Como o acúmulo de dispositivos por parte dos americanos está impactando a economia.

A Persistência com Dispositivos Antigos

Se você está segurando seu printer envelhecido ou smartphone com tela quebrada por mais tempo do que planejava, saiba que não está sozinho.

A Experiência de Heather Mitchell

Heather Mitchell, 69 anos, aposentada e residente em Tucson, Arizona, sente-se satisfeita com seu celular, mesmo considerando que ele está ultrapassado em comparação aos padrões atuais de smartphones. "Meu Samsung Galaxy A71 tem seis anos. Para um modelo tão antigo, ele está se saindo surpreendentemente bem. Já enfrentei problemas com ele, e ainda enfrento, mas são questões menores", comentou Mitchell. "Adoro os celulares da Samsung, mas não consigo arcar com a compra de um novo no momento. Um celular novo seria um luxo."

A Tendência de Prolongar o Uso de Dispositivos

De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Reviews.org, o americano médio atualmente mantém seu smartphone por 29 meses, e esse período está se alongando; em 2016, a média era de 22 meses. Embora prolongar a vida útil dos dispositivos possa economizar dinheiro no curto prazo, especialmente em um cenário de incertezas quanto à força do mercado consumidor e de emprego, isso pode custar caro à economia a longo prazo. Este efeito é ainda mais evidenciado quando o acúmulo de dispositivos antigos ocorre no nível corporativo.

Impacto da Atualização de Equipamentos na Produtividade

Uma pesquisa divulgada pelo Federal Reserve no mês passado revelou que cada ano adicional que as empresas atrasam a atualização de equipamentos resulta em uma queda de produtividade de cerca de um terço de um por cento. Os padrões de investimento são responsáveis por aproximadamente 55% das lacunas de produtividade entre economias avançadas. O lado positivo é que as empresas nos Estados Unidos geralmente investem mais rapidamente na substituição de equipamentos antigos. O relatório do Federal Reserve indica que, se a produtividade na Europa tivesse acompanhado os padrões de investimento dos EUA desde 2000, a lacuna de produtividade entre os EUA e os grandes países europeus teria sido reduzida em 29% no Reino Unido, 35% na França e 101% na Alemanha.

Consequências do Atraso na Atualização Tecnológica

Os especialistas concordam que a perda de produtividade e a ineficiência são consequências indesejadas da insistência de pessoas e empresas em tecnologias envelhecidas. "Considere como as velocidades de internet mudaram na última década ou mais. Na década de 2010, velocidades de 100 MB eram consideradas rápidas e muito boas. Dez anos depois, estamos operando a 1 GB, que é aproximadamente 10 vezes mais rápido", afirmou Cassandra Cummings, CEO da empresa de design eletrônico Thomas Instrumentation, baseada em Nova Jersey. A operação em velocidades superiores de GB requer hardware eletrônico diferente, e muitos dispositivos antigos simplesmente não conseguem lidar com essa modernização.

Desafios para Infraestruturas Tecnológicas

Segundo Cummings, isso pode ser uma carga para as redes nacionais. "Tanto a infraestrutura celular quanto a de internet precisam funcionar de maneira compatível com versões anteriores para suportar dispositivos antigos e mais lentos. Muitas vezes, as redes precisam diminuir suas velocidades para acomodar o dispositivo mais lento", complementou. "Com frequência, seções inteiras de redes ou redes internas de empresas operam mais lentas do que poderiam se todos os dispositivos estivessem alinhados com os novos padrões."

O Custo das Atualizações Constantes

Cummings reconhece que se manter atualizado com novos dispositivos e hardware é caro. "Muitas empresas, especialmente as pequenas, e pessoas individuais não conseguem acompanhar a constante atualização para os dispositivos mais novos", afirmou. Para facilitar a transição para novas tecnologias, ela sugere que os designs sejam mais reparáveis ou modulares, ao invés de um ciclo constante de descarte e reposição. "Talvez os dispositivos do futuro possam ter atualizações parciais, como em comunicações ethernet, ao invés de forçar a compra de um computador ou dispositivo completamente novo", sugeriu Cummings. "Não sou fã da cultura do descarte que temos atualmente. Embora possa ajudar a economia a gastar mais e forçar atualizações, isso realmente beneficia aqueles que já estão lutando para pagar suas contas?"

O Mercado de Reposição de Dispositivos

Empreendedores no mercado de revenda de dispositivos veem a durabilidade dos aparelhos mais antigos como uma história de sucesso que pode ser aprimorada. Steven Athwal, CEO da The Big Phone Store, uma empresa britânica especializada em celulares reformados, ressalta que a longevidade dos dispositivos não é o problema. "A questão é o descompasso. Empresas e indivíduos estão tentando realizar cargas de trabalho modernas em hardware antigo, pesado em processamento e administração, o que cria um atraso na produtividade. Coisas como processadores lentos, software desatualizado e baterias degradadas em tecnologias mais antigas desperdiçam energia e moral", explicou Athwal.

