O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o governo brasileiro tomará medidas para evitar que a intensificação do conflito internacional tenha um impacto negativo adicional nos preços dos combustíveis e, consequentemente, nos alimentos disponíveis no país.
Impacto da Guerra no Oriente Médio
De acordo com Lula, o recente aumento nos preços é diretamente relacionado à guerra no Oriente Médio, que está afetando a oferta global de petróleo e seus derivados. “Faremos o que for necessário para não permitir que essa guerra eleve o custo do feijão, da carne e da alimentação do povo brasileiro”, afirmou o presidente em uma entrevista concedida à TV Cidade, na quarta-feira (1º).
Ações do Governo
O presidente também mencionou que a administração já implementou medidas para estabilizar os preços, incluindo a redução de tributos sobre combustíveis. No entanto, ele criticou os elos da cadeia de distribuição, que não estariam repassando essa diminuição de custos ao consumidor final.
“Existem pessoas de má fé neste país que estão elevando os preços mesmo com a redução de impostos por parte do governo”, disse. Lula informou que órgãos como a Polícia Federal e os Procons estão mobilizados para coibir abusos. “Caso encontre um posto cobrando mais caro, denuncie”, alertou.
Negociações com Estados
Além disso, o governo está negociando com os estados uma nova rodada de redução do ICMS sobre combustíveis, com o objetivo de conter os aumentos sem prejudicar significativamente a arrecadação local.
Lula explicou que a proposta prevê uma “divisão da conta”, na qual a União compensaria uma parte das perdas financeiras dos estados. “Estamos propondo aos governadores um acordo para que eles reduzam o ICMS; o governo federal pagaria metade, enquanto eles arcarão com a outra metade”, afirmou.
Estratégia de Coordenação Federativa
A declaração sugere uma estratégia de coordenação entre os diferentes níveis de governo para lidar com a pressão inflacionária, evitando assim ações unilaterais. Atualmente, o ICMS, que é um imposto estadual e tem grande influência no preço final dos combustíveis, é um dos principais pontos de discussão entre Brasília e os governos estaduais.
Lula destacou que a intenção do governo não é impor cortes forçados, mas sim trabalhar em conjunto para encontrar uma solução. “Tudo isso é feito por meio de acordos. Não queremos agir de maneira autoritária”, concluiu.
Cenário Internacional e Críticas
Ao abordar o cenário externo, Lula atribuiu diretamente a pressão sobre os combustíveis ao conflito entre potências globais, caracterizando a guerra como “desnecessária” e criticando a postura de líderes internacionais.
O presidente mencionou, em particular, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltando que muitas vezes os conflitos são sustentados por narrativas que não possuem fundamento. “Criam mentiras para justificar guerras”, disse, ao recordar eventos passados relacionados a suspeitas de armas químicas em países do Oriente Médio.
Fonte: www.moneytimes.com.br