Conflito no Oriente Médio coloca em risco os mercados globais de energia

Conflito no Oriente Médio coloca em risco os mercados globais de energia

by Fernanda Lima
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Impactos da Guerra com o Irã nos Preços de Combustíveis

A guerra com o Irã pode levar consumidores e empresas em todo o mundo a enfrentar semanas ou meses de preços elevados de combustíveis, mesmo que o conflito termine rapidamente. Isso se deve ao fato de que os fornecedores globais têm encontrado dificuldades para lidar com instalações danificadas, logística afetada e riscos aumentados no transporte.

Esse cenário configura uma ameaça econômica global mais ampla e representa uma vulnerabilidade política para o presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento próximo às eleições de meio de mandato. Os eleitores estão particularmente sensíveis às contas de energia e tendem a ter uma visão negativa sobre o envolvimento dos EUA em conflitos no exterior.

Analistas do JP Morgan observaram que “o mercado está deixando de precificar o risco geopolítico puro e passando a lidar com interrupções operacionais tangíveis”. Essa transição ocorre à medida que paralisações em refinarias e restrições de exportação têm prejudicado tanto o processamento de petróleo quanto os fluxos de fornecimento na região.

Suspensão do Fornecimento Global de Petróleo e Gás Natural

O conflito já resultou na suspensão de cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás natural. Teerã tem atacado navios no vital Estreito de Ormuz, que se localiza entre seu litoral e a costa de Omã, além de danificar a infraestrutura de energia em toda a região.

Os preços globais do petróleo subiram 24% em uma única semana, superando a marca de US$90 por barril e atingindo os maiores ganhos semanais desde o início da pandemia, impactando os preços dos combustíveis para consumidores ao redor do mundo.

A interrupção quase total do tráfego no Estreito de Ormuz levou os grandes produtores de petróleo da região, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, a suspender remessas de até 140 milhões de barris de petróleo, o que representa aproximadamente 1,4 dia da demanda global nas refinarias.

Consequências para o Armazenamento e Produção

Em decorrência dessa situação, o armazenamento de petróleo e gás em instalações no Golfo do Oriente Médio está se esgotando rapidamente, forçando campos de petróleo no Iraque a reduzir sua produção. Análises indicam que o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos provavelmente seguirão o mesmo caminho e promoverão cortes. Uma fonte de uma estatal de petróleo da região já se manifestou, ressaltando: “Em breve, todos também fecharão as portas se os navios não chegarem”.

Os campos de petróleo que estão sendo forçados a fechar devido às interrupções nos transportes marítimos poderão levar um tempo considerável para retornar à normalidade. Amir Zaman, chefe da equipe comercial das Américas na Rystad Energy, afirmou que a situação pode continuar tensa independentemente de como o conflito se desenrole.

As forças iranianas estão atacando a infraestrutura regional de energia, incluindo refinarias e terminais, resultando em fechamentos e danos significativos que necessitarão de reparos antes de reiniciarem suas operações.

Força Maior no Catar

O Catar declarou força maior em seus enormes volumes de exportação de gás na quarta-feira, consequência dos ataques de drones iranianos. Fontes indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte a níveis normais, visto que o país é responsável por 20% do GNL global.

A gigantesca refinaria Ras Tanura, assim como o terminal de exportação de petróleo bruto da Saudi Aramco, também paralisou suas atividades em decorrência dos ataques, mas ainda não há detalhes disponíveis sobre os danos sofridos.

A Casa Branca justificou a ação contra o Irã alegando que o país representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos, embora detalhes sobre essa ameaça não tenham sido divulgados publicamente. Trump também expressou apreensão com os esforços do Irã para desenvolver armas nucleares.

