Ações das Construtoras em Queda
As ações das construtoras e incorporadoras Even (EVEN3) e Lavvi (LAVV3) registraram queda na bolsa de valores nesta sexta-feira, dia 16, após a divulgação das prévias operacionais do quarto trimestre de 2025 (4T25).
Análise dos Analistas
Conforme a análise dos especialistas, os dados apresentados mostraram resultados mistos para o setor imobiliário, evidenciando diferenças significativas entre os indicadores das duas companhias.
Even (EVEN3)
No que diz respeito à Even, os dados apontaram um “desempenho neutro”. Contudo, houve um crescimento anual tanto em lançamentos quanto em vendas, segundo a avaliação do Bradesco BBI.
Por volta das 14h (horário de Brasília), as ações EVEN3 apresentavam uma queda aproximada de 2,5%, sendo negociadas a R$ 7,07.
Em relatório, o banco ressaltou que a companhia encerrou 2025 com um crescimento significativo, sustentado por um aumento de 35% em lançamentos e pela consistência nas vendas. Apesar disso, o quarto trimestre observou uma desaceleração, refletindo bases de comparação mais elevadas.
Entre os meses de outubro e dezembro, a Even registrou lançamentos totalizando R$ 351 milhões, o que representa uma queda de 72% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 76% comparado ao terceiro trimestre de 2025. Esse resultado foi influenciado principalmente por três projetos: Plenitude Melo Alves, GO Madalena e Hub Perdizes, que resultaram em um valor geral de vendas (VGV) total de R$ 881 milhões, dos quais R$ 351 milhões correspondem à participação da empresa.
A velocidade de vendas (VSO) consolidada foi de 13% no 4T25, alinhando-se aos 12% registrados no 4T24. Para o Bradesco BBI, essa estabilidade reforça a resiliência comercial da empresa, enquanto a redução nas entregas já era esperada devido ao cronograma de obras.
“Para 2026, o ambiente mais desafiador e a ausência de gatilhos de curto prazo mantêm nossa avaliação de equilíbrio para as ações”, destacou o banco, que também apontou que “a EVEN3 negocia a 0,6 vez o valor patrimonial (P/VPA), refletindo um valuation descontado, mas alinhado ao cenário atual do setor”.
Lavvi (LAVV3)
No caso da Lavvi, a análise do Bradesco BBI indicou que a empresa teve um 4T25 positivo, com lançamentos atingindo R$ 880 milhões. Este resultado representa uma queda de 3% em relação ao ano anterior, mas um aumento expressivo de 253% quando comparado ao trimestre anterior. Os lançamentos foram distribuídos entre quatro projetos principais:
- Casa Cerâmica (quase totalmente vendido);
- Zen Cyrela by Yoo (36% vendido);
- Novvo Anália Franco (58% vendido);
- 2ª fase do Novvo Vila Prudente (32% vendido).
O mix de lançamentos incluiu empreendimentos de média e alta renda, além de projetos voltados ao segmento econômico, destacando a estreia da empresa em São Caetano do Sul, no estado de São Paulo.
No acumulado do ano de 2025, os lançamentos da Lavvi totalizaram aproximadamente R$ 2,4 bilhões, representando um recuo de 14% em relação ao ano anterior.
Vendas, VSO e Landbank
As vendas líquidas da Lavvi foram de R$ 718 milhões no 4T25, o que indica uma queda de 17% em comparação ao mesmo período de 2024. Por outro lado, a VSO aumentou para 32%, o que representa um crescimento de 15 pontos percentuais em relação ao trimestre.
Esses números, de acordo com o Bradesco BBI, reforçam que a construtora está passando por um período sólido, demonstrando boa tração comercial e uma execução consistente. O aumento substancial do landbank (banco de terrenos), agora avaliados em R$ 5,9 bilhões, oferece uma visibilidade confortável para o pipeline de lançamentos futuros em 2026 e 2027, sendo considerado um diferencial importante dentro do ciclo atual do setor. Por conta disso, o banco manteve sua recomendação de compra para as ações LAVV3.
Visão do BTG Pactual
Por sua vez, o BTG Pactual avaliou o 4T25 da Lavvi como “sólido”, dando ênfase ao desempenho com lançamentos robustos e uma boa velocidade de vendas.
“O desempenho da Lavvi em termos de lançamentos foi notável, alcançando o segundo maior resultado trimestral de sua história, e demonstrou um bom desenvolvimento nas vendas, embora não tenha atingido nossas expectativas”, afirmou o banco em um relatório.
No entanto, o BTG Pactual também se mostrou cauteloso em relação ao segmento de média e alta renda no Brasil, em virtude de um cenário macroeconômico desafiador e de taxas de juros ainda elevadas, que podem impactar a capacidade de compra dos consumidores. Apesar desses desafios, a instituição mantém uma perspectiva positiva sobre a companhia, citando um valuation atraente, com um P/L estimado em torno de 6 vezes para o ano de 2026.
Próximo das 14h (horário de Brasília), as ações LAVV3 estavam em queda de aproximadamente 5%, com cotações ao redor de R$ 16,02.
Fonte: www.moneytimes.com.br


