Conversas EUA-Irã em Genebra concentram-se em armamentos nucleares e mísseis balísticos

Conversas EUA-Irã em Genebra concentram-se em armamentos nucleares e mísseis balísticos

by Patrícia Moreira
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### Encontro entre EUA e Irã

Em uma combinação de imagens datadas de 9 de abril de 2025, observa-se o enviado dos EUA ao Oriente Médio, Steve Witkoff, após uma reunião com oficiais russos no Palácio Diriyah, em Riade, Arábia Saudita, em 18 de fevereiro de 2025 (imagem à esquerda). A outra imagem mostra o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, conversando com a AFP durante uma entrevista no consulado iraniano em Jeddah, em 7 de março de 2025.

### Novas negociações em Genebra

Uma terceira rodada de conversas entre os Estados Unidos e o Irã teve início na quinta-feira, com o Irã sob intensa pressão para firmar um acordo nuclear com os EUA e reduzir seus programas de desenvolvimento nuclear e de mísseis balísticos. O governo dos EUA mobilizou um grande contingente militar no Oriente Médio antes das discussões. O presidente Donald Trump alertou na semana passada que “coisas ruins” aconteceriam se o Irã não aceitasse um novo acordo nuclear.

No dia anterior às negociações mais recentes na Suíça, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou que a relutância do Irã em discutir o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais seria um obstáculo significativo. “As negociações [na quinta-feira] se concentrarão principalmente no programa nuclear, e esperamos que o progresso possa ser alcançado… Porém, é importante lembrar que o Irã se recusa – se recusa – a conversar sobre mísseis balísticos conosco ou com qualquer outra pessoa, e isso é um grande problema”, declarou ele a jornalistas na quarta-feira.

Rubio também mencionou que, além do programa nuclear, as armas convencionais do Irã são “exclusivamente projetadas para atacar os Estados Unidos e atacar os americanos, caso decidam fazê-lo. Essas questões precisam ser abordadas”.

### Preocupações e afirmações de Trump

Trump alegou em seu discurso sobre o Estado da União, na terça-feira, que Teerã estaria trabalhando em foguetes que poderiam “em breve” alcançar o território dos EUA, mas não apresentou evidências que comprovassem essa alegação. Quando questionado sobre a proximidade do Irã em desenvolver armas que representassem uma ameaça direta ao território americano, Rubio respondeu: “claramente eles estão seguindo o caminho que os levará um dia a desenvolver armas que poderiam alcançar o território continental dos EUA… E os alcances continuam a crescer a cada ano de forma exponencial”, descrevendo isso como uma “ameaça insustentável”.

### Liderança nas negociações

A mais recente rodada de conversas na quinta-feira está sendo liderada pelo enviado dos EUA, Steve Witkoff, e pelo genro de Trump, Jared Kushner, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comanda a delegação de Teerã. Omã está mediando as discussões, e a residência do embaixador omani nas Nações Unidas deve ser o local para as negociações.

A pressão sobre o Irã para concordar com um acordo é evidente, especialmente relacionado à exigência dos EUA de que o país interrompa os esforços de enriquecimento de urânio para armas nucleares.

### Possibilidade de um grande avanço?

O Irã anteriormente rejeitou essa exigência, e Araghchi insistiu que o país “sob nenhuma circunstância jamais desenvolverá uma arma nuclear.” No entanto, Teerã deu sinais de que está disposto a fazer concessões para agradar aos Estados Unidos.

Na quarta-feira, Araghchi afirmou que um “acordo justo, equilibrado e equitativo” estava ao alcance, enquanto Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou à TV estatal iraniana que “o Irã veio aqui com uma flexibilidade muito razoável.” Ele acrescentou que o Irã “tem o direito de utilizar energia nuclear para fins pacíficos, um direito que é reconhecido”.

Araghchi mencionou em entrevista ao programa “Face the Nation” da CBS no domingo passado que ainda estava elaborando uma proposta que incluiria elementos que acomodassem “preocupações e interesses” de ambas as partes. Ele afirmou que a proposta seria discutida em Genebra e que ambos os lados trabalhariam em um texto na tentativa de alcançar “um acordo rápido”.

Teerã está desesperado por alívio das sanções, uma vez que protestos anti-governamentais devido à situação econômica e à liderança autoritária continuam a abalar o regime. Essas manifestações prosseguiram na quinta-feira, com estudantes liderando as últimas demonstrações nas universidades iranianas.

Os analistas expressam ceticismo quanto à possibilidade de um grande avanço nas próximas 24 horas nas negociações, mas afirmam que uma ação militar iminente dos EUA — que poderia desencadear tumultos no Oriente Médio e impactar o mercado de petróleo — não é uma ameaça imediata no atual contexto.

### Interesses de ambas as partes

Paul Musgrave, professor associado de governo na Universidade de Georgetown, no Qatar, afirmou à CNBC que, nas próximas 24 horas, ambas as partes reafirmarão seus interesses centrais. “Do lado iraniano, isso é bastante claro: garantir que o regime esteja seguro, assegurar a opção legal de buscar uma arma nuclear e garantir que seu programa de mísseis balísticos convencionais permaneça intacto”, comentou Musgrave durante a entrevista.

Do lado americano, uma variedade de objetivos foi expressa, alguns dos quais são incompatíveis, incluindo a proteção dos manifestantes, a eliminação dos mísseis iranianos e tentativas de impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. “Se você é o governo iraniano, provavelmente está tentando entender exatamente o que os americanos querem com isso?”, acrescentou.

Musgrave finalizou afirmando: “Não espero um grande avanço nas próximas 24 horas, mas também não espero ataques militares nesse período”.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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