Copom mantém juros a 15% e indica cautela prolongada em meio a dados robustos de PMI e Balança Comercial.

Copom mantém juros a 15% e indica cautela prolongada em meio a dados robustos de PMI e Balança Comercial.

by Ricardo Almeida
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PMI de Serviços ISM nos EUA e Balança Comercial Brasileira

Os Estados Unidos começaram a semana com dados manufatureiros que, embora robustos, ficaram abaixo das expectativas para o mês de novembro. O PMI Industrial ISM registrou 48,7 pontos, em comparação com a projeção de 49,4 e o anterior de 49,1, indicando uma continuidade na contração do setor. Em contraste, o PMI de Serviços ISM apresentou um resultado surpreendente ao marcar 52,4 pontos, superando as expectativas de 50,7 e o anterior de 50,0, o que sinalizou resiliência no consumo americano.

Relatório ADP e Números de Emprego

O relatório ADP, que avalia a criação de empregos no setor privado, indicou a geração de apenas 42 mil novas vagas em outubro, diante da projeção de 32 mil e revisando a queda anterior de 29 mil. O payroll não-agrícola, anunciado na sexta-feira, revelou um aumento de 66,6 mil postos no Canadá, resultando em um erro de transmissão nos Estados Unidos, onde a atenção estava voltada para o Nonfarm Payroll implícito através dos dados de Michigan. Esses dados mistos impulsionaram expectativas em relação à pausa no aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), com os rendimentos dos Treasuries de 10 anos recuando para 4,25%, o que favoreceu a aquisição de títulos públicos de longo prazo.

Desempenho do Mercado de Ações Americano

No que diz respeito ao mercado de ações americano, o S&P 500 (SPI:SP500) registrou uma alta de 1,8% na semana, impulsionado principalmente pelo setor de serviços. Por outro lado, o Nasdaq apresentou uma ligeira queda de 0,5%, influenciado pelos temores em relação a uma desaceleração industrial. O dólar (CCOM:DXY) experimentou uma desvalorização de 0,7%, beneficiando, assim, mercados emergentes. O relatório de estoques de petróleo da EIA mostrou uma queda de 5,2 milhões de barris, contra uma expectativa de -2,5 milhões, e uma revisão de -6,8 milhões, o que sustentou os preços do WTI acima dos US$ 60, aliviando as pressões inflacionárias e reduzindo os prêmios de risco nos títulos corporativos.

Dados Econômicos do Brasil

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15,00% na última quarta-feira, conforme esperado. Entretanto, o comunicado adotou um tom hawkish, ressaltando a persistência dos riscos inflacionários, incertezas fiscais e a real necessidade de cautela prolongada, afastando qualquer possibilidade de um corte iminente. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de outubro caiu 0,03%, em comparação com um aumento de 0,36% no mês anterior, o que amenizou as preocupações relacionadas à deflação. Paralelamente, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) industrial de setembro teve uma variação negativa de 0,25%, comparado ao 0,21% do mês anterior.

Produção Industrial e Balança Comercial

A produção industrial de setembro apresentou um resultado inesperado ao crescer 2,0% em relação ao ano anterior, superando a projeção de 1,7% e revertendo uma queda anterior de 0,7%, embora tenha mostrado uma leve queda de 0,4% em relação ao mês anterior, contra uma expectativa de -0,5%. O PMI Composto S&P Global se estabeleceu em 48,2, em comparação com 46,0 registrado anteriormente, indicando que o setor permanece em contração. A balança comercial de outubro atingiu um superávit recorde de US$ 6,96 bilhões, superando a projeção de US$ 6,2 bilhões e o anterior de US$ 2,94 bilhões, impulsionada principalmente por commodities. O fluxo cambial estrangeiro somou US$ 5,785 bilhões, contribuindo para a valorização do real.

Reações no Mercado Financeiro

O comunicado incisivo do Copom provocou uma reprecificação imediata nos juros futuros, com o DI janeiro/2027 (BMF:DI1F27) subindo para 12,05% no fechamento da quinta-feira, refletindo expectativas adiadas para cortes nas taxas, apenas futuramente em 2026. Não obstante, dados favoráveis nos setores de comércio exterior e na produção industrial contribuíram para que o Ibovespa (BOV:IBOV) apresentasse uma valorização de 2,3% na semana, impulsionado por ações da Vale (BOV:VALE3) e da Petrobras (BOV:PETR4). A moeda brasileira se valorizou em 1,2% em relação ao dólar (FX:USDBRL), que encerrou a sessão cotado a R$ 5,58. Os títulos públicos prefixados (LTN) atraíram novos investimentos, sendo que as NTN-B foram favorecidas por um cenário de inflação controlada, embora o tom hawkish tenha limitado os ganhos em títulos de longo prazo.