Risks no Estreito de Ormuz

Um encerramento rápido do conflito ajudaria a acalmar os mercados de petróleo. Contudo, o retorno ao fornecimento normal e aos preços anteriores pode levar semanas ou até meses, dependendo da extensão dos danos à infraestrutura e à navegação na região. Joel Hancock, analista de energia do Natixis CIB, comentou que, até o momento, os danos físicos causados pelos ataques iranianos não apresentaram consequências estruturais, mas o risco permanece enquanto a guerra continuar.

A principal preocupação em relação ao fornecimento de energia está relacionada a como e quando o Estreito de Ormuz voltará a ser seguro para a navegação. Trump já ofereceu escoltas navais para navios petroleiros e promessas de suporte financeiro à indústria naval na região.

Contudo, a segurança na área pode continuar a ser um desafio, uma vez que o Irã possui a capacidade de realizar ataques com drones contra embarcações por um período prolongado. Além disso, o conflito pode estimular países a aumentarem suas reservas estratégicas de petróleo em semanas ou meses subsequentes ao fim do conflito, o que poderia gerar uma demanda adicional e, consequentemente, manter os preços elevados.

Impactos Políticos e Econômicos Globais

A interrupção das remessas de petróleo está reverberando nas cadeias de suprimentos e nas economias da Ásia, que depende significativamente das importações, obtendo cerca de 60% de seu petróleo bruto do Oriente Médio. Na Índia, por exemplo, a Mangalore Refinery and Petrochemicals, controlada pelo Estado, já declarou força maior em suas exportações de gasolina, somando-se ao crescente número de refinarias na região que não conseguem cumprir seus contratos por falta de fornecimento.

Na China, pelo menos duas refinarias interromperam suas atividades. A nação, que é um grande fornecedor para a região, solicitou às refinarias que suspendessem as exportações de combustível. A Tailândia também interrompeu suas exportações, enquanto o Vietnã suspendeu embarques de petróleo bruto.

A crise de fornecimento parece favorecer a Rússia, uma vez que os preços das cargas de petróleo bruto russo aumentaram. Os EUA concederam uma isenção de 30 dias para que refinarias indianas pudessem comprar petróleo russo como substituto ao perdido no Oriente Médio, apesar de anteriormente pressionarem a Índia a reduzir essas importações sob a ameaça de sanções.

No Japão, o segundo maior importador de GNL, os futuros de energia para Tóquio para o ano fiscal que começa em abril aumentaram acima de um terço em uma única semana. Isso ocorre em razão da expectativa de preços mais altos do combustível. Em Seul, motoristas se aglomeraram em postos de gasolina, antecipando um aumento nos preços.

Para os consumidores europeus, a crise de fornecimento de gás e os preços mais elevados representam um desafio duplo, especialmente após as sanções impostas às importações de energia da Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022. A Europa tem procurado alternativas, recorrendo a importações de GNL para substituir o gás de gasoduto, mesmo tendo que aumentar as compras em 180 cargas adicionais de GNL em comparação ao ano anterior para atender às suas necessidades antes do inverno que está por vir.

Os riscos de fornecimento para os Estados Unidos são considerados menores, dado que o país tem se tornado o maior produtor de petróleo e gás do mundo nos últimos anos. Entretanto, os preços de petróleo e combustíveis nos EUA estão subindo em consonância com os mercados internacionais, impactando o preço da gasolina e do diesel, apesar da oferta interna ser abundante.

A gasolina média no varejo nos EUA, por exemplo, atingiu US$3,32 por galão, representando um aumento de 34 centavos em relação à semana anterior, de acordo com a AAA. Os preços do diesel também subiram, alcançando US$4,33 por galão, comparado a US$3,76 por galão na semana anterior.

Os altos preços nas bombas geram um risco significativo para Trump e seus correligionários republicanos conforme se aproximam das eleições de meio de mandato. A percepção pública dos preços da gasolina é especialmente impactante, conforme comenta Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial: “Os preços da gasolina são psicologicamente poderosos. Eles representam o número da inflação que os consumidores percebem diariamente.”

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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