A inteligência artificial nas universidades americanas
A inteligência artificial (IA) chegou aos campi universitários dos Estados Unidos, funcionando não apenas como uma ferramenta de aprendizado, mas também como uma fonte de preocupação e ansiedade. Com o avanço da automação e a redução das oportunidades de emprego de nível inicial em setores como tecnologia e finanças, instituições de ensino superior no país estão se mobilizando para reformular seus programas. O objetivo é garantir que os estudantes se formem com mais do que um simples diploma.
Iniciativas da Dartmouth College
A Dartmouth College, uma das universidades mais tradicionais dos Estados Unidos e membro da Ivy League, conseguiu captar US$ 30 milhões em fundos destinados a ampliar o acesso a estágios. Com esse montante, os alunos têm a possibilidade de receber até US$ 6.500 por semestre para financiar experiências profissionais que não oferecem remuneração ou que pagam menos que o mercado.
Joseph Catrino, que atua como diretor inaugural do Centro de Design de Carreira da Dartmouth, afirma: “Isso permite que o estudante explore e se engaje em uma área que normalmente não conseguiria.”
A pressão sobre o ensino superior
De acordo com Catrino, as instituições de ensino superior possuem uma responsabilidade que vai além da grade curricular tradicional. “O ensino superior precisa fazer melhor. Precisamos dar um passo à frente e ajudar os estudantes a estarem preparados”, declarou ele.
A iniciativa da Dartmouth é acompanhada por outras universidades. A Universidade da Cidade de Nova York (CUNY), que atende cerca de 180 mil estudantes de graduação, lançou no ano anterior um programa abrangente com a finalidade de melhorar os resultados de carreira dos alunos. A proposta inclui orientação profissional, estágios bem remunerados, aprendizado prático e parcerias com especialistas do setor em diversas áreas de formação.
O chanceler da CUNY, Félix Matos Rodríguez, comenta: “Não basta que os estudantes se formem com um diploma. Eles precisam sair com direção, preparação, experiência e conexões”.
Impacto da IA nas escolhas acadêmicas
O efeito da inteligência artificial nas escolhas acadêmicas dos estudantes já é considerado mensurável. Uma pesquisa trimestral sobre IA e emprego, realizada pela CNBC em parceria com o SurveyMonkey e envolvendo aproximadamente 800 estudantes nos Estados Unidos, revelou que dois terços dos universitários expressam pessimismo em relação ao mercado de trabalho. Além disso, quatro em cada dez deles já consideraram mudar de área de formação devido à influência da IA.
Ademais, 36% dos alunos cogitaram mudar o setor de atuação que planejavam seguir, enquanto 49% indicaram a intenção de redirecionar o foco para o desenvolvimento de novas habilidades.
Eric Greenberg, presidente do Greenberg Educational Group, uma consultoria educacional sediada em Nova York, acredita que o problema está se agravando. Ele pontua: “O que complica particularmente a escolha de uma área de formação agora é a imprevisibilidade sobre quais cursos serão mais ou menos afetados pela IA. Isso pode mudar drasticamente as perspectivas de emprego”.
Os setores mais vulneráveis ao impacto da IA
Nem todos os setores do mercado enfrentam os mesmos riscos em relação à automação. De acordo com um relatório de 2025 do Indeed, tecnologia e finanças estão entre as áreas mais expostas. A inteligência artificial generativa tem a capacidade de substituir habilidades analíticas que outrora eram exclusivas de profissionais humanos, resultando em uma diminuição nas oportunidades para trabalhadores em início de carreira em tais setores. Isso foi corroborado por um levantamento da Universidade Stanford, também publicado em 2025.
Uma análise elaborada pelo Federal Reserve de Dallas e divulgada em janeiro, confirmou um recuo significativo no emprego nas ocupações mais suscetíveis à IA, com ênfase no setor tecnológico. Os pesquisadores, no entanto, observaram que o impacto geral sobre as vagas de nível inicial ainda é considerado limitado.
Por fim, Catrino reconheceu a confusão gerada por informações sobre demissões em massa e a redução de vagas de entrada no mercado: “Há muito ruído”, comentou. “O ensino superior tem uma grande tarefa pela frente.”
Fonte: timesbrasil.com.br