Desempenho na Europa e Ásia

Na Europa, o PMI Composto da zona do euro subiu para 52,5 em outubro, superando a projeção de 52,2 e o anterior de 51,2, sendo puxado pelo setor de serviços, que alcançou 53,0, comparando-se a uma projeção de 52,6. A produção industrial da Alemanha cresceu 1,3% em setembro, enquanto se esperava um aumento de 3,0% e, em contraste, a balança comercial da Alemanha resultou em um superávit de €15,3 bilhões, abaixo da expectativa de €16,7 bilhões. As vendas no varejo da zona do euro caíram 0,1% em relação ao mês anterior, além de as autoridades do Banco Central Europeu (BCE) manterem um discurso dovish, com Christine Lagarde reforçando a flexibilidade nas políticas monetárias. O euro se valorizou em 0,5% em relação ao dólar, enquanto os yields dos Bunds de 10 anos subiram para 2,35%, refletindo dados mistos.

Ações europeias, particularmente o Euro Stoxx 50, apresentaram um ganho de 1,1%, sendo lideradas por instituições bancárias. Os títulos soberanos das economias periféricas, como o BTP italiano, notaram uma compressão em spreads devido ao PMI positivo, enquanto os Bunds pressionaram a curva de juros. No Reino Unido, o PMI de construção apresentou uma queda para 44,1, quando se esperava uma leitura de 46,7. O Banco da Inglaterra (BoE) cortou a taxa de juros para 4,00%, como já era previsto, com cinco votos em favor da manutenção, o que gerou um sinal hawkish que favoreceu uma alta de 0,8% na libra e nos yields dos Gilts.

Resultados na Ásia

Na China, os dados de exportação para outubro mostraram uma queda de 1,1% em relação ao ano anterior, quando a expectativa era de um crescimento de 3,0%, após um aumento de 8,3% anteriormente. As importações, no entanto, mostraram um aumento de 1,0%, com uma projeção de 3,2%. A balança comercial apresentou um superávit de US$ 90,07 bilhões, com uma expectativa de US$ 96,9 bilhões. O PMI Caixin de Serviços subiu para 52,6, ligeiramente abaixo dos 52,9 registrados anteriormente. A moeda yuan se desvalorizou em 0,6%, com o Banco do Povo da China (PBOC) injetando liquidez no mercado. As ações chinesas (CSI 300) registraram uma queda de 1,5%, enquanto os títulos soberanos atraíram fluxos em busca de segurança.

No Japão, o PMI Industrial final permaneceu em 48,2, em comparação com o anterior de 48,3, enquanto a base monetária foi reportada com uma queda de 7,9% em termos anuais. O iene se valorizou em 0,4% devido a um cenário de reversão no carry trade. Na Índia, o PMI de Serviços alcançou 58,9, abaixo dos 60,9 registrados anteriormente. Os mercados asiáticos apresentaram resultados mistos: o Nikkei subiu 0,9%, enquanto o Hang Seng caiu 2,1%, com os juros na região em queda, beneficiando a demanda por títulos.

Em resumo, os Estados Unidos mostraram um forte desempenho nos serviços, o que contribuiu para uma expectativa de “soft landing”, pressionando a desvalorização do dólar. O Brasil destacou-se com um superávit comercial robusto, enquanto o discurso firme do Copom postergou cortes nas taxas e elevou a curva de juros. A Europa enfrenta uma recuperação gradual, mas dados fracos da Alemanha limitam a euforia, e a Ásia permanece sob a pressão econômica da China, com oscilações na moeda yuan e nas ações. A demanda por títulos públicos globais aumenta, favorecendo mercados emergentes.

É possível acompanhar a divulgação em tempo real de todos os indicadores econômicos do Brasil e do mundo por meio do Calendário Econômico -.

Fonte: br.-.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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