Ele acrescenta que quando as pessoas mantêm seus celulares ou laptops por cinco ou seis anos, o mercado de reparos e reforma se torna uma parte ativa da economia. No entanto, atualmente, em mercados europeus, americanos e globais, muito desse mercado ocorre nas sombras. "É não regulado, subnotificado e subutilizado. Se governos e grandes empresas de tecnologia apoiassem adequadamente a reforma, os dispositivos envelhecidos poderiam contribuir para uma economia circular sustentável", concluiria Athwal, melhorando o ciclo de segunda mão ao estender o suporte a software, melhorar o acesso a peças e tratar a reparação como infraestrutura.

O Atraente Lançamento de Novos Dispositivos

Ainda assim, alguns fabricantes de dispositivos encontraram maneiras de incentivar os consumidores a abandonarem seus aparelhos mais antigos por modelos mais novos. Por exemplo, a Apple teve um de seus lançamentos mais bem-sucedidos com o iPhone 17, e a inteligência artificial poderia representar uma mudança de jogo.

Desafios Enfrentados por Pequenas Empresas

Najiba Benabess, reitora da escola de negócios da Neumann University, explica que o aumento dos preços e as preocupações com a sustentabilidade são algumas das razões pelas quais "os gadgets da América estão envelhecendo", mas ressalta que o mercado deveria focar na lentidão da produtividade, no aumento das despesas de reparo e manutenção, e no acesso limitado a atualizações de software e ganhos em eficiência. "As pequenas empresas, em particular, perdem horas valiosas anualmente devido a sistemas obsoletos, criando o que os economistas chamam de ‘atraso na produtividade’", destacou Benabess. Em escala nacional, isso se traduz em bilhões de dólares em perda de produção e redução na inovação. "Enquanto manter dispositivos por mais tempo pode parecer financeiramente ou ambientalmente responsável, o custo oculto é uma erosão silenciosa do dinamismo e da competitividade econômica", acrescentou.

O Descompasso entre Empresas e Indivíduos

A maioria das pessoas ainda deseja os telefones e tablets mais novos e atualizados, de acordo com Jason Kornweiss, vice-presidente sênior de serviços de consultoria da Diversified, fornecedora global de soluções tecnológicas. No entanto, a pesquisa demonstra uma crescente disparidade entre empresas e indivíduos em relação a dispositivos envelhecidos. "As corporações, que possuem centenas ou milhares de colaboradores, não estão investindo na mesma intensidade", afirmou Kornweiss, acrescentando que a tecnologia está mudando tão rapidamente que os departamentos de TI não conseguem acompanhar o ritmo, e grandes corporações precisam verificar a tecnologia mais recente, o que leva tempo. Assim, quando finalmente realizam essa verificação, já há algo novo no mercado. O resultado é que empresas operam com tecnologias cada vez mais defasadas.

As Implicações da Inércia Tecnológica

"As empresas estabelecem um ciclo de vida que se estende por vários anos. Os colaboradores encaram a substituição de dispositivos como algo penoso, e muitos ficam desapontados quando o departamento de TI chega com um novo equipamento", disse Kornweiss, mesmo que se trate de uma atualização significativa. O custo para a organização é então refletido na falta de produtividade, na incapacidade de multitarefa e inovação e nas horas extras desnecessárias que se acumulam. Uma pesquisa de local de trabalho realizada pela Diversified no ano passado revelou que 24% dos colaboradores trabalham fora do horário regular devido a problemas de tecnologia envelhecida, enquanto 88% relatam que a tecnologia inadequada no ambiente de trabalho sufoca a inovação. Kornweiss acredita que não houve melhoria nesses números no último ano.

A Relação entre Familiaridade e Produtividade

Há uma desconexão entre os dados e os comportamentos. Muitos trabalhadores afirmam que dispositivos envelhecidos prejudicam a produtividade, mas, assim como um par de sapatos favorito ou um suéter antigo, eles não desejam abrir mão desses aparelhos para aprender a lidar com um novo dispositivo (que terão que substituir novamente depois). A familiaridade pode prevalecer sobre a produtividade para muitos trabalhadores. Contudo, a consequência dessa resistência à mudança é sentida nos resultados financeiros.

"Productividade é prejudicada e isso tem um impacto tangível na economia", afirmou Kornweiss. O maior ativo que um trabalhador possui é o tempo, segundo ele, e dispositivos mais antigos consomem isso. As políticas de trazer seu próprio dispositivo (BYOD) podem ser uma salvação para empresas lentas na atualização, permitindo que indivíduos usem seus próprios dispositivos funcionais que se integram facilmente à maioria dos sistemas de trabalho atualmente. Outra opção para empresas que não querem adquirir um grande número de dispositivos que rapidamente ficam obsoletos é o leasing.

Kornweiss antevê um futuro em que a tecnologia continua a avançar a um ritmo acelerado, e as empresas terão dificuldades em acompanhar. Assim como indivíduos como Heather Mitchell continuarão a manter seus dispositivos por mais tempo. "Eu costumo segurar meu telefone até que não haja mais escolha. Em 26 anos, este é apenas o meu quinto telefone", concluiu Mitchell.

Fonte: www.cnbc.com

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