Consumo das Famílias em Queda
O consumo das famílias registrou uma perda significativa de fôlego em junho, conforme apontado pelo IGet, indicador do Santander que é produzido em colaboração com a Getnet. Este indicador é elaborado a partir das transações realizadas no mercado de adquirência. O resultado alarmou o banco, uma vez que, mesmo com a expectativa gerada pela Copa do Mundo, não foi possível evitar a queda geral da atividade.
Desempenho dos Serviços
No que diz respeito aos serviços oferecidos às famílias, houve um recuo de 5,9% em comparação a maio, revertendo a sequência positiva que havia sido observada nos três meses anteriores. Essa queda foi impulsionada principalmente pelo setor de alojamento e alimentação, que enfrentou uma diminuição de 6,5%. Além disso, outros serviços voltados às famílias também apresentaram um recuo de 1,2%. Quando se avalia o desempenho em relação ao mesmo período do ano anterior, a situação se agrava, uma vez que o segmento ainda apresenta uma queda de 7%.
Impacto no Varejo
O varejo também sofreu com essa realidade. De acordo com o IGet ampliado, houve uma queda de 1,4% no mês, enquanto o varejo restrito mostrou um declínio de 0,2%. O desempenho negativo se espalhou por diferentes setores: combustíveis apresentaram uma queda de 4,9%, o vestuário reduzido em 4,6%, móveis e eletrodomésticos tiveram uma diminuição de 4,4%, materiais de construção caíram 3,9% e automóveis, partes e peças, apresentaram uma queda de 2,5%.
Contexto Econômico
Para o Santander, esses números corroboram a perspectiva de desaceleração da economia durante o segundo trimestre do ano. A alta dos juros ainda exerce um peso significativo sobre a demanda, enquanto os estímulos fiscais introduzidos no início do ano começam a perder eficácia.
“Os dados de junho reforçam uma perda de tração da atividade econômica, especialmente nos segmentos mais sensíveis à renda disponível e ao crédito. Após meses de desempenho positivo, serviços prestados às famílias e varejo voltaram a recuar, sugerindo que os efeitos da política monetária contracionista seguem presentes e que os estímulos fiscais do início do ano começam a perder força. Mesmo com eventos de grande apelo, como a Copa do Mundo, que tendem a estimular o consumo em alimentação, bares, restaurantes, supermercados e bens relacionados ao entretenimento, o resultado agregado de junho indica que esse efeito não foi suficiente para compensar a desaceleração mais ampla da demanda”, afirmou Henrique Danyi, economista do Santander.
Fonte: veja.abril.com.br
