O início do ano costuma concentrar uma série de despesas significativas, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e as rematrículas escolares, além dos gastos com material escolar. Segundo dados do coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV), André Braz, os preços desses produtos tiveram um aumento de 4,85% em um período de 12 meses, até novembro de 2025, número que supera a inflação acumulada no ano, que foi de 4,46%.
Diante desse cenário econômico desafiador, a organização e o planejamento financeiro se tornam essenciais para que as famílias consigam economizar sem comprometer a qualidade dos materiais. Para minimizar o impacto financeiro, o E-Investidor consultou especialistas e reuniu estratégias que podem tornar a compra de material escolar mais consciente em 2026.
Dicas para Comprar Material Escolar Mais Barato em 2026
O primeiro passo indicado pelo planejador financeiro CFP da Planejar, Ivan Vianna, é realizar um diagnóstico financeiro minucioso, que consiste em mapear todos os custos fixos do primeiro trimestre do ano. Esse mapeamento permitirá ao consumidor definir suas prioridades e estabelecer um valor que pode ser destinado à compra de materiais escolares, sem comprometer outras despesas igualmente essenciais.
Após essa análise, é fundamental elaborar uma lista com os itens realmente necessários e estabelecer um valor máximo para a compra, a fim de evitar gastos excessivos.
“Caso exista alguma reserva financeira, é importante verificar se o pagamento à vista oferece a possibilidade de desconto. Se houver dificuldade financeira, é válido avaliar quais itens são indispensáveis para a primeira semana de aula e quais podem ser adquiridos posteriormente. Diluir as compras ajuda a aliviar o fluxo de caixa no mês de janeiro”, aconselha Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos.
Outra estratégia que pode proporcionar economias é a compra em grupo. Como explica Ondamar Ferreira, gerente da rede varejista Armarinhos Fernando, “muitos pais se organizam para comprar em atacado — cadernos, por exemplo — dividindo os produtos e a conta, o que geralmente resulta em uma redução significativa no valor total.”
De acordo com Ferreira, os produtos licenciados representam um grande impacto no orçamento, visto que itens que possuem personagens famosos tendem a ser muito mais caros. “Temos observado que os pais frequentemente optam por adquirir um ou dois produtos licenciados e escolhem versões mais simples para os demais itens. Isso mantém a criança satisfeita e evita que o orçamento familiar seja comprometido”, detalha Ferreira.
Uma alternativa interessante é adquirir materiais básicos e personalizá-los em casa, transformando isso em uma atividade recreativa durante as férias.
Algumas práticas simples podem contribuir para a redução do valor total da compra, como:
- Planejar com antecedência, evitando compras por impulso e aproveitando melhores ofertas;
- Reaproveitar materiais do ano anterior, como mochilas, estojos, lápis, tesouras e réguas;
- Realizar compras em grupo, dividindo volumes maiores com outros pais;
- Comparar preços de material escolar em lojas físicas e online;
- Pesquisar por marcas alternativas, que muitas vezes oferecem qualidade similar a preços mais acessíveis;
- Evitar produtos licenciados e itens da moda, que podem encarecer a compra sem oferecer funcionalidade adicional;
- Avaliar a possibilidade de adquirir materiais usados, especialmente livros e itens que não são consumidos rapidamente;
- Utilizar a internet para buscar cupons, cashback (um tipo de recompensa que devolve parte do valor da compra) e promoções temporárias.
O Que Pode Atrapalhar uma Compra Inteligente
Entre os erros cometidos com frequência por pais e responsáveis na compra de material escolar está a procrastinação, que leva a deixar para a última hora, o parcelamento excessivo no cartão de crédito, a falta de comparação de preços e a capitulação à pressão emocional das crianças. Para evitar cair nessas armadilhas, especialistas sugerem:
- Formar uma reserva de caixa antes das compras;
- Evitar parcelamentos longos, que comprometam a saúde financeira nos meses seguintes;
- Priorizar o pagamento à vista, especialmente quando há um desconto significativo associado.
“Com a Selic elevada, o ideal é evitar os parcelamentos longos que envolvem juros. Se o consumidor decidir parcelar sem juros, é essencial que ele verifique se as parcelas não interferirão nas outras despesas que ocorrerão no início do ano”, alerta Patzlaff.
Educação Financeira Também Começa na Papelaria
Embora deixar as crianças em casa possa ajudar a evitar gastos desnecessários, envolvê-las nas compras pode ser uma oportunidade para aplicar conceitos fundamentais de educação financeira, como planejamento, definição de limites, apreciação do valor do dinheiro e responsabilidade.
Uma maneira eficaz de incluir as crianças nesse processo é estabelecer um orçamento prévio e permitir que elas participem das decisões de compra.
“Demonstre que, ao economizar no material escolar, haverá dinheiro disponível para um passeio no final de semana ou um lanche especial. Não hesite em explicar que certos itens não estão dentro do orçamento — isso ensina limites e valoriza o esforço da família”, afirma Patzlaff.
Para Vianna, da Planejar, essa situação representa uma oportunidade didática extremamente valiosa sobre como economizar no material escolar em 2026. “A família pode e deve incentivar a criança ou o adolescente a participar da lista de compras, na comparação de preços e nas decisões entre custo e benefício. Esse processo ensina como o consumo impacta o orçamento familiar”, conclui Vianna.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br


