo para aumentar a rentabilidade de ações?
Esses que consideram investir podem se perguntar se existe um segredo para obter retornos favoráveis na Bolsa de Valores. “Na verdade, não é um segredo. Para melhorar a rentabilidade, você precisa fazer escolhas acertadas. Essas decisões vêm da observação do mercado, e não de um mero palpite”, esclarece Lema.
O investidor deve observar cuidadosamente onde aloca seu dinheiro e se isso faz sentido. Portanto, é essencial estudar e se informar sobre o mercado, pois esse conhecimento é vital para a realização de bons investimentos.
Se um investidor decidir adquirir ações de um banco grande, é aconselhável fazer perguntas como:
- Esse é um investimento atrativo?
- Quais as últimas informações sobre o desempenho desse banco nos últimos meses ou anos?
- Quais são as previsões para o banco nos próximos anos?
- Essa é uma empresa grande e estável?
- A empresa está em crescimento?
- Os lucros estão aumentando ou diminuindo?
- Qual é a expectativa de crescimento?
- Como a concorrência se comporta em relação a outros bancos no mercado?
Responder a essas perguntas ajuda a fundamentar a decisão de investimento, aumentando a probabilidade de ganhos.
Como investir em ações da Bolsa de Valores?
Compreendendo como calcular a rentabilidade das ações, agora é importante saber os passos necessários para iniciar o investimento na Bolsa de Valores. De acordo com especialistas, existem algumas etapas recomendadas.
Antes de começar, é aconselhável criar uma reserva de emergência, pois é preciso ter em mente que os recursos destinados à compra de ações devem gerar retorno ao longo de alguns anos.
O investidor deve estar ciente de que não poderá contar com
esses recursos a curto prazo, para não prejudicar a rentabilidade. Geralmente, a reserva de emergência deve ser equivalente a pelo menos seis meses do custo de vida.
Uma vez constituída a reserva de emergência, é importante que o investidor entenda seu perfil (conservador, moderado ou arrojado) e estabeleça um objetivo para o investimento. O perfil está alinhado à propensão a assumir riscos.
Os investimentos em renda variável são mais adequados para aqueles com perfis moderado ou arrojado, segundo especialistas. Por outro lado, compreender o objetivo significa ter clareza sobre os resultados esperados a partir das aplicações financeiras.
O próximo passo é abrir uma conta em uma corretora de valores. Ao escolher uma instituição, o investidor deve buscar referências. É a corretora que permitirá o acesso ao sistema de compra e venda de ações. Com a conta aberta, o investidor deve transferir os valores que planeja investir.
O próximo passo é acessar o home broker, um sistema de operações online que viabiliza a compra e venda de ações. É uma boa prática estudar o funcionamento do home broker da corretora escolhida.
O investidor deve analisar as diferentes opções de investimento, coletar o máximo de informações possíveis sobre as empresas e fazer suas escolhas, levando em consideração seu objetivo e perfil. A partir das ordens de compra, ele utilizará os valores transferidos para adquirir as ações selecionadas.
Ao acompanhar os resultados, é fundamental ter em mente que os investimentos devem ser avaliados a longo prazo. Portanto, o investidor não deve se alarmar com as flutuações diárias nos preços das ações.
A valorização das ações acontece ao longo do tempo. Assim, o comportamento das ações em semanas ou meses não deve alarmar o investidor. O que realmente importa é a performance ao longo de um período mais longo.
Uma recomendação final é a importância da consistência dos investimentos. Especialistas afirmam que, mesmo mais relevante do que um grande aporte inicial, é realizar investimentos regulares, mesmo que em quantias pequenas, mensalmente. A persistência é um grande trunfo para o investidor.
Fonte: borainvestir.b3.com.br