Comprometimento da Renda Familiar
O comprometimento da renda familiar destinado ao pagamento de dívidas atingiu 29,33% em janeiro, marcando o maior nível desde o início da série histórica, que se iniciou em 2005. Esse índice, que reflete a proporção da renda das famílias direcionada ao cumprimento de obrigações financeiras, superou o recorde anterior, registrado em outubro, quando o comprometimento estava em 29,32%.
Endividamento
O endividamento das famílias em janeiro foi de 49,7%, mantendo-se estável em relação ao mês anterior, mas apresentando um aumento de 1,1 ponto percentual quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Essas informações fazem parte do relatório de Estatísticas Monetária e de Crédito, divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta segunda-feira, dia 30.
Dos valores utilizados para quitar as dívidas, 10,48% relacionam-se ao pagamento de juros, um número que também representa o patamar mais alto em pelo menos duas décadas. Além disso, 18,85% do orçamento familiar é destinado à amortização do principal das dívidas.
Inadimplência e Taxas de Juros
Conforme os dados apresentados pelo Banco Central, a taxa de inadimplência total das pessoas físicas atingiu 6,9% em fevereiro. O BC também informou que os juros médios cobrados pelos bancos nas operações de cartão de crédito rotativo para pessoas físicas subiram para 435,88% ao ano no mesmo mês.
Saldo das Operações de Crédito
O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) registrou uma expansão de 0,4% em fevereiro, totalizando R$ 7,1 trilhões. Segundo a autoridade monetária, esse crescimento decorreu principalmente do aumento de 0,6% no crédito destinado às famílias, que alcançou R$ 4,5 trilhões, ao passo que o crédito direcionado às empresas permaneceu estável em R$ 2,7 trilhões.
Em relação ao saldo das operações de crédito com recursos livres, que compreendem valores negociados com o mercado, o total chegou a R$ 4,1 trilhões em fevereiro. Deste total, o crédito livre para empresas somou R$ 1,6 trilhão, apresentando um recuo de 0,3% quando comparado ao mês anterior. Por outro lado, o crédito livre destinado às pessoas físicas totalizou R$ 2,5 trilhões, com um incremento de 0,3% no mês.
No relatório do BC, também foram divulgados os dados acerca do crédito direcionado, que envolve recursos subsidiados por governos ou instituições estatais. O saldo dessas operações somou R$ 3,1 trilhões em novembro, com uma expansão de 0,8% no mês e de 12,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O crédito direcionado às empresas foi de R$ 1,1 trilhão, enquanto para as pessoas físicas totalizou R$ 2 trilhões.
As taxas de juros nas operações com empresas ficaram em 24,9% ao ano. Nas operações realizadas com as famílias, a taxa média de juros alcançou 62% ao ano. Além disso, a taxa média de juros aplicada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas situou-se em 48,6% ao ano.
Spread Bancário
O spread bancário, que é a diferença entre as taxas médias de juros das operações de crédito e o custo de captação, alcançou 22,1 pontos percentuais. Esse valor apresenta aumentos de 0,5 ponto percentual e de 2,8 pontos percentuais em um período de 12 meses.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
