Índice de Confiança de Serviços
O Índice de Confiança de Serviços (ICS) da Fundação Getulio Vargas apresentou um aumento de 0,9 ponto em maio de 2026, atingindo 88,7 pontos. Esse resultado interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de queda. Apesar da recuperação mensal, a média móvel trimestral ainda mantém uma trajetória negativa, com um recuo de 0,5 ponto, estabelecendo-se em 88,3 pontos. Isso indica que o ambiente econômico para o setor de serviços no Brasil continua desafiador.
Avaliação do Setor de Serviços
Stefano Pacini, economista do FGV IBRE, analisou essa melhora na confiança do setor de serviços. Segundo ele, essa recuperação foi impulsionada pelas expectativas otimistas para os meses seguintes. Ele também observou que a melhora sugere uma acomodação do pessimismo que predominou em abril, quando os efeitos do conflito no Oriente Médio e o aumento nos preços do petróleo afetaram as perspectivas do setor empresarial. Em contrapartida, a avaliação sobre a situação atual do setor apresentou uma diminuição, indicando que as taxas de juros restritivas e o elevado nível de endividamento das famílias ainda impactam negativamente as atividades correntes. Nos segmentos mais relacionados ao consumo familiar, nota-se um certo alívio na renda, relacionado à isenção do Imposto de Renda, ao crescimento da massa real de rendimentos e a um mercado de trabalho que permanece aquecido, sustentando a demanda atual do setor. Contudo, Pacini alerta que a continuação do conflito no Oriente Médio pode aumentar custos e adiar o alívio monetário esperado, dificultando uma recuperação consistente da confiança no decorrer do ano.
Componentes do Indicador
O avanço do ICS foi especialmente sustentado pela melhora nas expectativas futuras. O Índice de Expectativas (IE-S) subiu 2,1 pontos em maio, alcançando 85,8 pontos, após um período de três quedas consecutivas que resultaram em uma perda acumulada de 6,6 pontos. Em contraste, o Índice de Situação Atual (ISA-S) apresentou uma diminuição de 0,4 ponto, ficando em 91,7 pontos e registrando sua segunda retração consecutiva.
Dentro dos componentes do ISA-S, o indicador que mede o volume de demanda atual avançou 0,5 ponto, alcançando 92,7 pontos. Por outro lado, o indicador que avalia a situação atual dos negócios teve uma queda de 1,3 ponto, estabelecendo-se em 90,6 pontos. No tocante às expectativas, o indicador de demanda prevista para os próximos três meses subiu 0,9 ponto, chegando a 85,4 pontos. O indicador de tendência dos negócios para os próximos seis meses também teve um aumento considerável, subindo 3,2 pontos e atingindo 86,3 pontos.
Perspectivas Para o Setor de Serviços
Os dados obtidos sugerem que os empresários do setor de serviços começam a perceber um cenário menos adverso para o segundo semestre do ano, mesmo em meio à elevada taxa de juros e às incertezas externas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e aos preços internacionais do petróleo. O resultado dessa pesquisa pode influenciar as expectativas em relação à atividade econômica, inflação e política monetária nos meses seguintes.
(FGV)
Fonte: br.-.com