Expectativas do Mercado
Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a taxa em 14,50% ao ano, os mercados já tacitamente reconheceram essa mudança. Agora, os investidores buscam prever o comportamento do Ibovespa no pregão desta quinta-feira (30).
Em mercados externos, o índice EWZ, que replica o desempenho do índice MSCI Brasil e inclui as principais ações da bolsa brasileira, registrava alta de 0,39%, alcançando o valor de US$ 38,80, às 19h10 (horário de Brasília). No pregão regular anterior, o índice havia fechado com uma baixa de 2,62%, valendo US$ 36,65.
Com este cenário preliminar do EWZ, as previsões para o Ibovespa (IBOV) indicam uma reação mais moderada à decisão do Copom. De acordo com a economista do BTG Pactual, Iana Ferrão, isso ocorre enquanto o desempenho do índice continuará a ser influenciado por fatores externos, como evidenciado durante o Giro Especial do Copom.
Na quarta-feira (29), o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, encerrava o dia com uma queda de 2,05%, posicionando-se em 184.750,42 pontos.
Movimento dos Juros Futuros
A equipe da Warren Rena projeta um movimento moderado na curva de juros futuros, sugerindo que a precificação atual tende a indicar um ciclo mais curto. A decisão do Copom deve ser considerada numa perspectiva secundária, em vista das elevadas incertezas do mercado externo.
Nesta quarta-feira, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, um título de curtíssimo prazo, viu um aumento de 9 pontos-base, encerrando o dia em 14,205%, comparado aos 14,115% do fechamento anterior. Para janeiro de 2036, que representa um título de longo prazo, a taxa finalizou a sessão a 13,820%, um aumento de 22 pontos-base em relação ao fechamento de 13,600% da última segunda-feira (28).
Comportamento do Dólar
No dia anterior, o dólar à vista (USDBRL) terminou a sessão cotado a R$ 5,0018, apresentando uma alta de 0,39%, em consonância com o movimento do índice DXY.
De acordo com Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, a moeda brasileira deve continuar se beneficiando do movimento de carry trade, uma vez que o diferencial de juros permanece elevado.
Decisão do Banco Central
Na quarta-feira (29), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa alteração representa a segunda flexibilização dos juros e foi acordada de forma unânime pelos membros do comitê.
O corte na taxa estava em linha com as expectativas do mercado, conforme informado no comunicado oficial do Copom. “O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. e julga que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação em direção à meta ao longo do horizonte relevante”, mencionou o comunicado.
Os diretores do Copom enfatizaram que, enquanto buscam assegurar a estabilidade dos preços, essa medida também busca atenuar as flutuações da atividade econômica e promover a manutenção do pleno emprego.
Os diretores do Copom também mantiveram a referência ao conflito no Oriente Médio, ressaltando que o cenário externo permanece repleto de incertezas, especialmente em relação à duração, extensão e desdobramentos desse conflito.
Nessa mesma decisão, as expectativas para a inflação foram ajustadas. A projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi elevada de 3,9% para 4,6% para o ano de 2026, ficando acima do teto da meta, que é de 4,5%. Para o quarto trimestre de 2027, a estimativa do Copom para o IPCA foi elevada de 3,3% para 3,5%.
Fonte: www.moneytimes.com.br